“É um sonho de vida”, resumiu a professora Ana Cristina Paulino da Silva, de 44 anos, sobre ter sido contemplada com um dos 60 apartamentos no Condomínio Residencial Jardim Antártica, em Campo Grande. A entrega do empreendimento de R$ 9,6 milhões foi realizada na tarde desta sexta-feira (3).
Metade dos apartamentos do programa Minha Casa, Minha Vida foi destinada a mulheres chefes de família, algumas mães atípicas, vítimas de violência doméstica ou idosas. A professora é mãe de um menino de seis anos surdo e com TEA (transtorno do espectro autista).
Ela estava cadastrada na fila por uma moradia há 20 anos e atualmente morava em uma casa cedida. Ana Cristina é mãe solo e conta com o apoio da avó do filho para criá-lo em meio às dificuldades financeiras para manter as terapias e medicações.
“É um sonho de vida, eu morava de aluguel e, depois que meu filho nasceu, eu vi que as coisas foram apertando, que eu não tinha condições de pagar aluguel. E, por ser uma criança atípica e ter muita dificuldade, a minha irmã comprou uma casa e me cedeu a dela no fundo da casa da minha mãe, daí minha mãe que me ajuda a cuidar dele”, conta.

O condomínio contou com o apoio da Prefeitura de Campo Grande, que cedeu o terreno no valor de R$ 2,5 milhões; R$ 300 mil do Governo de Mato Grosso do Sul e R$ 6,8 milhões do Governo Federal pelo programa Minha Casa, Minha Vida, além do apoio da Caixa Econômica Federal.
O deputado federal Vander Loubet (PT) apontou que o Programa Minha Casa, Minha Vida é referência para outros países. “Só aqui no Estado são 32 mil habitações entre rural e urbano […] isso fortalece a economia, porque gera emprego, o dinheiro circula no município. Ontem nós estávamos entregando 134 [moradias] lá em Ivinhema“, descreveu.
Os moradores que recebem BPC (Benefício de Prestação Continuada) ficarão isentos das parcelas, exceto a taxa de condomínio. Os demais irão pagar prestações conforme a renda familiar, que começam no patamar de 10% do salário.
A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), comentou a importância da parceria entre os entes públicos para tirar o condomínio do papel.
“É sobre resultados e trabalhos, é sobre parcerias importantes e sobre pessoas que terão as suas vidas transformadas […] é um trabalho feito em parceria, sim. Governo Federal, Governo Estadual e Governo Municipal. E a gente tem que dar as mãos e entender que ninguém quer saber de onde vem o recurso; quem paga imposto precisa do resultado”, destacou.

Entre as contempladas, está a mãe atípica Graziele Fernanda de Souza, de 41 anos, mãe de três filhos, dois deles com deficiência. Graziele se mudou de Belo Horizonte (MG) para Campo Grande em 2015 com o então marido. Após a separação do casal, a família foi convidada pelo pastor a morar em uma casa cedida aos fundos de uma igreja na Vila Glória.
A família não irá pagar nada pelo apartamento por se encaixar nas regras, e ela comentou sobre a felicidade ao ver que seria isenta do pagamento.
“Quando a gente é mãe atípica, você não trabalha, você não tem renda, você só tem a renda do benefício. Então, não dá pra pagar. É porque tem terapias, tem muita coisa; então, quando veio, quando eu abri lá e vi que estava ‘isento’, que é parcela única, jamais conseguiria pagar”, relembra.
A cozinheira Amanda Caxias, de 38 anos, estava há 17 anos na fila por uma casa. Ela tem uma filha de 15 anos com TEA e pagava cerca de R$ 900 no aluguel. A mãe solo narra a rotina corrida e o desafio de obter a casa própria.
“Além de ter que trabalhar para poder organizar tudo isso, ainda tem que levar na terapia, levar em escola, porque ela não faz nada disso sozinha, sempre tem que ter alguém junto. É bem puxado, mas é uma vitória muito grande. Jesus é muito lindo de ter nos ajudado”, comemora.
Apartamentos

Os imóveis no bairro Jardim Leblon, na Região Urbana da Lagoa, contam com dois quartos, sala, cozinha, banheiro e área de serviço.
Além disso, há áreas de convivência, playground, quadra de areia, biblioteca, sistema de energia solar fotovoltaica e cisterna para o reaproveitamento da água da chuva.
O diretor-presidente da Emha (Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários), Cláudio Marques Costa Júnior, explicou que o condomínio veio mais equipado do que outros empreendimentos.
“São 60 famílias. Entre essas famílias, 70% delas são mulheres chefes de família, têm 50% mulheres vítimas de violência, idosas, e é um empreendimento que está sendo entregue com muito diferencial, ele tem placa solar para as unidades habitacionais e não é para as áreas comuns, tem chuveiro, já vem com interfone. Ele foi pensado com a quadra de areia, com um parquinho já equipado, então, ele já veio diferente de tudo que já foi entregue”, detalhou.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)








