Pular para o conteúdo
Transparência

Intervenção investiga fraudes, desvio de R$ 32 milhões e ‘caixa 2’ no Consórcio Guaicurus

Município informou à Justiça que está apurando diversas irregularidades dos empresários do ônibus
Gabriel Maymone -
‘Não terá demissão’, diz Adriane sobre funcionários do Consórcio Guaicurus após intervenção
Prefeitura decretou a intervenção no Consórcio Guaicurus. (Léo de França, Jornal Midiamax)

As investigações sobre irregularidades praticadas pelo Consórcio Guaicurus — que ajudaram a provocar o caos no transporte público de — englobam três frentes de apuração: possível fraude fiscal com a venda da principal garagem, possível desvio de R$ 32 milhões e omissões contábeis mantidas desde 2012.

No processo de intervenção que tramita na Justiça, o autor da ação popular, Luso Gabriel de Souza Queiroz Batista, acusa os donos do Consórcio Guaicurus de manobras para desviar mais de R$ 46 milhões através de transferências atípicas e ilegais feitas do caixa da concessionária para empresas particulares da família Constantino.

Um documento protocolado pela PGM (Procuradoria-Geral do Município) no processo de intervenção que tramita na Justiça Estadual traz dados do relatório da Comissão Especial de Intervenção sobre as três apurações.

Um dos pontos centrais destacados no relatório da comissão é a omissão contábil de receitas e fluxos de caixa, uma prática sob suspeita de ter ocorrido continuamente desde o ano de 2012. Os auditores investigam se dados financeiros do sistema foram ocultados ou não declarados adequadamente durante a execução do contrato de concessão.

Relatório da Prefeitura confirma que fraudes, desvios milionários e caixa 2 no Consórcio são apurados pela intervenção. (Reprodução)

A comissão de intervenção também analisa a venda da sede do Consórcio, usada como principal garagem de ônibus, na Avenida Gury Marques. O negócio foi feito em 2021 e há suspeita de fraude fiscal, já que o imóvel é listado nos registros contábeis por R$ 14,4 milhões, mas a escritura traz o valor de R$ 7,7 milhões, sendo que os empresários do ônibus confirmam ter recebido R$ 9,9 milhões pela venda.

Trecho de parecer da Procuradoria do Município confirma a apuração e adianta que o negócio feito pelos donos do Consórcio aparenta ser fraude fiscal. (Reprodução)

O relatório também diz que a comissão está apurando possível desvio de R$ 32 milhões, entre os anos de 2019 e 2021, para a empresa Viação Cidade dos Ipês, sem justificativa, já que a empresa não faz parte do Consórcio e foi criada pelos empresários para administrar a garagem da Viação São Francisco, que foi vendida. Já a Cidade dos Ipês foi extinta e não há registros sobre o reinvestimento desse valor no sistema de transporte.

À Justiça, a Prefeitura afirmou que os processos administrativos estão tramitando e somente irá emitir conclusão sobre os temas após a conclusão do procedimento, que segue respeitando as garantias de ampla defesa e do contraditório.

Em nota enviada à reportagem, o Consórcio Guaicurus se manifestou sobre as alegações feitas pela prefeitura no processo, confira:

O Consórcio Guaicurus reitera a regularidade da operação, conforme diversas manifestações sobre o tema. Ressalta ainda que o processo segue em análise na Justiça e, exatamente por essa razão, não há elementos para condenações antes do completo esgotamento do processo legal.

A própria petição da Procuradoria-Geral do Município destaca que, em nome do Princípio da Legalidade, não há como “suscitar fraude ou ilegalidade na venda [dos imóveis] sem ANTES do devido processo legal administrativo”. O destaque em letras maiúsculas para o advérbio é do próprio documento da Procuradoria.

O Consórcio segue à disposição para todos os esclarecimentos e acredita na regularidade de todas as ações na gestão do Sistema Integrado de Transporte Público de Campo Grande.

Donos do Consórcio podem responder por ‘sumir’ com milhões do transporte coletivo

constantino cpi
Paulo Constantino é sócio-administrador do Consórcio Guaicurus. (Arquivo, Jornal Midiamax)

Nas disputas judiciais envolvendo o Consórcio Guaicurus, o município acusou os donos das empresas de ônibus de não reinvestirem os R$ 9,9 milhões que receberam da venda da garagem na melhoria do transporte público.

A principal acusação da Agereg (Agência Municipal de Regulação), que agora integra o processo de intervenção na concessão, é a omissão sobre o destino dos recursos, que foram retirados do sistema de transporte público.

A agência reguladora questiona por que esse montante não foi aportado na renovação da frota ou na manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do sistema, que frequentemente alega déficit.

Documentos do Processo Fiscalizatório nº 43435/2026-96 sugerem que a venda resultou em uma “descapitalização patrimonial” da empresa líder do consórcio, sem que houvesse contrapartida clara na execução dos serviços de transporte.

Empresa foi extinta após receber R$ 32 milhões da concessionária

Viação Cidade dos Ipês funcionava na antiga garagem da São Francisco. (Arquivo, Jornal Midiamax)

Consta nos autos que a Viação Cidade dos Ipês, que não faz parte da concessão que opera o transporte público, teria recebido indevidamente e sem justificativa o montante de R$ 32 milhões do Consórcio Guaicurus.

O caso foi levantado pela CPI do Consórcio Guaicurus, realizada pela Câmara de Campo Grande no ano passado. Na ocasião, o diretor de fiscalização da Agereg, José Corsine da Silva, afirmou ter identificado a movimentação financeira, que classificou como ‘atípica’.

