Com milhões de seguidores nas redes sociais, Eduardo da Silva Rezende Razuk – que está preso – é um dos oito indiciados pela Polícia Civil por realizar mais de 100 sorteios por meio de rifas ilegais de carros de luxo e Pix. Tudo foi apurado na Operação Rodas da Sorte.
A investigação aponta que a rede movimentou cerca de R$ 100 milhões em seis meses. Razuk teve as contas em suas redes sociais bloqueadas pela Justiça.
Conforme o inquérito policial, os investigados vão responder por contravenção penal de loteria não autorizada, além dos crimes de lavagem de dinheiro, associação criminosa e publicidade enganosa. O TJMS irá julgar na próxima semana um pedido de liberdade feito pela defesa de Razuk.
A investigação apurou que os sorteios ilegais começaram em 2019 e tinham como prêmios, em via de regra, carros de luxo avaliados entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão, além de smartphones de última geração e Pix. A Polícia afirma que as rifas realizadas entre 2019 e 2025 foram feitas sem autorização de órgãos federais ou reguladores competentes.
Grupo tentou blindar esquema

Apesar das investigações terem começado em 2019, foi em 2025 que esse tipo de esquema ganhou repercussão nacional com operações policiais. Então, o grupo alterou o modus operandi para tentar ‘esquentar’ os sorteios ilegais.
O Jornal Midiamax já havia revelado que Razuk se utilizava da empresa FM Agenciamento Publicitário & Intermediação de Negócios Ltda. (CNPJ 30.999.856/0001-83), da Paraíba, que detinha uma autorização estadual, da Lotep, para promover sorteios no Estado da Paraíba.
Então, Razuk colocou essa empresa como a organizadora das rifas, ou seja, era quem recebia o valor dos bilhetes pagos pelos compradores.
No entanto, a Polícia Civil concluiu que a estrutura não passava de uma engrenagem para maquiar as irregularidades. A empresa paraibana atuava como empresa de fachada, emprestando uma “roupagem de licitude” para que influenciadores de diversos estados continuassem promovendo rifas ilegais.
Isso porque, na prática, a polícia concluiu que era o próprio influenciador quem organizava os sorteios e era o beneficiário dos valores arrecadados.
Logo, o inquérito concluiu que o esquema com a empresa da Paraíba tinha como objetivo burlar a legislação para lavar dinheiro ilegal vindo das rifas, despistar investigações policiais e enganar os seguidores com a promessa de que as rifas eram ‘legalizadas’.
A engrenagem do esquema era intermediada por um empresário do Rio de Janeiro, cuja empresa vendia publicamente “soluções para sorteios”. Em seu próprio site, a empresa exibia como clientes alvos de recentes operações da Polícia Federal investigados por lavar dinheiro do tráfico de drogas e de facções criminosas por meio de rifas na internet.
Documentação levantada pela investigação junto à Lotep obteve documentos que mostravam adulteração dos sorteios.
Carros de luxo e R$ 500 milhões bloqueados
A Operação Rodas da Sorte resultou no cumprimento de mandados de prisão e busca em Campo Grande, Rio de Janeiro e João Pessoa, além da apreensão de 22 veículos de luxo avaliados em R$ 20 milhões. Além disso, houve a indisponibilidade de 5 imóveis e de aproximadamente R$ 500 milhões em contas bancárias dos investigados.
A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro, associação criminosa e exploração ilegal de loterias. Eduardo foi preso junto do irmão, Rafael Razuk.
A reportagem procurou a defesa de Eduardo Razuk, representada pelo advogado Tiago Bunning, que informou ainda não ter tido acesso ao relatório do inquérito policial.
Anteriormente, o advogado de Razuk enviou a seguinte nota: “Os sorteios seguiam todas as normas legais, senão sequer seriam autorizados pela LOTEP que é uma Loteria Oficial do Estado da Paraíba. Se o termo “rifa” foi utilizado de forma equivocada em alguma divulgação feita por Eduardo, isso não muda a natureza do sorteio que segue todas as normas que o regulamentam. Na verdade até a palavra sorteio não é o que define o ato, sorteio é um gênero, do qual existem diversas modalidades, no caso a natureza jurídica do sorteio divulgado por Eduardo era uma “loteria passiva”, e toda a norma a este respeito era rigorosamente observada. As relações jurídicas de Eduardo com as empresas investigadas também seguiam todas as normas legais e os contratos formados entre as partes. Isso será comprovado no processo”.
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