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Política

PSDB aposta em decisão do STF para sobras eleitorais contra ‘fogo amigo’ de aliados em MS

Declaração dá tom de 'guerrilha' para suspeitas envolvendo desistências na chapa tucana
Vinicios Araujo -
psdb
PSDB. (Divulgação, PSDB)

O deputado estadual Pedro Caravina, presidente do PSDB em Mato Grosso do Sul, afirmou que a legenda projeta a conquista de uma das oito vagas de deputado federal no Estado nas próximas eleições, considerando a nova modulação do STF (Supremo Tribunal Federal) para a distribuição das sobras eleitorais.

Segundo o dirigente, a alteração jurídica que eliminou a exigência do quociente eleitoral mínimo para a participação na segunda sobra de vagas tornou a chapa competitiva em relação a partidos aliados da base governista, como o PP, o PL e o Republicanos.

A declaração dá tom de ‘guerrilha’ para suspeitas de fogo amigo envolvendo desistências na chapa tucana. Caravina disse que o assédio de siglas concorrentes a pré-candidatos tucanos sinaliza que o partido ainda incomoda, mesmo depois de perder força com a revoada de lideranças desde o ano passado.

Nova modulação é ‘arma’ do PSDB contra aliados

Caravina explica que, com a decisão final do STF, que modifica a regra de sobras, o ninho tucano encontra rota para contornar o enfraquecimento pós-perda de integrantes.

Em março de 2025, o Supremo alterou a regra de distribuição de vagas no Poder Legislativo para permitir a participação de todos os partidos políticos na divisão das sobras eleitorais.

Assim, a decisão garante a permanência na disputa de siglas que não alcançam o antigo coeficiente mínimo de votos exigido pela legislação. A mudança resulta do julgamento de ações de inconstitucionalidade que declararam irregular a norma descrita no artigo 109 do Código Eleitoral.

Naquele julgamento, a Corte chegou a aplicar a validade da nova regra de forma retroativa ao pleito de 2022, sem afetar a atual composição sul-mato-grossense na Câmara e no Senado.

“O STF achou injusto você não deixar o partido que não atingiu o coeficiente não poder ter representatividade — a tal da democracia representativa. Por que você vai dar mais uma vaga para o União Brasil ou para o PP, se o PSDB tem gente que pode competir?”, explicou Caravina.

O parlamentar pontuou que, com o quociente eleitoral estimado em 180 mil votos, a regra antiga obrigaria o partido a atingir 145 mil votos para disputar uma vaga, cenário superado pela nova jurisprudência.

A projeção do deputado aponta que o PL e o União Brasil pretendem conquistar três vagas cada, enquanto o Republicanos busca a segunda e o PT (Partido dos Trabalhadores) planeja eleger dois deputados.

Caravina argumenta que, com a nova regra de distribuição, o PSDB entra na disputa direta pelas vagas remanescentes, implicando o planejamento dos concorrentes para atingirem suas metas de bancada.

“Para a política, é assim. No ano eleitoral, as vagas são limitadas. Somos todos parceiros aqui, mas todos disputando vaga, não tem jeito. Hoje o PSDB surgiu como uma força para disputar a vaga, que é uma coisa que não estava prevista [após a revoada]. O partido estava até sendo colocado como cambaleante. Quando saiu, os federais disseram: ‘Não vai a lugar nenhum; a chapa estadual vem para competir, mas a federal acabou’. Com essa montagem aí, os pré-candidatos estão se movimentando. Temos nomes competitivos, além de outros que estão chegando”, disse, mencionando Viviane Luiza, ex-secretária estadual de Cidadania, Bia Cavassa, ex-deputada federal suplente, e Professor Juari, vereador de .

Desistências no ninho

Mesmo com o otimismo do dirigente tucano, a estruturação da chapa federal já sofreu revés com as desistências de Paula Campo, primeira-dama de Ponta Porã, que assumirá a coordenação de campanha na região de fronteira, e de João Carlos Krug, ex-prefeito de Chapadão do Sul, que alegou motivos pessoais para se retirar do pleito.

Caravina minimizou especulações de assédio de outros partidos aos integrantes da lista tucana e classificou a disputa entre partidos do mesmo arco de aliança como “natural” do processo político em anos eleitorais.

PSDB também mira cadeiras na Alems

No âmbito estadual, o PSDB consolidou a nominata com 25 candidatos definidos para a disputa às vagas na Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul).

A meta do ninho é garantir a eleição de quatro deputados estaduais, com possibilidade de alcançar a quinta cadeira, a depender do volume total de votos válidos.

A composição da chapa para o parlamento estadual conta com três deputados em exercício de mandato — Caravina, Lia Nogueira e Paulo Duarte —, os ex-deputados Ângelo Guerreiro e Eduardo Rocha, os vereadores da Capital Flávio Cabo Almi e Silvio Pitú, além de lideranças regionais, como Janete Córdoba, ex-vereadora de Amambai, a vereadora Andréa Fim, de , e Flávio Dias, vice-prefeito de .

Ex-tucanos ainda no comando da aliança

Quem está no comando das relações intrapartidárias do arco de aliança são os ex-tucanos Reinaldo Azambuja (PL) e Eduardo Riedel (PP).

Caravina ressaltou que todas as siglas implicadas na disputa pelas vagas federais e estaduais integram a base de sustentação do atual Poder Executivo estadual e do projeto político liderado por Azambuja e Riedel.

O dirigente concluiu que a competição por espaço e as divergências pontuais são acompanhadas pelos ‘chefões’ e não deverão afetar o alinhamento político geral da aliança partidária.

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(Revisão: Nichole Munaro)

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