Em meio às investigações que apuram esquemas de fraudes contratuais e desvios milionários de recursos públicos na Santa Casa Saúde, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) detalhou que o grupo formado por ex-dirigentes do hospital e um empresário tentou manobra para ‘corrigir’ falha em contrato após o avanço das investigações da Operação Antidotum.
De acordo com parecer assinado pelo procurador de Justiça Rodrigo Jacobina Stephanini, os dados obtidos com a quebra do sigilo telemático revelaram que, diante do avanço das fiscalizações do Conselho Fiscal e do Ministério Público, os envolvidos montaram uma operação para ‘maquiar’ papéis e tentar justificar a disparidade entre os valores pagos e o volume real de serviços executados pela empresa Redvalue Tecnologia.
Deflagrada em 11 de setembro, a Operação Antidotum prendeu a ex-presidente da Santa Casa, Alir Terra Lima, os ex-diretores Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa (diretor-adjunto de finanças do hospital), Rinaldo Hakme Romano (ex-diretor financeiro) e Alessandro Dias Junqueira (ex-diretor administrativo), além de Monique Gregório de Oliveira (coordenadora do Serviço de Arquivamento Médico e Estatística) e do empresário Maurício Aparecido Benites, da RedValue.
Aditivo aumentou custo do serviço
O contrato original, firmado em outubro de 2024 para a digitalização do acervo documental da instituição hospitalar, previa o pagamento mensal de R$ 150 mil mediante a meta de entrega de 3 milhões de páginas digitalizadas por mês.
Contudo, vistorias e relatórios internos da própria Santa Casa constataram que a produção efetiva estava substancialmente abaixo do contratado.

Até fevereiro de 2026, por exemplo, a apuração registrou a digitalização de apenas 3,8 milhões de páginas no total — montante que corresponderia a pouco mais de um mês de trabalho pelas regras contratuais, embora cinco notas fiscais de R$ 150 mil (somando R$ 750 mil) já tivessem sido liquidadas até maio de 2025.
Para contornar o calote técnico e a cobrança dos órgãos de controle, a estrutura investigada desenhou um termo aditivo. O documento alterava a meta mensal de 3 milhões para cerca de 1 milhão de páginas, mantendo, contudo, o teto de R$ 150 mil.
Segundo análise da Coordenação de Custos do hospital mencionada pelo MPMS, a alteração implicaria um aumento de 200% no custo unitário por página e uma redução de 66% na capacidade de entrega da contratada, sem apresentar nenhuma vantagem técnica ou econômica para a Santa Casa.
Desespero por lastro
Diálogos interceptados de abril de 2026 mostram o desespero dos investigados ao perceberem que o aditivo não constava nem no sistema interno, nem no Portal da Transparência. Em mensagens trocadas no período, Maurício Aparecido Benites, apontado pelo MP como comandante do núcleo empresarial externo, cobrou a secretaria da presidência da Santa Casa para “resolver” a situação do documento.
Após reuniões com fiscais do contrato, Maurício solicitou à contabilidade a emissão de “cartas de correção” para notas fiscais que já haviam sido pagas meses antes, cogitou refazer o aditivo com base em ofícios antigos e determinou a elaboração posterior de relatórios de execução com parâmetros retroativos, na tentativa de criar um lastro documental para o dinheiro já desembolsado.
Sabe de algo que o público precisa saber? Fala pro Midiamax!
Se você está por dentro de alguma informação que acha importante o público saber, fale com jornalistas do Jornal Midiamax!
E pode ficar tranquilo, porque nós garantimos total sigilo da fonte, conforme a Constituição Brasileira.
Fala Povo: O leitor pode falar direto no WhatsApp do Jornal Midiamax pelo número (67) 99207-4330. O canal de comunicação serve para os leitores falarem com os jornalistas. Se preferir, você também pode falar com o Jornal direto no Messenger do Facebook.
(Revisão: Nichole Munaro)





