O Censo sobre a população em situação de rua de Campo Grande identificou que 1.476 pessoas vivem nessa situação no município, conforme divulgado nesta quarta-feira (19). A pesquisa foi realizada pelo GT-PSR (Grupo de Trabalho Intersetorial da População em Situação de Rua), em 30 de setembro de 2025, em diferentes regiões da cidade.
O levantamento buscava identificar o perfil das pessoas em situação de rua da Capital, além da distribuição territorial do público. Do total identificado, 1.190 (80,6%) eram homens, 234 eram mulheres (15,9%) e 52 eram crianças (3,5%). Além disso, 842 (57%) pessoas foram observadas em vias públicas, enquanto outras 634 (43%) constavam nos registros dos serviços e instituições da rede de atendimento.
A divulgação do Censo inédito foi realizada nesta quarta-feira (19), no dia em que se celebra o Dia Nacional da Luta da Pessoa em Situação de Rua.

Centro concentra quase metade da população
O Centro concentrava quase metade da população em situação de rua em Campo Grande em setembro do ano passado. Eram 566 pessoas na região urbana central, o equivalente a 40% dos registros. Na sequência, estava o Anhanduizinho, com 363 pessoas (25,6%).
As regiões Prosa, Lagoa, Segredo, Bandeira e Imbirussu também tiveram registros, totalizando as sete regiões urbanas com a presença do público. Ainda, outras 60 pessoas foram contabilizadas em uma comunidade terapêutica na área rural do município, no Chácara das Mansões.
17% eram estrangeiros
O Censo também aponta que 17,1% das pessoas em situação de rua em Campo Grande eram estrangeiras. O número é influenciado pelo intenso fluxo migratório que ocorre na Capital, conforme a defensora pública e coordenadora do Nudedh (Núcleo Institucional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos), Thaisa Raquel Medeiros de Albuquerque.
“A gente identificou que um percentual de pessoas em situação de rua é migrante internacional. O município tem uma política de migrantes internacionais, quadrienal, de 2024 a 2028. Dentro desse plano, os acolhimentos precisam ter pessoas que falem outras línguas, prevê a criação de um Crai (Centro de Referência de Atendimento ao Migrante), porque existe um fluxo. Se eu não me preparo para ele, ele vai aumentar de maneira desorganizada”, explica.
Apesar disso, ainda não foi possível, por meio do Censo, identificar as nacionalidades dos estrangeiros em situação de rua em Campo Grande. No entanto, a estatística está prevista no plano quadrienal e deve ser contemplada em novos levantamentos.

Perfil
Além da identificação das 1.476 pessoas em situação de rua, foi realizada a aplicação de questionários a uma parte do público. Ao todo, foram 257 entrevistas, sendo 193 com pessoas classificadas no grupo em rua e 64 no de pessoas acolhidas.
Do total, 196 eram homens cisgênero e 54 eram mulheres cisgênero. Além disso, o número de pessoas pardas (155) e pretas (44) ultrapassava 77% dos entrevistados.
Documentação
Quase metade (46,7%) dos entrevistados afirmou não ter qualquer tipo de documento em posse, totalizando 120 pessoas. Em relação apenas às pessoas do grupo em rua, o percentual chegou a 57,3%.
O levantamento também registrou inscrição no Cadastro Único em 135 entrevistas e recebimento de benefício social em 101.
Situação de rua e trabalho
A pesquisa identificou que mais da metade (64,6%) dos entrevistados tiveram recorrência da situação de rua, o equivalente a 166 registros. Além disso, 190 pessoas (73,9%) informaram permanecerem sozinhas.
Já em relação ao trabalho e à renda, apenas sete relataram trabalho formal e 94 declararam trabalhar informalmente. Catagem e reciclagem apareceram em 72 dos 193 registros do grupo em rua.
Violência e necessidades
O relatório também reuniu informações sobre acesso a direitos e situações de violência. A violência física foi a mais citada, com registro em 127 entrevistas, ou 49,4% da base. A violência psicológica ou emocional apareceu logo em seguida, com 121 registros, enquanto 56 pessoas relataram violência institucional e 24 informaram violência sexual.
Entre as necessidades, o número de respostas foi parecido: trabalho e renda (110 registros), moradia (108), alimentação (107), saúde (100), documentação (91) e tratamento para uso de substâncias (77) foram as mais relatadas. No grupo em rua, a alimentação aparece como a necessidade mais citada. Entre as pessoas acolhidas, trabalho, renda e moradia ocupam as primeiras posições.
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(Revisão: Nichole Munaro)






