O Grupo HP Mobilidade afirmou que prepara uma reestruturação para o transporte coletivo de Campo Grande, após 14 anos de sucateamento do serviço pelo Consórcio Guaicurus — comprado pela holding nesta semana.
A venda do conglomerado de empresas que impera em Campo Grande desde 2012 ainda depende do aval da prefeita Adriane Lopes (PP), mas, em nota, a HP diz que já prepara um documento para enviar ao Executivo Municipal com os planos para a Capital.
“O Grupo HP prepara o detalhamento do plano de trabalho a ser apresentado ao Poder Concedente, contendo as propostas de reestruturação e de melhoria dos serviços do Sistema de Transporte Público de Campo Grande, a serem implementadas quando da assunção definitiva do contrato de concessão”, diz o texto.

Após o anúncio da venda, na terça-feira (21), Adriane disse que só aceitará a proposta da HP se tiver ônibus novos e com ar-condicionado — itens pedidos há anos pela população e que não foram atendidos totalmente pelo Consórcio Guaicurus.
Além disso, o Grupo HP, administrado pela holding HP Investimentos e Participações S.A., afirma que acompanha a intervenção no conglomerado, que deve durar até o fim do ano.
Cabe ressaltar que a nova empresa pertence ao grupo HP Mobilidade, que já opera o transporte coletivo em Goiânia e em áreas de Brasília. No entanto, foi criada uma empresa de propósito específico, chamada Maas Administração e Participações Ltda.
Serviço sucateado e caos no transporte por quase 14 anos
A venda do Consórcio Guaicurus encerra os quase 14 anos de operação do conglomerado, que ficou marcado por sucatear os ônibus de Campo Grande e entregar um serviço precário, alvo de dezenas de reclamações diárias por parte dos passageiros.
Desde o ano passado, com a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Câmara dos Vereadores, a situação dos empresários começou a afunilar. A conclusão dos trabalhos e a exposição da situação precária do transporte coletivo — então documentada, mas vista diariamente pela população de Campo Grande há anos — aumentaram a pressão para o lado do Consórcio Guaicurus.
O relatório da CPI mostrou que o conglomerado formado em 2012 para monopolizar o serviço do transporte coletivo da Capital descumpria reiteradamente o contrato de concessão, deixando de renovar a frota e de fazer manutenção, com atrasos constantes, por exemplo. Tudo isso enquanto recebia quantias vultosas para realizar os serviços, além de benefícios fiscais.

Os empresários do Consórcio Guaicurus jogam a culpa no município e insistem na tese de desequilíbrio econômico do contrato para justificar a precariedade do serviço. No entanto, não houve decisão judicial confirmando a tese. Uma perícia homologada pela Justiça, inclusive, revelou que o Consórcio teve lucro de R$ 68 milhões até 2019 e aumento patrimonial.
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(Revisão: Nichole Munaro)











