O deputado Júnior Mochi (MDB) pediu, nesta semana, para que a SED (Secretaria de Estado de Educação) passe a identificar alunos autistas com símbolo de conscientização para o transtorno no uniforme.
Apesar da proposta objetivar o manejo humanizado em situações que exponham crianças e adolescentes autistas a constrangimento, especialista e mãe atípica avaliam o risco de estigmatização e ponderam as prioridades educacionais desse grupo.
Segundo a psicóloga Karolaine Deleprani, especialista em intervenção para autismo e deficiência intelectual, a medida possui potencial de rotulação.
“A proposta parte de uma intenção bacana, que é garantir que alunos autistas recebam apoio e compreensão dentro do ambiente escolar. No entanto, quando se cria um selo ou identificação visível no uniforme, o diagnóstico passa a ser exposto a toda a comunidade escolar. Embora isso possa facilitar o reconhecimento da condição, também pode reforçar rótulos, favorecer preconceitos e aumentar o risco de que o aluno seja visto primeiro pelo diagnóstico e não por suas características individuais”, explica a profissional.
Karolaine aponta que o principal desafio das escolas, geralmente, não é identificar quais alunos possuem TEA.
“Professores, coordenação, direção e equipe pedagógica normalmente já sabem quem são esses estudantes. O que muitas vezes falta não é a identificação do aluno, mas formação adequada para compreender suas necessidades, realizar adaptações quando necessário e manejar situações do cotidiano escolar de forma eficaz”, frisou.
Mãe de autistas reforça prioridades
A posição da especialista é corroborada pela douradense Jéssica Cariaga, mãe do João, de 6 anos, e da Cecília, de 8. Ela defende que a identificação dos alunos é importante em um cenário de prioridades atendidas.
“Nós temos escolas sem estruturas físicas, temos professores de apoio lidando, às vezes, com mais de duas, três crianças ao mesmo tempo — sejam autistas ou com outro tipo de deficiência —, e temos professores regentes que estão desesperados porque não têm suporte. Então, antes de pensar na possibilidade de identificação — porque aí alega-se que é para ajudar no manejo e tudo mais —, você precisa ter uma escola que saiba lidar com o aluno primeiramente”, afirmou.
Para a mãe atípica, a prioridade é que o Estado e os municípios garantam um ambiente educacional “onde seja realmente feita uma inclusão dentro da sala de aula e que dê toda a estrutura, tanto para a criança quanto para que os professores possam trabalhar com essas crianças”.
“Aí sim, depois que tudo isso tiver sido feito, nós podemos falar, sim, dessa proposta e trazer ela para agregar ainda mais a inclusão escolar em nosso estado”, complementa.
Deputado garante que medida depende de consentimento da família
Ao Jornal Midiamax, o deputado Júnior Mochi pontuou que a identificação só será realizada mediante autorização da família e que a proposta foi encaminhada como indicação para evitar vício de iniciativa.
“Quando há concordância com os pais, tem identificação. É uma forma de você respeitar, principalmente em relação às questões sonoras em que o aluno autista tem uma dificuldade grande. Então se você identifica, você sabe tratá-lo para que possamos contribuir para a qualidade de vida desses alunos”, afirmou o parlamentar.
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(Revisão: Nichole Munaro)









