A classificação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho) como grupos terroristas não preocupa o prefeito de Antônio João, Marcelo Pé (PSDB). Conforme o gestor da cidade que faz fronteira com o Paraguai, o município é apenas ‘corredor’ do tráfico.
“Nós não temos um grande fluxo de violência com decorrência de tráfico de droga, até mesmo de matança, essas coisas. Somos uma cidade pequena, muito pacata”, contextualizou o prefeito.
Ao Midiamax, o gestor afirmou que o município acaba sendo apenas parte da rota do crime. “Nós somos corredores, somos saídas. Mas a permanência de crime organizado na nossa cidade, graças a Deus, é minimamente”, explicou.
Logo, disse que a classificação feita pelos EUA “não é algo que assola, que assusta a nossa população ou que nos prejudica nessa questão”.
Melhorias
O prefeito de Antônio João disse que a segurança da cidade fica nas mãos dos Executivos Federal e Estadual. “Essa questão de segurança é muito mais tratada com o Governo do Estado e também com o Governo Federal, por se tratar de uma área de fronteira.”
Contudo, disse que, com a classificação das facções como terroristas, “qualquer melhora que venha, qualquer coisa que possa vir a dar mais segurança para os nossos munícipes e para quem transita na região” será bem recepcionada pela gestão.

MS na mira da CIA
Os Estados Unidos informaram que o PCC e o CV são “as organizações criminosas mais violentas do Brasil”. Parte da justificativa para a classificação como organizações terroristas é que a atuação desses grupos ultrapassa as fronteiras do Brasil.
A medida abre várias frentes em que os norte-americanos poderão atuar em todo o país, inclusive em Mato Grosso do Sul, nas áreas financeira, jurídica e militar.
A entrada oficialmente da CIA no combate ao PCC e ao CV muda o jogo. Isso porque o trabalho conduzido antes, pelo FBI, focava em crimes específicos, como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
Agora, a abordagem muda para o assunto de segurança nacional para os EUA. Assim, a CIA pode conduzir operações de espionagem sigilosas, com interceptações cibernéticas por satélite e infiltrações que não precisam passar por processo judicial público.
Conhecido por ser a ‘porta de entrada’ de armas e drogas no Brasil através de seus 1,5 mil km de fronteira seca com a Bolívia e o Paraguai, Mato Grosso do Sul pode sofrer impactos com a decisão. As duas facções brasileiras disputam o comando da fronteira no Estado.
O impacto inicial pode acontecer já na região de Ponta Porã, mais especificamente ‘do outro lado da rua’, na cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero.
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(Revisão: Nichole Munaro)







