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Em carta, suspeito preso nega ter retirado câmera de jovem que morreu após salto de rope jump

João Antonio Pivetta Ribeiro da Silva, o suspeito de 35 anos, foi preso no último fim de semana
Agência Estado -
Maria Eduarda Rodrigues de Freitas. (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Um dos homens presos por conta do salto de rope jump sem cordas que matou a jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, em Limeira (SP), suspeito de ter retirado a câmera que estava acoplada ao corpo da vítima após a queda, negou a acusação em uma carta escrita por ele e divulgada pelos advogados de defesa Vitor Aurélio e Ana Flavia de Almeida Foguel. O suspeito João Antonio Pivetta Ribeiro da Silva, de 35 anos, foi preso no último fim de semana.

Segundo o relatório da Polícia Civil e do Ministério Público que embasou o pedido de prisão, o rapaz se aproximou do corpo da jovem e tirou a câmera. Em depoimento e na carta, ele negou a suspeita e disse que chegou perto da vítima apenas para checar se estava com batimentos cardíacos. Outras cinco pessoas estão presas. A câmera, que ainda não foi encontrada, seria peça importante para a reconstituição do caso, além de constituir elemento de prova.

“Eu fiquei apenas na parte de baixo da ponte e eu apenas soltava a corda para a pessoa subir a pé. No momento do ocorrido eu estava soltando outro cliente quando ouvi o barulho e corri até a Maria Eduarda. Eu coloquei a mão no pescoço e vi que tinha batimento cardíaco e respiração então eu chamei ajuda no rádio”, disse João Antonio no texto escrito da prisão, relatando que um dos colegas era bombeiro.

Ele contou na carta de uma segunda tentativa de pedir ajuda no rádio, até que um colega desceu de rapel e foi até Maria Eduarda “Eu não vi o que ele fez pois a enfermeira estava descendo, eu sinalizei o local. Muita gente desceu até o local nesse momento”, afirmou, citando quatro possíveis nomes. “Para fazer a massagem cardíaca, eu abri o mosquetão que ficava sobre o peito da Maria Eduarda na frente da enfermeira”, disse.

Na carta, João Antonio também citou três nomes que acredita que possa ter levado a câmera para cima da ponte. Um deles pela suspeita de ter descido muito rápido e ter ficado sozinho com a vítima, outro que estava na parte de baixo da ponte e uma terceira pessoa por ter pedido para ele subir para a parte de cima da ponte.

“Eu presto meus sentimentos à família da Maria Eduarda. Eu sou apenas um trabalhador comum, apenas um pai pedindo a ajuda de vocês. Por favor ajudem a achar essa câmera”, escreveu. “Sou apenas um ser humano comum que trabalha e tenta fazer uma renda a mais para pagar as contas e educar os filhos”, desabafou.

Ele também fez um apelo à mídia, a quem estava na ponte no dia e dos bombeiros que diz ter ajudado no local para que a câmera seja encontrada. “Como as reportagens disseram que mochilas foram levadas até os carros por outros membros da entre cordas pode ser que a câmera esteja dentro de alguma mochila dentro de algum carro, porém peço a ajuda de vocês”, disse.

Investigação

A ação pela qual João Antonio é suspeito foi considerada supressão de elemento de prova, o que justificaria sua prisão. Ele está preso temporariamente.

O Ministério Público e a polícia alegam que, do ponto onde estava, na base da estrutura, ele tinha condições de perceber eventual irregularidade na fixação dos equipamentos da vítima e informar à equipe que estava no topo da ponte via rádio.

De acordo com a delegada Andréa Levy, que preside o inquérito, as investigações apontam que os três presos integravam a equipe responsável pela organização e execução da atividade. “No curso das apurações, foram reunidos elementos que indicam possível supressão de provas relevantes para a investigação, especialmente relacionadas ao desaparecimento do equipamento de captação de imagens utilizado pela vítima durante o salto”, diz, em nota, a delegada.

Segundo ela, também foram identificados indícios de que conteúdos digitais potencialmente relevantes à elucidação do caso teriam sido excluídos após a ocorrência, circunstâncias que fundamentaram os pedidos cautelares apresentados pela Polícia Civil e acolhidos pelo Poder Judiciário.

A investigação apura, em tese, a prática de crimes dolosos contra a vida, na modalidade de dolo eventual, além de possível fraude processual.

Polícia Civil instaurou dois inquéritos para apurar morte

A SSP-SP (Secretaria da Segurança Pública de ) informou que a Polícia Civil, por meio da Delegacia Seccional de Limeira, instaurou dois inquéritos policiais para apurar a morte, no dia 13 de junho. O primeiro procedimento foi aberto para apurar a participação no crime de três pessoas presas em flagrante. Durante as investigações, 22 pessoas foram ouvidas.

Esse procedimento resultou no indiciamento e conversão da prisão dos três homens em prisão preventiva, por homicídio doloso qualificado. O inquérito foi relatado e encaminhado à Justiça.

A partir dele foi aberto um novo inquérito para apurar a participação de outras cinco pessoas no fato. Três delas – uma mulher e dois homens – tiveram a prisão temporária decretada e cumprida no dia 20. As diligências prosseguem com o objetivo de esclarecer integralmente os fatos e identificar demais envolvidos.

Maria Eduarda morreu no último dia 13, um sábado, após saltar da Ponte do Esqueleto, uma estrutura ferroviária abandonada, na zona rural do município. Segundo a Polícia Civil, a vítima deveria estar presa a duas cordas de segurança, mas nenhuma delas estava instalada no momento da atividade.

A jovem foi lançada de uma altura de 40 metros sem que a corda estivesse devidamente presa a seu corpo. O momento em que ela foi jogada da Ponte do Esqueleto foi registrado em vídeo que se espalhou pelas redes sociais.

Ainda naquele sábado, a Polícia Militar prendeu seis pessoas pela morte da jovem, mas três foram liberadas após serem ouvidas As que ficaram presas são os três instrutores que já foram indiciados por homicídio doloso. No último final de semana, houve as três novas prisões.

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