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Polícia

Mais de 100 sorteios e carros de R$ 1 milhão: Influenciador Razuk é indiciado por rifas ilegais

Influenciador campo-grandense realizou mais de cem rifas ilegais nos últimos anos, concluiu investigação
Gabriel Maymone, Thatiana Melo -
Razuk teria usado licença da Paraíba para tentar ‘esquentar’ sorteios ilegais pelo Brasil
Carros de luxo de Eduardo Razuk foram apreendidos durante a Operação Rodas da Sorte. (Montagem: Pietra Dorneles, Jornal Midiamax / Arquivo pessoal)

Com milhões de seguidores nas redes sociais, Eduardo da Silva Rezende Razuk – que está preso – é um dos oito indiciados pela Polícia Civil por realizar mais de 100 sorteios por meio de rifas ilegais de carros de luxo e Pix. Tudo foi apurado na Operação Rodas da Sorte.

A investigação aponta que a rede movimentou cerca de R$ 100 milhões em seis meses. Razuk teve as contas em suas redes sociais bloqueadas pela Justiça.

Conforme o inquérito policial, os investigados vão responder por contravenção penal de loteria não autorizada, além dos crimes de lavagem de dinheiro, associação criminosa e publicidade enganosa. O TJMS irá julgar na próxima semana um pedido de liberdade feito pela defesa de Razuk.

A investigação apurou que os sorteios ilegais começaram em 2019 e tinham como prêmios, em via de regra, carros de luxo avaliados entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão, além de smartphones de última geração e Pix. A Polícia afirma que as rifas realizadas entre 2019 e 2025 foram feitas sem autorização de órgãos federais ou reguladores competentes.

Grupo tentou blindar esquema

Razuk foi preso no dia 18 de agosto (Foto: Pietra Dorneles, Midiamax)

Apesar das investigações terem começado em 2019, foi em 2025 que esse tipo de esquema ganhou repercussão nacional com operações policiais. Então, o grupo alterou o modus operandi para tentar ‘esquentar’ os sorteios ilegais.

O Jornal Midiamax já havia revelado que Razuk se utilizava da empresa FM Agenciamento Publicitário & Intermediação de Negócios Ltda. (CNPJ 30.999.856/0001-83), da Paraíba, que detinha uma autorização estadual, da Lotep, para promover sorteios no Estado da Paraíba.

Então, Razuk colocou essa empresa como a organizadora das rifas, ou seja, era quem recebia o valor dos bilhetes pagos pelos compradores.

No entanto, a Polícia Civil concluiu que a estrutura não passava de uma engrenagem para maquiar as irregularidades. A empresa paraibana atuava como empresa de fachada, emprestando uma “roupagem de licitude” para que influenciadores de diversos estados continuassem promovendo rifas ilegais.

Isso porque, na prática, a polícia concluiu que era o próprio influenciador quem organizava os sorteios e era o beneficiário dos valores arrecadados.

Logo, o inquérito concluiu que o esquema com a empresa da Paraíba tinha como objetivo burlar a legislação para lavar dinheiro ilegal vindo das rifas, despistar investigações policiais e enganar os seguidores com a promessa de que as rifas eram ‘legalizadas’.

A engrenagem do esquema era intermediada por um empresário do , cuja empresa vendia publicamente “soluções para sorteios”. Em seu próprio site, a empresa exibia como clientes alvos de recentes operações da Polícia Federal investigados por lavar dinheiro do tráfico de drogas e de facções criminosas por meio de rifas na internet.

Documentação levantada pela investigação junto à Lotep obteve documentos que mostravam adulteração dos sorteios.

Carros de luxo e R$ 500 milhões bloqueados

A Operação Rodas da Sorte resultou no cumprimento de mandados de prisão e busca em , Rio de Janeiro e João Pessoa, além da apreensão de 22 veículos de luxo avaliados em R$ 20 milhões. Além disso, houve a indisponibilidade de 5 imóveis e de aproximadamente R$ 500 milhões em contas bancárias dos investigados.

A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro, associação criminosa e exploração ilegal de loterias. Eduardo foi preso junto do irmão, Rafael Razuk.

A reportagem procurou a defesa de Eduardo Razuk, representada pelo advogado Tiago Bunning, que informou ainda não ter tido acesso ao relatório do inquérito policial.

Anteriormente, o advogado de Razuk enviou a seguinte nota: “Os sorteios seguiam todas as normas legais, senão sequer seriam autorizados pela LOTEP que é uma Loteria Oficial do Estado da Paraíba. Se o termo “rifa” foi utilizado de forma equivocada em alguma divulgação feita por Eduardo, isso não muda a natureza do sorteio que segue todas as normas que o regulamentam. Na verdade até a palavra sorteio não é o que define o ato, sorteio é um gênero, do qual existem diversas modalidades, no caso a natureza jurídica do sorteio divulgado por Eduardo era uma “loteria passiva”, e toda a norma a este respeito era rigorosamente observada. As relações jurídicas de Eduardo com as empresas investigadas também seguiam todas as normas legais e os contratos formados entre as partes. Isso será comprovado no processo”.

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