A capacidade de produção de etanol de Mato Grosso do Sul ajudou a amortecer os efeitos da alta internacional dos combustíveis provocada pela crise no Oriente Médio, de acordo com o governador Eduardo Riedel (PP). A fala aconteceu durante o anúncio da licença de instalação para a nova planta de etanol de milho da Atvos, em Nova Alvorada do Sul.
Segundo Riedel, a produção nacional de biocombustíveis permitiu ao Brasil absorver parte dos impactos causados pelas oscilações do mercado internacional de petróleo. “O mercado segue sua dinâmica. Recentemente, acompanhamos os impactos da guerra envolvendo o Irã e as consequências para os preços dos combustíveis. No Brasil, esses efeitos foram minimizados pela nossa elevada capacidade de produção de etanol. Conseguimos absorver parte do impacto do petróleo e de seus derivados porque somos grandes produtores”, afirmou.
O governador destacou ainda que o etanol representa uma alternativa energética limpa e estratégica em momentos de instabilidade global. “É uma matriz limpa, renovável e que tem um efeito econômico muito importante nesses momentos de crise”, acrescentou.
A licença de instalação autoriza o início das obras da nova planta de etanol de milho, que será construída junto à usina Santa Luzia, onde a empresa já opera uma unidade voltada à produção de bioenergia a partir da cana-de-açúcar e amplia investimentos em biometano.
Investimento e expansão
Riedel afirmou que o projeto reforça a estratégia do Estado de atrair investimentos ligados à transição energética e à segurança alimentar. “É um investimento importante em uma nova planta de etanol de milho dentro de um complexo que já conta com uma planta de bioenergia de cana-de-açúcar. Soma-se a isso o biometano, que está sendo entregue ao longo deste ano”, disse.
O vice-presidente de Operações da Atvos, Wilson Lucena, informou que o investimento será de aproximadamente R$ 1 bilhão. “O Estado é o mais relevante para a companhia em termos de produção e acreditamos que esse tipo de investimento gera desenvolvimento para as comunidades e para o Estado”, afirmou.
Produção deve crescer 50%
De acordo com Lucena, a nova unidade ampliará em cerca de 50% a capacidade produtiva do complexo industrial. “Acreditamos que a produção local deve atender prioritariamente ao mercado local. Com uma produção local maior, há possibilidade de o etanol ter uma condição diferenciada na região”, explicou.
Ele ressaltou que a operação fortalecerá a produção integrada de bioenergia, reunindo etanol de milho, etanol de cana e biometano.
Com a licença emitida, a expectativa da empresa é de iniciar as obras ainda no segundo semestre deste ano. “É uma planta que leva entre 18 e 24 meses para entrar em operação”, afirmou Lucena.
Empregos e impacto na cidade
A construção deverá gerar cerca de 2 mil empregos diretos. Após a conclusão das obras, a unidade deverá manter aproximadamente 100 novos postos de trabalho diretos e qualificados.
Segundo o vice-presidente, a prioridade será para trabalhadores da região. “Temos desenvolvido um trabalho importante de qualificação e privilegiamos a mão de obra local.”
Riedel destacou que grandes empreendimentos costumam provocar crescimento populacional temporário durante a fase de construção, mas deixam um legado permanente de renda e empregos. “A dor do crescimento é esse período de construção. Depois permanecem os empregos fixos, diretos e indiretos de uma faixa de renda maior. Isso gera crescimento populacional de forma saudável”, avaliou.
Nova planta será instalada na usina Santa Luzia
A nova unidade de etanol de milho será implantada junto à atual usina Santa Luzia, em Nova Alvorada do Sul. “Eles estão ampliando a área industrial, já ampliaram para o biometano e agora estão adequando essa área para colocar esse novo investimento de etanol de milho”, explicou o governador.
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(Revisão: Nichole Munaro)








