A enfermeira Cacilda Hildebrandt, esposa de Henrique Budke (PSDB), prefeito de Terenos alvo de investigação por suspeitas de corrupção e pagamento de propinas a partir de contratos de obras públicas, foi às redes sociais para comemorar a decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça) que autorizou o retorno do político ao comando da cidade após quase um ano afastado do cargo.
A primeira-dama definiu o período desde a Operação Spotless, em setembro de 2025, como meses de angústia. Mesmo afastado, Henrique seguiu recebendo salário de prefeito mesmo sem trabalhar.
Durante seu afastamento o vice, Dr. Arlindo (Republicanos), chefiou a cidade e impôs reforma administrativa após o escândalo político. Assim, os terenenses custearam dois prefeitos ao longo do período de Budke fora da função.
“Após quase 10 meses de angústia, uma esperança sobre verdade se abriu. Com o coração cheio de gratidão, recebemos a notícia que tanto esperávamos. Henrique retorna ao lugar que o povo lhe confiou, com a mesma vontade de trabalhar e cuidar de Terenos”, disse a esposa do tucano em foto ao lado do marido.
Segundo o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), licitações de obras públicas eram direcionadas, e empresas se revezavam nos serviços, garantindo que o grupo se beneficiasse do esquema, que incluía pagamento de propina ao prefeito e outros citados.
A publicação de Cacilda foi curtida por correligionários de Budke, como o deputado João César Mattogrosso, o presidente da Câmara de Campo Grande, Epaminondas Neto, o Papy, e o presidente da Assomasul (Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul), prefeito Thalles Tomazelli de Itaquiraí.
Em outra publicação feita em setembro do ano passado, Cacilda definiu a operação que levou o marido para a cadeia como ‘virada de cabeça para baixo’.
“Tivemos nossa vida virada de cabeça para baixo, com a interrupção abrupta e assustadora da nossa vida familiar e rotina de trabalho”, disse.
Ainda naquela publicação, ela disse confiar na integridade do marido, que é acusado pelo Ministério Público de MS de chefiar um esquema que corrompeu contratos de obras públicas garantindo desvio milionário de recursos com a participação de empreiteiros e prestadores de serviço.
“O que se apurou na investigação é uma organização criminosa instalada no Poder Executivo do Município de Terenos, atuando há anos para fraudar licitações e saquear os cofres públicos, um verdadeiro balcão de negócios comandado pelo prefeito municipal [Henrique Budke]”, pontuou o procurador-geral de Justiça Romão Ávila Milhan Júnior na denúncia que levou Henrique e outras 15 pessoas para a cadeia.
Ao todo foram mais 25 pessoas envolvidas no suposto esquema de corrupção na prefeitura.
A decisão do STJ que reconduziu Henrique ao cargo de prefeito não encerra a batalha judicial do tucano com a justiça. Ele segue sendo monitorado por tornozeleira eletrônica.
Ele ainda não poderá ter contato com outros investigados ou testemunhas nem poderá mexer em contratos ou licitações alvo da operação.
Budke também permanece proibido de firmar novos contratos com os empresários ou as empresas denunciadas no âmbito da ação.
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