'Nunca precisou de mais recursos', diz Luiza Ribeiro sobre Consórcio pedir mais dinheiro Pular para o conteúdo
Política

‘Nunca precisou de mais recursos’, diz Luiza Ribeiro sobre Consórcio pedir mais dinheiro

Vereadora ainda defendeu medida 'radical' contra a empresa, como a caducidade do contrato
Fábio Oruê, Thalya Godoy -
vereadora luiza
Vereadora Luiza Ribeiro (PT). (Arquivo, Jornal Midiamax)

A vereadora Luiza Ribeiro (PT) afirma que o Consórcio Guaicurus nunca precisou de mais dinheiro, após a empresa atrelar a ‘solução’ do transporte coletivo de a mais dinheiro público. Comissão da Prefeitura recomendou a intervenção e ‘fechou o cerco’ do grupo empresarial.

“Não há mais o que fazer e recursos o Consórcio não precisa mais, porque nunca precisou. Aliás, as disposições contratuais não autorizam que seja feita injeção de recursos para o Consórcio Guaicurus”, afirma a parlamentar.

A Prefeitura deve anunciar até sexta (12) se assumirá ou não o serviço para investigar a atuação da concessionária.

“Nós achamos que há, por parte da Prefeitura, a necessidade de tomar uma decisão radical de intervenção nesse Consórcio, nesse contrato, para que a gente tenha um transporte seguro e que seja cumprida a lei. Ela [Prefeitura] tem responsabilidade legal para exigir que o Consórcio cumpra o que está estabelecido no contrato”, diz.

Luiza lembrou que as falhas do Consórcio Guaicurus já foram demonstradas tanto nas instâncias judiciais quanto na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) feita ano passado pela Câmara Municipal. “Nós temos uma série de situações de responsabilidade do Consórcio estipuladas no contrato que estão sendo reiteradamente descumpridas”, ressalta.

Em fevereiro, Câmara aprovou projetos que destinaram R$ 38,5 milhões ao Consórcio Guaicurus. (Arquivo, Jornal Midiamax)

Comissão decide pela intervenção

O grupo de trabalho criado pela Prefeitura de Campo Grande para avaliar a necessidade de intervir no contrato do Consórcio Guaicurus — que administra o serviço de transporte coletivo — recomendou à prefeita Adriane Lopes (PP) que inicie o processo de intervenção e pediu a nomeação de um interventor.

Conforme relatório, finalizado em 8 de junho de 2026, a comissão levou em conta, entre outros motivos, as mais de 15 mil ocorrências por descumprimento de horário e por omissões de viagens, conforme registros da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito).

No documento de 31 páginas, a comissão criada em março também elenca como agravante o índice de reprovação nas inspeções de segurança veicular. Segundo o apontado, os dados evidenciaram o agravamento da situação, passando de 5,4% em 2020 a 18,6% em 2025.

Com isso, a comissão especial recomenda à Prefeitura de Campo Grande a intervenção na concessão do Consórcio Guaicurus mediante a nomeação de um interventor, por meio de um decreto.

Entretanto, pontua que a medida deve ter “caráter temporário, investigatório e fiscalizatório” e, se declarada, o procedimento administrativo deverá ser instaurado em até 30 dias.

consórcio
População enfrenta superlotação nos ônibus. (Arquivo, Jornal Midiamax)

Consórcio Guaicurus disse que ‘solução’ seria mais dinheiro público

Após a comissão especial da Prefeitura decidir pela intervenção e ‘fechar o cerco’ ao contrato de concessão do transporte coletivo de Campo Grande, o Consórcio Guaicurus reconheceu as falhas apontadas na auditoria e insistiu na tese de que a solução seria mais dinheiro público.

Em nota oficial disparada após o relatório final da intervenção, o grupo que detém contrato bilionário volta a defender a tarifa técnica de R$ 7,79 — que é alvo de disputa na Justiça. “O transporte público de Campo Grande sofre com um descompasso estrutural crônico entre a tarifa técnica (o custo real do serviço) e a tarifa pública paga na catraca, agravado pela ausência de subsídios integrais para o custeio de gratuidades garantidas por lei”, diz, em trecho da nota.

Vale ressaltar que a concessionária deve receber cerca de R$ 70 milhões da Prefeitura de Campo Grande somente neste ano.

Dois pontos apontados como críticos no relatório que pediu pela intervenção do Consórcio Guaicurus destacaram as mais de 15 mil ocorrências de atrasos nas linhas e o alto índice de reprovação nas inspeções de segurança veicular, que passaram de 5,4% em 2020 para 18,6% em 2025.

Inclusive, o Jornal Midiamax revelou que, em todo o ano passado, foram 81 ônibus interditados pelo município por irregularidades.

Intervenção no Consórcio Guaicurus:

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(Revisão: Nichole Munaro)

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