A juíza da 3ª Vara Criminal de Campo Grande, Eucélia Moreira Cassal, concedeu a mudança da prisão da matriarca do clã Jafar, Rossana Paroschi Jafar, por conta do estado de saúde e da rotina intensa de remédios utilizados por ela no tratamento da epilepsia.
Rossana estava no Presídio Feminino Irmã Irma Zorzi há quase três meses, por suspeita de integrar esquema de fraude de R$ 27 milhões em prefeituras e órgãos estaduais de Mato Grosso do Sul. A decisão judicial foi expedida na quarta-feira (30).
Conforme laudo médico emitido no começo de setembro, desde que foi presa, Rossana teve duas crises convulsivas na prisão. Ao todo, segundo o documento, foram seis ataques desde 2022.
Rotina de remédios e exames
O laudo aponta que Rossana toma sete medicamentos por dia — dois a cada 12 horas e outros três com dose noturna. Além disso, o documento descreve a dificuldade em manter a rotina de exames e acompanhamento médico nesses quase três meses em que Rossana permaneceu presa.
“Sob a perspectiva estritamente clínica e médica, a manutenção da paciente em regime fechado impõe severos entraves operacionais e logísticos ao acesso tempestivo ao especialista em neurologia, à execução rotineira dos exames complementares solicitados e ao monitoramento das alterações de dosagem terapêutica, elevando de forma substancial o risco de agravamento e descompensação do quadro convulsivo”, diz o laudo.
Para a juíza, isso evidencia a debilidade da condição de saúde de Rossana. ” […] indica excepcionalmente a necessidade de cuidados especializados que, presumivelmente, são de difícil execução adequada em ambiente prisional. Verifica-se, portanto, que a manutenção da requerente em estabelecimento prisional poderá resultar em sérios riscos à sua integridade física, tendo em vista as peculiaridades de seu quadro clínico, que demanda supervisão médica constante e cuidados específicos”, traz a decisão de Cassal.

Rossana chefiou esquema, diz Gaeco
As investigações do Gaeco revelaram esquema que se utilizava da Central de Regulação do Estado para usar a liberação de exames e internações como moeda de troca para forçar gestores públicos a comprar livros do grupo.
Tudo foi apurado na Operação Gutenberg, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), que apontou um esquema comandado pela família Jafar e que contava com o ex-chefe de regulação da saúde estadual Ed Carlo Brito Burgatt, para pressionar prefeitos a comprar livros das editoras do grupo mediante liberação de exames para a população.
As investigações revelaram que o grupo atuava com alto grau de sofisticação e articulação política.
As investigações concluíram que Rossana exercia forte poder de decisão na gestão financeira e administrativa da Editora Avante, determinando pessoalmente para onde e para quem o dinheiro recebido das prefeituras deveria ser repassado. Ela responde pelos crimes de organização criminosa, lavagem de capitais e corrupção ativa.
O grupo familiar atuava originalmente por meio da empresa Gráfica e Editora Alvorada Ltda., envolvida em fraudes licitatórias e alvo da Operação Lama Asfáltica. Após a morte do patriarca, Mirched Jafar Junior, em 2021, a matriarca Rossana Paroschi Jafar e seus filhos teriam criado uma nova empresa de fachada, a Editora Avante (Souza & Fanaia Comércio de Livros), em nome de “laranjas”.
A empresa fechava contratos milionários, sem licitação (por inexigibilidade), com diversos municípios de Mato Grosso do Sul, como Miranda, Ivinhema, Bonito, Ladário, Angélica e Dourados, para o fornecimento de livros paradidáticos.
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(Revisão: Nichole Munaro)









