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Cotidiano

Caciques de MS cobram de Lula mais de 150 metas em plano integrado aos povos indígenas

Documento será encaminhado ao governo federal, para execução no novo mandato do presidente Lula
Vinicios Araujo -
Caciques de MS cobram de Lula mais de 150 metas em plano integrado aos povos indígenas
Lideranças indígenas se reuniram no sábado para deliberar programa integrado a ser enviado a Lula. (Foto: Divulgação, Focams)

Líderes de 32 instituições indígenas de Mato Grosso do Sul aprovaram, no sábado (31), o Programa Integrado de Políticas para os Povos Indígenas 2027 a 2030. O documento será encaminhado ao governo federal, para execução no novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e estabelece 155 metas agrupadas em seis planos nacionais e 61 áreas de ação.

O texto foi aprovado durante reunião em Campo Grande convocada pelo Focams (Fórum dos Caciques de Mato Grosso do Sul). Segundo a organização, a execução do programa prevê o uso de estruturas já existentes no governo federal e não determina a criação de novos cargos públicos.

O que os caciques de MS cobram de Lula

O programa é dividido nas áreas de saúde, educação escolar indígena, proteção dos conhecimentos tradicionais, empreendedorismo, produção agropecuária cooperativa e mineração em terras indígenas.

Na área da saúde, os dados do plano exigem a instalação de internet em 1.211 postos de saúde e a redução da mortalidade de crianças de até 5 anos para um limite máximo de 26 a cada mil nascimentos.

O projeto propõe a criação de um atendimento em saúde específico para indígenas que vivem em áreas urbanas, com início programado para Campo Grande.

Na educação, o Focams estabelece a elevação da taxa de alfabetização nas terras indígenas de 79,2% para 87% e a conexão de 3.572 escolas à internet. Há também a cobrança para a implantação da Universidade Federal Indígena e de 16 escolas modelo em tempo integral.

Impacto na produção agropecuária e na mineração

Para o setor de geração de renda, o texto define as seguintes metas:

  • Registrar 60 mil produtores rurais indígenas;
  • Estruturar 300 cooperativas e associações regularizadas;
  • Regularizar 10 mil negócios empreendidos por indígenas;
  • Emitir 500 Cédulas de Produto Rural (CPRs), títulos de crédito que permitem a venda antecipada da produção agropecuária;
  • Registrar 5 mil saberes tradicionais sob selos de origem.

Em relação à mineração, o programa estipula março de 2027 como prazo para o envio de um projeto de lei sobre o tema ao Congresso Nacional. As metas determinam a redução de 90% na abertura de novos garimpos ilegais e a exigência de que 100% do ouro vendido no Brasil tenha prova documental de origem.

Mobilização ocorre no mesmo dia de visita de ministros a MS

A deliberação do Focams ocorreu na mesma data em que autoridades do governo federal visitaram comunidades indígenas em Mato Grosso do Sul, em resposta a denúncias de ameaças e violência no período pós-eleitoral.

O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, e a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, estiveram nas aldeias Taquapery, em , e Sassoró, em .

Em , o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, reuniu-se com a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, a Força Nacional de Segurança Pública e forças estaduais para estruturar a proteção das comunidades.

De acordo com o Ministério dos Povos Indígenas, o órgão recebeu 10 denúncias de violência e ameaças contra indígenas no estado, que foram encaminhadas para investigação policial. A Superintendência da PF em Campo Grande e cinco delegacias do interior dedicam plantão de 24 horas para identificação de relatos.

O texto final do programa aprovado pelos caciques será enviado à Casa Civil da Presidência da República, sob coordenação da ministra Miriam Belchior; ao Ministério dos Povos Indígenas; e à Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas), presidida por Lúcia Alberta Baré.

“O Programa nasceu nas aldeias e hoje foi aprovado por quem vive nelas. Agora vamos levar ao governo federal a palavra das comunidades de Mato Grosso do Sul”, afirmou o presidente do Focams, Aguinaldo de Arruda Areco.

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