Após se reunir com oito dos 18 caciques da TI (Terra Indígena) Buriti, em Sidrolândia, nesta segunda-feira (15), o deputado estadual Zeca do PT se questionou se o ataque à fazenda não seria uma tentativa de criar um “clima de terror” às vésperas da vinda do presidente Lula a Mato Grosso do Sul.
“Muito estranho que aconteça uma coisa isolada dessa envergadura, com os riscos que teve, logo em alguns dias que antecedem a presença do Presidente da República no Estado. Tentativa de criar clima de terror? Nós estamos acostumados a ver esse tipo de coisa, por isso estamos aqui”, afirmou Zeca após a reunião.
Em Ponta Porã, no final do mês, Lula deve participar do ato do Programa Terra da Gente e de ações de estruturação produtiva no Assentamento Itamarati, com entrega de 1,4 mil títulos de regularização fundiária.
Neste fim de semana, a proprietária de uma fazenda em Sidrolândia procurou a polícia para denunciar uma suposta invasão de indígenas da Aldeia Buriti, que teriam entrado na propriedade, causando danos, incendiado máquinas agrícolas e colocando funcionários em cárcere.
O deputado disse que a ata da reunião, que, entre outros itens, pede pela regularização e demarcação da terra indígena Buriti, será entregue às autoridades, cobrando providências.
Na reunião, os caciques da região registraram em ata que:
- A ação foi isolada, restrita a lideranças específicas da aldeia Buriti;
- Não houve comunicação ou articulação prévia com os demais caciques;
- As lideranças não concordam com atos de depredação ou subtração de bens;
- Mantém-se a exigência, em caráter de urgência, pela regularização e demarcação da terra indígena Buriti;
- Exigem a investigação rigorosa para identificar os responsáveis pelo episódio.
Além de Vander, o deputado federal Vander Loubet (PT) também esteve na agenda com as lideranças indígenas.
Invasão
O caso teria ocorrido na noite deste sábado (13), mas, já na manhã de domingo (14), equipes policiais seguiram até a propriedade para apurar o caso e ouvir as partes envolvidas. A denunciante contou à polícia que máquinas e insumos agrícolas foram incendiados durante a invasão à propriedade.
Ela teria afirmado que mulheres e crianças teriam sido mantidas em cárcere e que funcionários da fazenda chegaram a ser algemados pelos invasores.
De acordo com a Polícia Militar, equipes especializadas foram até a propriedade onde o grupo de indígenas invasores causou graves danos ao local e aos maquinários agrícolas. Além da destruição patrimonial, foram registrados furtos de insumos e focos de incêndios dolosos provocados criminosamente pelos invasores.
Ainda foi causado com a derrubada de diversas árvores, que foram utilizadas como barricadas para impedir a ação das forças de segurança.
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