A defesa de Ed Carlo Brito Burgat, ex-chefe da regulação estadual de saúde, tenta recurso na Justiça para tirar da prisão o acusado de operar esquema que desviou R$ 27 milhões da saúde e da educação, revelado pela Operação Gutenberg, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).
Conforme as alegações da advogada Fábia Nakazato, não há contemporaneidade em manter a prisão do servidor público, já que “os fatos investigados teriam ocorrido entre 2022 e setembro de 2024. A prisão preventiva, todavia, somente foi decretada em julho de 2026, isto é, aproximadamente quase dois anos após o último marco fático indicado”.
Na semana passada, a Justiça havia negado pedido de liberdade de Ed Carlo.
A juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna, do Núcleo de Garantias, negou a revogação da prisão, alegando pela ordem pública e pela garantia da aplicação da lei — ou seja, para o acusado não voltar a praticar os delitos, não coagir testemunhas e não haver o risco de fuga.
As investigações apontam que Ed Carlo utilizava o cargo para pressionar prefeituras a comprar livros da Editora Avante (CNPJ 44.284.055/0001-46), controlada pela família Jafar.
Em uma das conversas com outro investigado, Ed Carlo revelou que poderia ‘trancar tudo’ em relação à liberação de exames e vagas na saúde para prefeituras que não estavam cedendo ao grupo.
Ed Carlo ameaçava trancar processos de saúde de municípios
Em uma das conversas, os investigadores flagraram Ed Carlo e o advogado Gabriel Taquino — também alvo da operação — dizendo que estavam com dificuldade para fechar contrato em Nova Alvorada do Sul.
Por conta da situação, o então chefe da regulação diz que “vai trancar” o fluxo do município no setor e “ligar para o prefeito”. “Se não for pela gente, ninguém ganha”, completa.
Taquino explica a situação para Ed Carlo, que diz: “Eu tranco tudo aqui e não ajudo eles em nada. Saúde zero”. Para a investigação, a troca de mensagens demonstra a troca de favores para manter o esquema operando.
Para isso, recebia quantias vultuosas da Avante — transferências que eram função de Rhayane Souza Fanaia (nome registrado na editora, mas que era uma peoa no esquema do Clã Jafar).

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Denunciado pelo Gaeco
Ed Carlo e outros 16 investigados foram denunciados pelo Gaeco, que também cobrou ressarcimento de R$ 27 milhões dos acusados.
A investigação apontou que a Editora Avante (CNPJ 44.284.055/0001-46) firmou contrato de R$ 1 milhão com a Prefeitura de Miranda, mesmo sendo recém-criada e com capital social de R$ 40 mil, além de estar sediada em São Bernardo do Campo, região metropolitana de São Paulo.
Depois, o Gaeco conseguiu a quebra do sigilo fiscal e telemático e chegou a ao menos 17 prefeituras que firmaram contratos suspeitos com a editora. Tudo seria mediante ‘pressão’, já que o grupo se utilizava da estrutura da regulação estadual de saúde para usar a liberação de procedimentos como ‘moeda de troca’ para que prefeitos comprassem livros da editora Avante, que seria controlada pela família Jafar.
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(Revisão: Nichole Munaro)








