A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), afirmou nesta segunda-feira (15) que o reajuste de 5,4% do Governo Federal para os professores desequilibrou os acordos firmados em nível municipal com a categoria.
Por meio de medida provisória, o Governo Lula fixou um percentual de 5,40%, composto pela inflação do ano anterior (INPC de 3,90%) somada a um ganho real de 1,50% para a categoria. Segundo Adriane, a medida não trouxe indicação de fonte de recurso para retirar o gasto com o reajuste, e também não houve liberação de mais verbas.
“Como é que você avança tendo em vista um reajuste que não tem fonte e que o recurso não chegou? Então isso desequilibrou todos os acordos feitos passados, mas acredito que, a partir de agora, a gente vai construir isso com a ACP [Sindicato Campo-grandense dos Profissionais da Educação Pública] e a Comissão de Educação da Câmara de Vereadores”, afirmou a chefe do Executivo Municipal.
Pela manhã, a prefeita se reuniu com o sindicato para apresentar os números relativos aos gastos com professores. “Hoje nós temos R$ 1,5 bilhão investido em folha; nós temos uma despesa até o fim do ano de R$ 1,7 bilhão. Os números foram apresentados para a ACP, para que a gente chegue a um consenso do que fazer e a gente possa avançar com o reajuste”, contou.
Reunião terminou sem acordo
A reunião entre a Prefeitura de Campo Grande e membros da ACP (Associação Campo-Grandense de Profissionais da Educação Pública) terminou sem consenso, por volta das 11h desta segunda-feira (15). Outro encontro, marcado para o dia 24 de junho, pode definir se haverá reajuste de 5,4% aos professores. A categoria se reúne em assembleia às 18h desta segunda, para votar a possibilidade de greve.
O encontro ocorreu após a paralisação realizada na semana passada, que reuniu centenas de profissionais da educação em frente ao Paço Municipal e provocou a suspensão das aulas em todas as escolas da rede municipal. Ao todo, cerca de 112 mil alunos e 8,5 mil professores foram impactados pelo movimento.
Reajuste de 5,4%
Segundo o presidente da ACP, Gilvano Bronzoni, a promessa é que, na próxima reunião, sejam apresentadas hipóteses de remanejamento das verbas da educação. “Foi mantida a palavra da prefeita, que nos foi dada na sexta-feira, de colocar os caminhos, então hoje já foram apresentadas algumas hipóteses”, explicou.
Ele espera que existam alternativas para o reajuste solicitado, mas “sem penalizar de forma nenhuma a educação e o produto final, que é a qualidade para os nossos alunos”. Ou seja, a ACP se posiciona contra cortes no orçamento de outras áreas da educação para custear o reajuste.
Ainda assim, não há garantia de que haverá uma decisão definitiva na próxima reunião, mas novas informações sobre o orçamento da educação municipal serão apresentadas. “A gente pode avançar já na quarta-feira (24) para um número que a gente possa cumprir com a categoria”, disse o secretário de Governo, Ulisses Rocha.
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(Revisão: Nichole Munaro)