Confira abaixo nota emitida pelo Consórcio Guaicurus sobre o repasse dos R$ 32 milhões à Cidade dos Ipês:

O Consórcio Guaicurus repudia a tentativa de apresentar como “manobra” operações societárias legítimas e públicas, registradas há anos na Junta Comercial de Mato Grosso do Sul e acessíveis a qualquer cidadão. A cessão de participação de 2016, a criação da Viação Cidade dos Ipês por cisão parcial da Viação São Francisco e a cisão total de 2023 constam de instrumentos formais e de registros públicos. Quem descreve essas operações como ocultas ou clandestinas simplesmente não consultou os documentos — ou preferiu ignorá-los.

A alegação de que a empresa foi extinta como um “casco vazio” ignora o que diz a lei: em toda cisão total, a integralidade do patrimônio — ativos e passivos — é transferida às sociedades sucessoras, que respondem por todas as obrigações da empresa extinta. O patrimônio líquido residual próximo de zero não é indício de esvaziamento, mas a consequência aritmética e obrigatória do instituto. Não existe dinheiro “escoado” para fora do alcance da Justiça pela simples razão de que as sucessoras — Viação Cidade Morena e Viação Campo Grande — respondem de pleno direito por tudo o que pertencia à empresa cindida. A providência que o autor popular pede à Justiça é inútil, já que ele solicita a aplicação de um regime legal já é aplicado há três anos.

Quanto aos valores repassados à Viação Cidade dos Ipês, sua origem, seu registro e sua destinação, tudo consta da escrituração contábil — que, desde o início da intervenção, está sob posse integral da equipe interventora nomeada pelo Município. Não há, portanto, documento algum fora do alcance das autoridades.

O contrato firmado entre o Consórcio e a Prefeitura de Campo Grande exige a disponibilização de garagens com características detalhadas no instrumento, mas não há obrigação de que elas sejam bens próprios da concessionária __ podem ser alugadas ou emprestadas, por exemplo, desde que atendam aos requisitos operacionais do contrato. As garagens não são bens reversíveis, de modo que a concessionária tem plena liberdade de administrar esse patrimônio. Na prática, a concentração da operação em duas garagens, como ocorre hoje, foi necessária para a manutenção dos serviços.
O Consórcio Guaicurus responderá a todas as questões na Justiça, com documentos — não com versões.

Sabe de algo que o público precisa saber? Fala pro Midiamax!

Se você está por dentro de alguma informação que acha importante o público saber, fale com jornalistas do Jornal Midiamax!

E pode ficar tranquilo, porque nós garantimos total sigilo da fonte, conforme a Constituição Brasileira.

Fala Povo: O leitor pode falar direto no WhatsApp do Jornal Midiamax pelo número (67) 99207-4330. O canal de comunicação serve para os leitores falarem com os jornalistas. Se preferir, você também pode falar com o Jornal direto no Messenger do Facebook.

(Revisão: Nichole Munaro)

Compartilhe

Notícias mais buscadas agora

Saiba mais
Morre aos 89 anos o rei Harald V da Noruega após 35 anos de reinado; filho Haakon VIII assume o trono

Morre aos 89 anos o rei Harald V da Noruega após 35 anos de reinado; filho Haakon VIII assume o trono

seu jorge

Seu Jorge faz show com entrada gratuita neste sábado em MS

Anitta pode ser a próxima rainha de bateria da Grande Rio, segundo jornal

Anitta pode ser a próxima rainha de bateria da Grande Rio, segundo jornal

Trump acusa Brasil de usar trabalho forçado e anuncia novo tarifaço de 12,5%

Trump: EUA firmaram com Venezuela maior acordo de petróleo mundial

Notícias mais lidas agora

Operação Antivírus: Justiça vai analisar em conjunto ações por rombo de R$ 19 milhões no TCE-MS

Operação Antivírus: Justiça vai analisar em conjunto ações por rombo de R$ 19 milhões no TCE-MS

Luiz Lemes propõe anistia a políticos com inelegibilidade, desde que não disputem mais eleições

Contar quer mais transparência às emendas e gabinete em MS para atender prefeitos

Razuk teria usado licença da Paraíba para tentar ‘esquentar’ sorteios ilegais pelo Brasil

Mais de 100 sorteios e carros de R$ 1 milhão: influenciador Razuk é indiciado por rifas ilegais

Horas após ser solto, jovem de 20 anos é morto a tiros dentro do Parque Ecológico em Maracaju

Horas após ser solto, jovem de 20 anos é morto a tiros dentro do Parque Ecológico em Maracaju

Últimas Notícias

Brasil

Coronel do Exército morre após linha de pipa causar queda de parapente no Rio de Janeiro

A vítima foi resgatada com vida e levada ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos

MidiaMAIS

Com desistência de relações reais, ‘namoros’ com o ChatGPT podem mudar a legislação

Casos de vínculos afetivos com IA já mobilizam legisladores pelo mundo

MidiaMAIS

Santo que fez milagre em Campo Grande ganha estátua enorme em praça

Obra seria a maior estátua dele no mundo; confira os detalhes

Le Blog Maria Antonia

Fifa pune Argentina após confusão na Copa : multa milionária e 21 jogos de suspensão

A Argentina levou um verdadeiro “cartão vermelho” da FIFA após a Copa do Mundo de 2026. A Associação de Futebol Argentina (AFA) foi multada em US$ 321 mil por uma série de episódios registrados durante o Mundial, além de sofrer punições que terão reflexos nos próximos compromissos da seleção. Entre as infrações apontadas estão cantos … Continued