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Cotidiano

Entrada facilitada e subsídios dão esperança a quem vive há mais de 20 anos no aluguel

Feirão Habita CG oferta subsídios de até R$ 16 mil e 1.173 imóveis para facilitar a compra do primeiro imóvel
Lethycia Anjos, Claudemir Candido -
Feirão Habita Mais CG
Feirão ocorre entre os dias 12 e 22 de agosto. (Marcos Ermínio, Midiamax)

Foram 20 anos de aluguel até que a técnica de enfermagem Ana Aline Lohr, de 34 anos, decidiu que era hora de tentar dar um passo adiante, a compra do primeiro imóvel. A oportunidade apareceu nesta quarta-feira (12), durante o 11º Feirão Habita Campo Grande – ViraCG Habitação, promovido pela Emha (Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários).

Ana Aline conta que chegou ao feirão sem contar às duas filhas que tentaria sair de lá com o sonho da casa própria encaminhado. Segundo ela, a decisão de procurar o imóvel surgiu apenas nesta semana, após conseguir um emprego melhor.

“Já vivo há anos no aluguel e pensei: como estou com um emprego melhor, vou procurar essa oportunidade”, contou.

Após apresentar os documentos, recebeu a informação de que havia sido aprovada na primeira análise, em menos de dez minutos. “Cheguei, me atenderam com todo o prazer e pediram os documentos. Não demorou nem dez minutos e ela me disse que eu tinha sido aprovada. Depois, tive que vir fazer o cadastro”, relatou.

Vinte anos de aluguel

Agora, ela busca um apartamento, principalmente pela estrutura de condomínio fechado. A preferência é por um imóvel que ofereça mais segurança e áreas de lazer para as filhas, como piscina e espaços para brincar.

Moradora da Vila Nasser, ela calcula que tem passado cerca de duas décadas pagando aluguel. Por isso, a possibilidade de começar a pagar por um imóvel próprio representa uma mudança significativa na vida da família.

“Estou muito feliz e ansiosa. Vim fazer esse cadastro para ver se dava certo, fechar logo o negócio e pagar algo que vai ser meu e das minhas filhas no futuro”, afirmou.

Feirão Habita Mais CG
Feirão Habita Mais CG. (Marcos Ermínio, Midiamax)

As filhas ainda não sabem da novidade. Ana Aline pretende contar quando chegar em casa, transformando a possível conquista em uma surpresa. “Elas estão na escola. Vai ser um presente. Elas nem sabiam que eu viria aqui. Vim só para ver como seria e, graças a Deus, deu certo”, disse.

Além da aprovação, a técnica de enfermagem conseguiu um subsídio considerado por ela como um valor importante para ajudar na aquisição. Ainda falta, porém, concluir o cadastro e verificar quanto será necessário pagar de entrada e se há possibilidade de parcelamento.

O prazo estimado para entrega do apartamento é de 24 meses. No entanto, Ana ressalta que, para quem passou cerca de 20 anos pagando aluguel, a espera de mais dois anos não é um obstáculo. “Não é nada”, resumiu.

‘É algo que poderei deixar às minhas filhas’

Feirão Habita Mais CG
Vanessa Costa. (Marcos Ermínio, Midiamax)

A longa espera pela casa própria também é uma realidade vivida pela recepcionista Vanessa Costa, 34. Mãe de duas meninas, de 17 e 4 anos, ela afirma que já tenta comprar um imóvel há dez anos e que, ao longo de uma década, alimenta o sonho de ter uma casa que possa deixar para as filhas.

Hoje, ela mora de aluguel e chegou ao feirão atraída principalmente pela possibilidade de utilizar o subsídio municipal para reduzir ou até eliminar a necessidade de uma entrada.

“O principal problema era não ter dinheiro para dar de entrada. Então, como hoje a gente pode zerar a entrada, fica mais fácil conseguir o imóvel”, explicou.

Vanessa conta que pretende continuar na região onde já vive. A preferência é pela Nova Campo Grande, onde mora atualmente, ou pelo bairro Caiobá, principalmente por serem áreas próximas da família. Segundo ela, o aluguel pesa cada vez mais no orçamento porque representa uma despesa que não se transforma em patrimônio.

“Hoje em dia, o aluguel está bem caro. É um dinheiro que a gente dá e não tem um retorno. Agora, pagar a nossa casa própria é uma coisa que vai ser nossa para o resto da vida”, contou.

A situação familiar também torna a busca pelo financiamento mais complexa. Vanessa é mãe de duas filhas e vive com um companheiro, mas não pode incluí-lo no empreendimento porque ele já possui um imóvel em seu nome. Com isso, a tentativa de financiamento precisa ser feita somente por ela.

Mesmo assim, o desejo de ter uma casa própria fala mais alto. No aluguel, ela explica, reformas e mudanças ficam limitadas pela possibilidade de precisar devolver o imóvel. Na casa própria, a realidade seria diferente.

“Às vezes, a gente quer fazer uma pintura, uma reforma ou uma área de lazer para as crianças, mas não consegue porque está no aluguel e pode ter que devolver a casa. Quando é algo da gente, conseguimos colocar do jeitinho que queremos. É um sonho desde criança ter uma casa para falar que é das minhas filhas, que vou deixar para elas”, afirmou.

A comemoração, caso o negócio seja concretizado, já está planejada. “Já quero fazer um churrasco, chamar a família para mostrar o empreendimento novo”, brincou.

