O vereador Dr. Lívio (União), presidente da Comissão de Transporte da Câmara de Campo Grande, estima que o Grupo HP Mobilidade apresente, em até 15 dias, o plano de investimentos para assumir o transporte coletivo da Capital. Com a aprovação da compra pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), o parlamentar afirma que a Casa de Leis precisa acompanhar de perto as condições do negócio e as medidas previstas para melhorar o serviço oferecido à população.
Segundo Dr. Lívio, informações apuradas junto aos interventores do Consórcio Guaicurus indicam que a venda já teria sido efetivada, com aval da Prefeitura de Campo Grande. Agora, a expectativa é de que a nova empresa apresente formalmente o planejamento de investimentos à administração municipal.
“Eu acredito que em 15 dias eles vão tratar isso administrativamente. É isso que eu quero saber. Eu apurei isso junto aos interventores, mas quero saber se realmente vai se concluir”, afirmou o vereador.
O parlamentar também avalia que a transição poderá ocorrer antes do fim deste ano, com a HP assumindo a operação do transporte coletivo. Por isso, defende que a Câmara acompanhe as negociações e conheça as cláusulas do contrato, os compromissos financeiros e os prazos para execução das melhorias.
“É esse momento crucial que a Câmara precisa ficar atenta para saber as cláusulas desse contrato, qual é o plano de investimento dessa empresa. A gente entende que esse plano de investimento agora vem para melhorar o transporte coletivo, e a Câmara não vai ficar de fora disso”, declarou.
Renovação da frota e reforma dos terminais
Entre as prioridades apontadas por Dr. Lívio, estão a renovação da frota de ônibus, a revitalização dos terminais de transbordo e a conservação e modernização dos pontos de parada. Para o vereador, o planejamento precisa estabelecer compromissos concretos para os próximos anos, diante dos problemas enfrentados pelo transporte coletivo da Capital.
Ele também defende que a discussão sobre os investimentos seja acompanhada de uma possível reestruturação do contrato de concessão. Na avaliação do parlamentar, o atual instrumento contratual precisa ser revisto para adequar as obrigações da empresa às necessidades do sistema.
“A gente está entendendo que, ao final da entrega do relatório, vamos ter uma sugestão de reestruturação do contrato. Porque o contrato está totalmente retalhado e hoje, na prática, não está funcionando”, disse.
Dr. Lívio afirmou ainda que buscou informações sobre a capacidade financeira da HP Mobilidade e avalia que há indicativos de que o grupo pretende investir em Campo Grande. Ele ressaltou, contudo, que a efetivação dessas melhorias dependerá das propostas apresentadas e dos compromissos assumidos com o município.
Cade aprovou a compra, mas intervenção continua
O interventor do Consórcio Guaicurus, Aléxandro de Oliveira, também classificou a aprovação do Cade como um avanço no processo de aquisição das empresas pelo Grupo HP Mobilidade, de Goiás. Segundo ele, porém, ainda existem outras condições a serem cumpridas antes da conclusão definitiva da operação.
“Essa aprovação é um passo importante para eventual finalização da venda do Consórcio, mas existem outras condições. No momento, não muda nada na intervenção”, afirmou Aléxandro ao Jornal Midiamax.
A aprovação ocorreu sem restrições concorrenciais, uma vez que o grupo goiano atua na região metropolitana de Goiânia e não possui participação no mercado de transporte coletivo de Campo Grande. Para obter o aval, a HP Mobilidade informou ter capacidade financeira para promover novos ciclos de investimentos no sistema.
A junta interventora mantém reuniões semanais com a prefeita Adriane Lopes (PP), que já sinalizou que a entrada da nova empresa deverá estar vinculada a investimentos na renovação da frota e à instalação de ar-condicionado nos novos ônibus.
A administração municipal também cobra a reforma e modernização dos oito terminais de transbordo da Capital, além de melhorias nos pontos de ônibus, incluindo locais que ainda não possuem abrigos para os passageiros.
Outro ponto que deverá ser considerado na transição é a continuidade da operação, incluindo a estrutura de funcionários, veículos, equipamentos e contratos necessários para manter o transporte coletivo em funcionamento.
No processo judicial relacionado à intervenção, também foi apresentado pedido para que os novos ônibus sejam elétricos ou movidos a etanol, como alternativa para reduzir a emissão de poluentes. Atualmente, a frota do Consórcio Guaicurus utiliza diesel.
A definição sobre a operação, os investimentos e as responsabilidades da futura concessionária deverá esclarecer como ocorrerá a mudança de gestão e quais melhorias serão efetivamente implementadas no transporte público de Campo Grande.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)





