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Transparência

Justiça nega dois pedidos de liberdade à ex-presidente da Santa Casa

Alir Terra está presa desde 11 de setembro, por conta de rombo nas contas do hospital
Adriel Mattos -
Alir Terra Lima, presidente da Santa Casa de Campo Grande (Madu Livramento, Jornal Midiamax) (26)
Presidente da Santa Casa de Campo Grande, Alir Terra. (Foto: Madu Livramento, Jornal Midiamax)

A Justiça negou dois pedidos de liberdade da presidente do hospital Santa Casa de Misericórdia de , Alir Terra Lima. Presa desde 11 de setembro por suspeita de integrar um esquema de corrupção no centro médico, ela tentava se livrar da prisão ou obter regime domiciliar.

Ao Núcleo de Garantias — que autorizou a operação —, a defesa pediu a revogação da prisão preventiva. Na decisão, a juíza May Melke Penteado Siravegna observou que a idade — 71 anos — não constitui tese legal para alterar o regime de prisão, além de não ter sido comprovado qualquer problema grave de saúde. Ela determinou que Alir tenha direito a tratamento e à medicação no Presídio Militar Estadual.

Um habeas corpus foi rejeitado pelo desembargador José Ale Ahmad Netto, da 2ª Câmara Criminal do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul). O relator negou liminar para rever a prisão da ex-presidente da Santa Casa, e a análise do caso ficará para os demais magistrados da turma. Ao Jornal Midiamax, a defesa informou estar analisando os próximos passos.

Também foi publicada nesta quarta-feira (23) a decisão do Núcleo de Garantias para manter a prisão do diretor financeiro do hospital, Rinaldo Hakme Romano.

Operação mira esquema de fraude em contratos da Santa Casa de Campo Grande

Em 11 de setembro de 2026, o MPMS (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) — por meio do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) e do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) — realizou a Operação Antidotum, contra um suposto esquema de fraude em contrato da Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande.

Foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 36 mandados de busca e apreensão, em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO).

Os alvos foram:

  • Alir Terra Lima, ex-presidente da Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande;
  • Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa, diretor-adjunto de finanças do hospital;
  • Rinaldo Hakme Romano, diretor financeiro do hospital;
  • Alessandro Dias Junqueira, diretor administrativo do hospital;
  • Monique Gregório de Oliveira, coordenadora do Serviço de Arquivamento Médico e Estatística do hospital;
  • Maurício Aparecido Benites, empresário.

As investigações apontaram possíveis fraudes e desvios de dinheiro em contrato firmado pela ABCG (Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande) — mantenedora da unidade — para a prestação de serviços de digitalização de prontuários, no qual foram efetuados pagamentos elevados sem a devida prestação de serviços.

O contrato previa pagamento de R$ 1,8 milhão por ano e tinha vigência de três anos, totalizando R$ 5,4 milhões. Somente no primeiro ano de vigência, o desvio de recursos totalizou R$ 1,4 milhão.

O Gecoc constatou, ainda, irregularidades em contratos celebrados pela operadora de plano de saúde Santa Casa Saúde, com diversas empresas do mesmo grupo. Essas empresas, cujo proprietário tinha ligações com a diretoria da Santa Casa, estavam registradas no mesmo endereço, mas o imóvel, na verdade, estava desocupado.

Somente em 2025, a Santa Casa Saúde pagou R$ 9,6 milhões para essas empresas e gerou um prejuízo de, no mínimo, segundo apurado até o momento, R$ 3,5 milhões.

Além disso, contratos, pagamentos e prestações de contas eram sistematicamente sonegados dos órgãos de controle, incluindo o Conselho Fiscal da Santa Casa e a CGE-MS (Controladoria-Geral do Estado de MS).

O total do prejuízo causado à Santa Casa de Campo Grande ainda está sob investigação.

A ação contou com apoio operacional do BPChq/PMMS (Batalhão de Choque da Polícia Militar de MS) e a participação da Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas dos Advogados da OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional de MS).

Antidotum”, termo que dá nome à operação, traduz-se do latim como “antídoto” e significa contraveneno ou contramedida, substância que neutraliza ou impede a ação nociva de uma toxina no organismo. Também é usado no sentido figurado como recurso ou solução contra um problema.

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(Revisão: Dáfini Lisboa)

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