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Polícia

Comando da PM admite emboscada do CV contra o Bope para matar preso

Sob recompensa, 'Apolo' teria morrido após força de elite da PMMS ter pneu da viatura furado
Rodrigo Santos, Lívia Bezerra -
Comandante-geral da PMMS, coronel Renato dos Anjos Garnes. (Foto: Pietra Dorneles, Jornal Midiamax)

O Comando da PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul) admitiu a emboscada armada do CV (Comando Vermelho) contra o Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) para matar o preso Rubens Zílio Neto, vulgo “Apolo”, em .

“Apolo” era suspeito de envolvimento na morte do soldado Marcelo Pimenta. Ele morreu na noite de sábado (4), durante sua transferência de Corumbá para Campo Grande, dias depois de passar por audiência de custódia.

O suspeito morto era apontado como integrante do PCC (Primeiro Comando da Capital), e os tiros teriam sido disparados por criminosos do Comando Vermelho no fim da tarde.

O comandante-geral da PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul), coronel Renato dos Anjos Garnes, falou, durante entrevista coletiva, que dificilmente um pneu de viatura se fura, mas isso aconteceu naquele momento.

“Dificilmente um pneu de viatura se fura, mas justamente furou naquele momento. Ou seja, a emboscada estava preparada. Eles estavam monitorando, sim, a PM. Nenhum atirador fica no mato aguardando. E houve, sim, o preparo para aquilo ocorrer. Não tem como prosseguir com o pneu furado; então, houve, naquele momento, a parada. Os policiais já estavam parados e preocupados com qualquer retaliação, e o fato ocorreu, foi revidado”, disse Garnes.

Durante a entrevista coletiva, o comandante-geral também afirmou que a ação dos criminosos mudou e que as forças de segurança estão dando resposta à altura.

“Nós estamos falando desde o início do nosso comando. Muitos questionam o enfrentamento e a morte em decorrência de intervenção policial. A ação dos criminosos mudou. É o enfrentamento à PM e às forças de segurança, e nós estamos dando resposta à altura. A população não tem que ter insegurança, porque nós agimos de fato. Infelizmente, perdemos um policial militar, mas tenham certeza de que a Polícia Militar está cumprindo seu papel”, afirmou o coronel.

‘Não tem insegurança em MS’

Moradores de Corumbá relataram ao Jornal Midiamax que há um cenário de guerra na fronteira com a Bolívia e até compararam a cidade ao Rio de Janeiro, palco de episódios violentos com frequência.

Nesta segunda-feira (6), o comandante-geral da PMMS garantiu que não há insegurança em Mato Grosso do Sul. “Se nós pegarmos do ano passado pra cá, tivemos ações semelhantes. Não tem insegurança em MS, e a PM está agindo de forma contundente”, pontuou.

Garnes também destacou que as forças de segurança de Mato Grosso do Sul são as que mais apreendem drogas no Brasil. De 920 toneladas apreendidas pela PM no país, 420 foram em solo sul-mato-grossense, evidenciando o interesse das facções por entorpecentes.

“Eles [faccionados] estão se fortalecendo na Bolívia e estão tentando entrar no nosso Estado, mas não vão conseguir”, reforçou o comandante-geral.

Entrevista coletiva com o coronel Renato dos Anjos Garnes nesta segunda-feira. (Foto: Pietra Dorneles, Jornal Midiamax)

‘PM já está com resposta à altura’

O Jornal Midiamax noticiou que uma guerra entre o PCC e CV teria causado a morte do policial na última terça-feira (30). Isso porque, antes da morte do militar, criminosos teriam ido até uma casa em para matar um integrante do CV.

Já o coronel Renato Garnes afirmou que tudo começou com uma briga entre traficantes por causa de drogas. “Os mortos em confronto nos últimos dias têm relação direta ou indireta com a morte do policial Marcelo. Tudo começou com uma briga entre traficantes por causa de droga, e um deles foi sentenciado à morte pelos rivais. Na investigação, o policial foi morto, mas a PM já está com resposta à altura”, explicou.

Na tarde de domingo (5), os bolivianos Luis David Justiano Flores, de 29 anos, e Alixberto Vasquez Corrales, o ‘Coiote’, de 32, morreram em confronto com policiais do Batalhão de Choque.

Em menos de 24 horas, já na madrugada desta segunda-feira (6), outro confronto aconteceu na cidade vizinha. Marlon de Souza Silva, de 42 anos, morreu após atirar em direção aos militares do Choque na BR-262, em Ladário. Foram apreendidos um revólver de calibre .38 e um fuzil.

Marlon é apontado como suspeito do golpe do seguro. “No decorrer dessa abordagem, outro cidadão foi morto. Ele é de Caxias e trazia veículos de golpes de seguro para Bolívia e levava droga para o e Espírito Santo”, revelou o comandante-geral da PMMS.

“A PM é muito respeitada em MS. Não é o Choque ou o Bope, mas um enfrentamento que sempre ocorre este ano: 69 confrontos que tiveram indivíduos mortos em decorrência da nossa ação”, acrescentou Garnes.

Morte de policial

Informações obtidas pelo Jornal Midiamax indicam que, antes da ação policial, os criminosos teriam ido até uma casa em um Fiat Argo, no município de Ladário, com o intuito de matar um integrante do CV (Comando Vermelho) conhecido como “Coelho”. Três homens efetuaram disparos, mas o alvo conseguiu escapar. O trio fugiu, e a polícia foi acionada para diligências.

Já em Corumbá, quando a equipe tentou abordar os atiradores na Rua Totico de Medeiro, o policial Marcelo foi atingido por um tiro de fuzil e os criminosos fugiram novamente. Logo, os militares tomaram conhecimento de que os suspeitos estariam tentando atravessar a fronteira para a Bolívia. Foi feito contato com a polícia boliviana, que localizou dois homens.

Ewerton assumiu a participação no assassinato do policial e passou a indicar os locais onde estaria escondida parte das armas. Informações obtidas pelo Jornal Midiamax apontam que ele e o comparsa integravam o PCC — Ewerton ficava com as funções de “disciplina” e “paiol”, enquanto Rubens exercia a função de “missionário”.

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(Revisão: Dáfini Lisboa)

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