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Política

Proposta de reajuste salarial deve ser discutida por professores em assembleia

Professores de Campo Grande reivindicam aumento de 5,4%
Thalya Godoy -
Professores realizaram protestos e paralisações cobrando o reajuste. (Pietra Dorneles, Jornal Midiamax)

O reajuste salarial dos professores da Reme (Rede Municipal de Ensino) de deve ser discutido em assembleia geral da categoria nesta terça-feira (7). A expectativa da categoria é de que o Executivo encaminhe a proposta com reajuste que atenda ao pleito de 5,4%, um percentual que, até o momento, tem sido alvo de negociação entre o sindicato e o município.

A previsão era de que, na reunião na Prefeitura Municipal de Campo Grande, na manhã desta segunda-feira (6), fossem assinados os termos da proposta de reajuste de 5,4% ainda no segundo semestre de 2026. Porém, o presidente da ACP (Associação Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública), Gilvano Bronzoni, explicou que o encontro se encerrou sem a assinatura do documento. 

“A reunião terminou com eles não apresentando a proposta por escrito, apresentando vários números, e a gente colocou o seguinte: que nós não abrimos mão daquilo que já foi acordado e 5,4% no mês vigente exigente, e aí que eles enviem, então, a proposta deles direto pra Assembleia”, explicou o sindicalista. 

A assembleia está agendada para as 18h, na sede da Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul), na terça-feira. Bronzoni aponta que a categoria se mostra irredutível ao não aceitar a proposta caso não atenda o percentual de 5,4%. 

“Mostraram vários números, algumas dificuldades, e nós não quisemos discutir número inferior a 5,4% agora no mês vigente. Como nós saímos acordados na sexta-feira, que a gente assinaria hoje, não sabendo se seria agosto ou setembro. Hoje, no final da reunião, eles não assinaram o número, então falamos: ‘Manda amanhã pra Assembleia que nós vamos pra Assembleia, vamos discutir isso na Assembleia’”, explicou. 

Ao Midiamax, um representante do Executivo informou que estão em “vias de acordo”, mas não antecipou o desenho da proposta que deve ser apresentada à ACP.

A reunião contou com a presença de representantes da ACP, da Prefeitura de Campo Grande e da Câmara de Vereadores da Capital.

No dia 12 de junho, professores protestaram pelo reajuste na Avenida Afonso Pena e paralisaram as aulas em escolas municipais. A manifestação foi seguida de reuniões de negociação nos dias 15 e 24 de junho, além de 1º e 3 de julho. Segundo a ACP, o encontro da última sexta-feira (3) terminou com professores e a Prefeitura fechando acordo para que o reajuste de 5,4% seja pago à vista no 2º semestre deste ano.

Entenda o impasse

A Lei 7.523, sancionada em novembro de 2025, instituiu três reajustes aos professores de Campo Grande em 2026. O primeiro, de 2%, ocorreu em janeiro. O segundo garantiria reajuste de 100% da correção anual do Piso Nacional do Magistério, em maio. Já o terceiro deve ser de 3%, em setembro.

Este segundo reajuste é alvo de impasse no momento. Em janeiro deste ano, o Governo Federal editou Medida Provisória, criando o percentual de 5,4% para a correção anual do Piso. Assim, esse seria o percentual de reajuste dos professores de Campo Grande.

Por outro lado, o RGD (Relatório de Gestão Fiscal) da Prefeitura da Capital mostra que os gastos com pessoal já alcançam 53,97% da receita corrente líquida. O limite prudencial de gastos, de 51,3%, conforme a Lei de Responsabilidade Fiscal, já teria sido ultrapassado. Campo Grande se aproxima do limite máximo, de 54%.

Na reunião de negociação realizada em 15 de junho, o secretário de Governo, Ulisses Rocha, citou um déficit de R$ 138 milhões nas contas da Prefeitura, o que dificulta a garantia de um percentual de reajuste e torna necessárias readequações orçamentárias.

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(Revisão: Dáfini Lisboa)

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