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Transparência

Prefeitura de Ladário vai apurar contrato de R$ 599 mil com editora alvo do Gaeco

Município afirma que irá abrir procedimento interno para investigar caso revelado na Operação Gutenberg
Gabriel Maymone -
Limpeza de ruas de Ladário custará R$ 1,89 milhão. (PML, Divulgação)
Vista aérea de Ladário. (PML, Divulgação)

Após o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) revelar esquema que desviou R$ 27 milhões de municípios em Mato Grosso do Sul, a Prefeitura de informou que irá abrir procedimento interno para apurar as circunstâncias de contratos que somam R$ 599 mil com a Editora Avante (CNPJ 44.284.055/0001-46), alvo da Operação Gutenberg.

Conforme nota enviada à reportagem, a prefeitura diz que os contratos foram firmados entre 2022 e 2024, na gestão passada.

Ainda, o município afirma que já forneceu ao Gaeco toda a documentação referente aos contratos, firmados sem licitação e pagos com recursos da Saúde, Educação e Assistência Social.

Confira abaixo a nota da prefeitura de Ladário sobre a Operação Gutenberg:

“A Prefeitura de Ladário, vem a público se manifestar sobre as providências adotadas pela administração, após a deflagração da OPERAÇÃO GUTEMBERG. Informamos incialmente que os fatos em apuração ocorreram na gestão anterior, no período de 2022 a 2024, existindo contratações por inexigibilidade de licitação com as seguintes pastas EDUCAÇÃO, SAUDE e ASSISTÊNCIA SOCIAL.

A administração municipal está colaborando integralmente com as autoridades policiais e o Ministério Público, fornecendo todos os documentos, arquivos e informações solicitadas para o completo esclarecimento dos fatos.

A Prefeitura reafirma seu compromisso com a transparência, a legalidade e o combate a quaisquer irregularidades.

A gestão municipal instaurará os procedimentos internos cabíveis para apurar as circunstâncias, sem prejuízo às investigações conduzidas pelas instâncias competentes.

Por fim, a instituição segue à disposição da Justiça para que os trâmites legais ocorram com a maior celeridade possível.

Empresa recém-criada e com capital social de R$ 40 mil

Para o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), chamou atenção o fato de “se tratar de empresa nova, com ínfimo capital social e reduzidas instalações, sem qualquer estrutura para dispor de acervo bibliográfico condizente aos contratos“.

A investigação concluiu que “a justificativa de que os materiais fornecidos seriam de edição e publicação exclusivas da EDITORA AVANTE não passaram [sic] de tentativa de conferir ares de legalidade às fraudulentas contratações milionárias“, no que diz respeito à inexigibilidade de licitação.

Tudo consta no relatório de investigação da Operação Gutenberg, deflagrada na semana passada, a qual revelou esquema que desviou R$ 27 milhões da educação e saúde em 17 cidades de Mato Grosso do Sul.

O relatório de investigação do Gaeco aponta que a liderança do esquema era exercida pela família Jafar. Após a morte em 2021 do patriarca da família Jafar, Mirched, por covid, a viúva, Rossana Jafar, e os filhos, Olívia, Giovanni e Felipe, abriram outros CNPJs para continuar com operações de corrupção. A Gráfica Alvorada, que ainda pertence ao clã, é implicada em lavagem de dinheiro no contexto da Operação Lama Asfáltica.

Presidente da Câmara diz que vai esperar antes de avaliar CPI

A Câmara Municipal de Vereadores de Ladário deve esperar a prefeitura receber os documentos relacionados à Operação Gutenberg para tomar alguma medida sobre o caso.

A reportagem procurou o presidente da Câmara de Vereadores de Ladário, Jonil Junior Gomes Barcellos, conhecido como Jonil (MDB), para perguntar se pretendem abrir uma investigação, como uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), após a operação. 

“Enquanto não apontar quem são os responsáveis, quem cometeu as ilicitudes, a gente fica meio amarrado, só citar Ladário não dá, os elementos sempre precisam”, informou. 

O presidente da Mesa Diretora afirmou que devem esperar as informações que serão repassadas à Prefeitura sobre a operação. Ao ser questionado se a própria Casa de Leis poderia se antecipar e já solicitar os documentos, ele admitiu: “Nada impede, né?”. 

Contudo, afirmou que irão esperar informações do Ministério Público. “Temos suspeitas, ainda não temos nomes, mas nada impede de solicitar, mas como é uma operação em que já estão definidos os lugares, estamos esperando um posicionamento do Ministério Público […] nós vamos aguardar, porque com certeza a Prefeitura vai querer tomar alguma providência. Com certeza deve querer solicitar as documentações da época”, afirmou. 

O Contrato nº 149/2022 foi firmado na gestão do ex-prefeito Iranil de Lima Soares. O Midiamax entrou em contato para pedir uma nota sobre o tema, mas, até o momento, não houve resposta. O espaço segue aberto para manifestações.

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(Revisão: Nichole Munaro)

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