Ministro decano do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes defendeu publicamente o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e criticou as intenções de André Mendonça, nesta quinta-feira (17). Os ministros haviam protagonizado bate-boca na sessão do Supremo, desta terça-feira (15).
“E, naquele exato momento, o estrago à reputação já estava feito. Ninguém desfaz manchete com reparo tardio em plenário. Ainda assim, assistimos na terça-feira a uma cena lamentável”, escreveu. Mendes se refere à quebra de sigilo de mensagens enviadas pelo ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, feita por Mendonça.
A PF (Polícia Federal) investiga os esquemas de fraude financeira protagonizados pelo empresário. O relatório divulgado contém mensagens de Vorcaro, em que cita Gonet e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, para o ministro Alexandre de Moraes.
“Cena lamentável”. A sessão extraordinária do STF, desta terça-feira (15), foi inicialmente realizada para decidir sobre a abertura de uma investigação contra Moraes. Porém, Gilmar Mendes solicitou questão de ordem, para que o caso seja analisado junto ao de Mendonça, acusado de abuso de autoridade na relatoria do caso Master.
‘Boneco de campanha, pixuleco eleitoral’
Mendes continuou o texto com o mesmo viés que havia falado durante a plenária, em que acusou Mendonça de agir com um “viés político-eleitoral” no caso Master. “A intenção de lucrar politicamente com o episódio ficou escancarada quando o relator fez publicar vídeo nas redes sociais agradecendo o apoio popular”, complementou.
O ministro comparou a situação com a condução da Operação Lava Jato, por Deltan Dellagnol e Sergio Moro. Segundo ele, eles realizaram “vazamento seletivo” e derrubaram os sigilos às vésperas das eleições.
“Aqui, o levantamento apareceu às vésperas do 7 de Setembro, para inflar as ruas, arrancar dividendos políticos, sujar reputações e intimidar quem se opõe a esse método”, ressaltou.
Confira a publicação:
Paulo Gonet, Procurador-Geral da República, tem reputação ilibada e vida pública de lisura insuspeita. Isso nunca foi objeto de disputa: é reconhecido em todos os espectros, por quem concorda e por quem discorda dele. Mesmo assim, teve a honra injustamente manchada pelo levantamento do sigilo de conversas que nada de ilícito retratavam. E, naquele exato momento, o estrago à reputação já estava feito. Ninguém desfaz manchete com reparo tardio em plenário. Ainda assim, assistimos na terça-feira a uma cena lamentável. Em plenário, o próprio relator reconheceu, em alto e bom som, a lisura da conduta de Gonet e admitiu que nada havia contra ele. Nada. Então por que expor? Quem atesta a honra de alguém só depois de tê-la arrastado pela praça pública não está corrigindo um erro: está confessando que ele era evitável. E não foi só isso. A intenção de lucrar politicamente com o episódio ficou escancarada quando o relator fez publicar vídeo nas redes sociais agradecendo o apoio popular. Apoio a quê, exatamente? A um ato que ele mesmo admitiu não ter fundamento contra a pessoa exposta? Quem age assim não é magistrado imparcial: é boneco de campanha, um pixuleco eleitoral. Já vimos esse filme. Na Lava Jato, Deltan Dallagnol e Sergio Moro transformaram vazamento seletivo em método. A ideia era sempre criar o fato consumado antes da ação penal, colher os dividendos políticos e deixar a defesa correndo atrás de um julgamento que a opinião pública já havia feito. Linchamento coletivo serve para esvaziar o direito de defesa e enterrar a presunção de Inocência. E, como na Lava Jato, a hora nunca é ao acaso. Lá, sigilos caíam a poucas semanas das eleições. Aqui, o levantamento apareceu às vésperas do 7 de Setembro, para inflar as ruas, arrancar dividendos políticos, sujar reputações e intimidar quem se opõe a esse método. No fundo, o alvo é o direito de defesa de pessoas contra as quais esses agentes nutrem algo que se parece muito mais com vingança do que com justiça. Instituição séria respeita o devido processo desde o primeiro ato. A Paulo Gonet, minha integral solidariedade. O Brasil e as instituições são devedores da coragem, da seriedade e da correção de homens como ele.
— Gilmar Mendes (@gilmarmendes) September 17, 2026
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(Revisão: Dáfini Lisboa)