Mais de 1.100 imóveis disponíveis

Feirão Habita Mais CG
(Marcos Ermínio, Midiamax)

Vanessa e Ana Aline fazem parte do público que a Emha pretende alcançar com o 11º Feirão Habita Campo Grande – ViraCG Habitação. Nesta edição, são 1.173 imóveis disponíveis para financiamento, sendo 491 casas e 682 apartamentos.

Os imóveis têm valores a partir de R$ 215,9 mil, enquanto algumas unidades chegam a R$ 250 mil. Entre as opções, estão casas térreas com aproximadamente 39 m² a 53 m² e apartamentos de até 57,91 m².

Outro atrativo do feirão é a oferta de mil cotas do programa municipal Bônus Sonho de Morar, destinadas a famílias dentro dos critérios de renda estabelecidos para o programa. A distribuição prevê 400 subsídios de R$ 16 mil, 200 de R$ 8 mil e 400 de R$ 4 mil, conforme a faixa de renda do beneficiário.

Diretor-presidente da Emha, Cláudio Marques explica que o subsídio municipal busca justamente enfrentar uma das principais dificuldades encontradas pelas famílias interessadas em comprar um imóvel, o pagamento da entrada.

“Normalmente, a fase mais difícil para comprar um imóvel é a entrada. A Prefeitura vem com esse subsídio, com um número recorde de mais de mil cotas disponíveis, com recursos 100% da Prefeitura de Campo Grande, para que a gente possa ofertar esse acesso”, explicou.

Mais de nove empresas incorporadoras participam do feirão. São empreendimentos que já estão em desenvolvimento, em construção ou em fase final, próximos da entrega. Cláudio ressalta que a aproximação entre o poder público e o setor privado é uma forma de ampliar o acesso à moradia.

“No último feirão, tivemos 78% de pessoas da faixa 1, que é o nosso público da Emha, acessando esses financiamentos”, afirmou.

Alternativas aos sorteios

A estratégia da Emha, segundo o diretor-presidente, é fazer com que famílias que aguardam a oportunidade na habitação também procurem alternativas de financiamento disponíveis no mercado, em vez de depender exclusivamente de sorteios.

“Tem gente que diz: ‘Eu não quero ir porque é apartamento, quero uma casa’. Mas você vai ficar esperando a casa até quando?”, questionou.

Para Cláudio, o primeiro imóvel pode representar o início de uma trajetória de melhoria das condições de moradia.

“Aqui é a primeira oportunidade. Aproveita a primeira oportunidade. Daí para frente, é trabalhar e conquistar cada vez mais coisas maiores e melhores e os sonhos que você deseja para sua vida”, afirmou.

Quem pode participar?

O principal requisito para ter acesso às condições oferecidas é estar dentro dos critérios do programa Minha Casa, Minha Vida. Para os subsídios municipais, há limite de renda estabelecido pelo programa.

Também é necessário que o interessado esteja buscando o primeiro imóvel e que nunca tenha sido beneficiado anteriormente por programa habitacional, seja em Campo Grande, seja em outra cidade do país.

A verificação é feita pela Caixa Econômica Federal, agente financeiro responsável pela análise do financiamento e pela assinatura do contrato.

O processo pode incluir análise de renda, documentação, capacidade de financiamento e valor de entrada. Em alguns casos, conforme as condições apresentadas ao comprador, existe a possibilidade de parcelamento da entrada.

A orientação da Emha é de que o interessado compareça ao feirão para verificar as opções disponíveis e fazer a análise de seu perfil. “É vir buscar a oportunidade, em vez de ficar esperando”, destacou Cláudio.

No último feirão, segundo ele, 78% das famílias que conquistaram o imóvel estavam aguardando um sorteio antes de decidirem buscar diretamente uma alternativa de financiamento.

Atualização cadastral de 40 mil inscritos

Emha
Emha. (Divulgação, PMCG)

O feirão ocorre paralelamente a uma atualização no sistema de gestão cadastral da Emha, que levou à suspensão temporária da atualização cadastral de aproximadamente 40 mil pessoas inscritas nos programas habitacionais.

Segundo Cláudio, a medida não impede a participação no feirão nem o acesso ao programa Bônus Sonho de Morar. “O feirão vai funcionar normalmente. Todo mundo que vier buscar a conquista do primeiro imóvel terá acesso, poderá fazer o cadastro e participar do bônus Sonho de Morar, da Prefeitura”, afirmou.

A atualização, explicou, é necessária devido às mudanças nos critérios de seleção do Minha Casa, Minha Vida. O processo deixou de considerar apenas um sorteio e passou a utilizar uma classificação hierarquizada, na qual os diferentes critérios geram pontuação.

“Não é simplesmente um sorteio. Ele é hierarquizado e cada critério tem uma pontuação”, esclareceu. A Emha está incluindo no cadastro informações necessárias para calcular essas pontuações e também pretende integrar diferentes bancos de dados utilizados pela agência.”

Entre eles, estão registros de pessoas que aguardam regularização fundiária, transferência de propriedade e outros programas, como a locação social. A intenção é identificar eventuais sobreposições de benefícios e garantir que as unidades de interesse social sejam destinadas às famílias que realmente atendam aos critérios.

“Estamos fazendo essa grande atualização e a conexão dos bancos de dados para que a moradia de interesse social chegue a quem realmente precisa”, afirmou Cláudio.

Confira a lista de imóveis disponíveis:

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(Revisão: Dáfini Lisboa)

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