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Justiça bloqueia R$ 46 milhões dos donos do Consórcio Guaicurus após intervenção

Valor ficará à disposição da equipe de intervenção que assumiu a gestão do transporte coletivo de Campo Grande
Gabriel Maymone -
Prefeitura decretou a intervenção no Consórcio Guaicurus. (Léo de França, Jornal Midiamax)

Após a prefeita Adriane Lopes (PP) decretar intervenção no Consórcio Guaicurus e nomear uma equipe interventora para assumir a gestão do transporte público de , a Justiça determinou o bloqueio de R$ 46 milhões das empresas de ônibus.

A decisão do juiz Eduardo Lacerda Trevisan determina que os valores bloqueados “ficarão, desde logo, à disposição da equipe interventora a ser nomeada pela Prefeita Municipal, e deverão ser exclusivamente aplicados na manutenção adequada dos serviços públicos de transporte coletivo a toda sociedade“.

Conforme o magistrado, os diretores do Consórcio Guaicurus — afastados na intervenção — ficam advertidos de que qualquer movimentação financeira após a decisão acarretará multa coletiva e será encarada como desobediência judicial, com responsabilidade criminal.

O pedido foi feito pela Prefeitura horas após publicar o decreto de intervenção no Diário Oficial. “Após a publicação do Decreto de intervenção, existe a real possibilidade do Consórcio Guaicurus, composto pelas empresas Viação Cidade Morena Ltda, Viação São Francisco Ltda, Jaguar Transportes Urbanos Ltda e Viação Campo Grande Ltda, dificultar o acesso dos interventores às contas financeiras do consórcio, podendo inclusive OCULTAR valores financeiros disponíveis em suas contas bancárias, disse a Procuradoria-Geral do Município à Justiça.

Adriane Lopes diz que não descarta quebra de contrato com o Consórcio Guaicurus

Prefeita Adriane Lopes decretou intervenção para tentar reverter o caos no transporte público de Campo Grande (Madu Livramento, Jornal Midiamax)

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Após publicar o decreto de intervenção, a prefeita Adriane Lopes convocou coletiva de imprensa e disse que a quebra de contrato com o Consórcio Guaicurus é uma possibilidade real após os seis meses de intervenção.

“Diante dos diagnósticos, se os fatos conduzirem, pode ser uma possibilidade [quebrar o contrato]”, opinou a chefe do Executivo Municipal em coletiva na tarde desta terça-feira (16). “Quando o Poder Público cobrou a mudança, não houve uma contrapartida da empresa.”

Com a determinação da intervenção, a equipe vai ter acesso direto a “tudo do Consórcio”, incluindo a saúde financeira — alvo de constante queixa da empresa nos pedidos por mais recursos.

A equipe de intervenção será presidida por Alexandro Adriano Lisandro de Oliveira e terá como membros Rodolfo Bahiense Fernandes (administrativo-financeiro), Alexandre Souza Moreira (jurídico) e Robson Tadeu Pereira (operacional).

Durante o período de intervenção, a atual cúpula do Consórcio Guaicurus perde temporariamente os poderes de gestão da concessão, podendo apenas acompanhar o processo.

Leia também – Interventores marcam reunião para diálogo com motoristas do Consórcio Guaicurus

O que os interventores poderão fazer?

A equipe que irá administrar a concessão durante o período de intervenção poderá praticar atos como:

  • Assumir a gestão administrativa, jurídica, operacional e financeira da concessão;
  • Nomear equipe técnica de apoio e expedir ordens de serviço;
  • Requisitar registros contábeis, ter acesso aos bens vinculados à prestação do serviço, como garagens, oficinas e terminais;
  • Determinar auditorias e inspeções, adotar medidas urgentes para garantir a continuidade dos serviços;
  • Rever procedimentos operacionais e de manutenção da frota; e
  • Apresentar plano de ação para sanar as irregularidades identificadas.

Os interventores receberão salário baseado na remuneração dos executivos do Consórcio Guaicurus.

O decreto prevê ainda que tanto a diretoria como funcionários, empregados e prepostos do Consórcio Guaicurus devem prestar integral colaboração aos interventores, devendo fornecer acesso a todos os sistemas e documentos necessários.

E depois?

Após os primeiros 90 dias de trabalho, a equipe deverá elaborar relatório preliminar e, ao fim dos 180 dias, expedir outra conclusão com as recomendações.

A decisão final caberá à prefeita Adriane Lopes, com base no que foi auditado pelos interventores.

Um dos caminhos é a declaração da caducidade do contrato ou até mesmo a extinção da concessão. Porém, a Prefeitura poderá devolver a concessão ao Consórcio Guaicurus com condicionantes e aplicações de sanções contratuais cabíveis.

A reportagem acionou o Consórcio Guaicurus para se posicionar sobre a intervenção e aguarda retorno.

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(Revisão: Nichole Munaro)

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