O deputado federal e pré-candidato ao Senado em 2026, Vander Loubet (PT), criticou a nova sobretaxa anunciada pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Para ele, a medida é uma desculpa protecionista e resultado de articulação política de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro com o governo norte-americano.
“Essas novas tarifas unilaterais aplicadas pelos Estados Unidos são patéticas. Acusam o Brasil e mais 58 países, além da União Europeia, de questões relacionadas ao trabalho forçado, apenas como uma desculpa para manter em prática sua política comercial protecionista. Até porque é sabido mundialmente o quanto o nosso país tem se empenhado nas últimas décadas em combater e condenar todas as formas de trabalho forçado. Inclusive, o Brasil é signatário das convenções da OIT sobre esse tipo de questão”, afirmou.
Loubet também associou a decisão a membros da família Bolsonaro. “Essa decisão do governo Trump nada mais é do que mais um capítulo vergonhoso da política antipatriota que Eduardo Bolsonaro, Flávio Bolsonaro e companhia têm feito junto aos Estados Unidos. Fazem isso achando que vão prejudicar o Lula ou o PT, mas são incapazes de perceber que na verdade estão prejudicando o comércio exterior brasileiro, as empresas brasileiras e os empregos brasileiros. Porém, é importante que a população saiba que o Governo Federal e nossa diplomacia vão seguir trabalhando para defender os interesses nacionais”, disse o deputado.
Nova tarifa de 12,5% se soma aos 25%
Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (23) uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros. O argumento é de falha no combate ao trabalho forçado. A medida atinge 60 países e passa a valer nesta sexta-feira (24). No caso do Brasil, os 12,5% se somam aos 25% que já entraram em vigor na quarta-feira (22). Ao todo, a carga pode chegar a 37,5% para os itens listados.
A investigação foi aberta em julho de 2024 pelo USTR, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O órgão concluiu que o Brasil e outros países não fiscalizam adequadamente a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
No Brasil, os cinco produtos citados foram: eletrônicos, baterias de lítio, tabaco, alumínio e algodão. Dos 60 países investigados, 54 receberam a tarifa de 12,5%. Canadá, Equador, União Europeia, Indonésia, México e Paquistão ficaram com alíquota de 10%.
Tarifa de 25% já estava em vigor
A sobretaxa de 25% começou a valer em 22 de julho. O USTR justificou com “práticas desleais” do governo brasileiro, como decisões da Justiça contra a remoção de conteúdos em redes sociais dos EUA, expansão do Pix, além de falhas apontadas no combate ao desmatamento, ao crime organizado, ao trabalho forçado e à corrupção.
Entidades projetam impactos bilionários. A Amcham Brasil estima prejuízo de até US$ 11 bilhões, afetando cerca de 3 mil produtos. O MDIC calcula perdas de US$ 7,4 bilhões com base nas importações de 2024.
Os EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil. Em 2025, o Brasil exportou US$ 37,7 bilhões aos norte-americanos. Para a China, líder do ranking, foram US$ 99,9 bilhões.
Produtos isentos
O USTR manteve uma lista de isenções para matérias-primas consideradas essenciais à economia estadunidense. Publicada em 16 de julho, ela inclui mel orgânico, hidróxido de alumínio, sucata de ferro e aço, produtos do mar, couros, alguns itens de madeira, medicamentos e insumos farmacêuticos. Carne bovina, café e laranja já estavam na lista e seguem sem taxação.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)






