De entregador a freela de trocador de bateria: hype do patinete pega o campo-grandense Pular para o conteúdo
Cotidiano

De entregador a freela de trocador de bateria: hype do patinete pega o campo-grandense

Valor por minuto aumentou 25% em menos de uma semana
Gustavo Henn -
Como funciona? Entenda o monitoramento dos patinetes elétricos em Campo Grande
Patinetes elétricos estão espalhados pelo Centro de Campo Grande. (Foto: Marcos Ermínio/Jornal Midiamax)

Quem passou pelo Centro de , nos últimos dias, com certeza notou a novidade que chegou à cidade há pouco mais de uma semana. Os patinetes elétricos compartilhados estão disponíveis para aluguel na região central da Capital, durante a fase de testes. São cerca de 400 dispositivos espalhados como opção de lazer e mobilidade urbana — e eles agradaram aos campo-grandenses.

Porém, os veículos não trouxeram apenas opções de locomoção ou divertimento, mas também abriram oportunidades de emprego na cidade. Os trocadores de bateria dos patinetes já foram flagrados pelas ruas de Campo Grande e também levantaram dúvidas na população sobre as possibilidades de trabalho e realização de entregas com o veículo.

Outro ponto que chamou atenção nos primeiros dias da novidade foi o aumento de 25% no preço do aluguel por minuto. No anúncio dos patinetes, o valor divulgado era de R$ 0,39 por minuto de uso. Agora, o preço, a depender do horário, passou a ser de R$ 0,49 a cada 60 segundos. O aplicativo também oferta pacotes de minutos e planos de assinatura.

Trocador de baterias

Com a chegada dos patinetes, foi necessário também que pessoas integrassem a equipe da JET Brasil, empresa responsável pelos veículos. Entre os contratados, há os responsáveis pelo carregamento e pela troca da bateria que faz os dispositivos funcionarem.

Inclusive, eles já foram flagrados transitando por Campo Grande com uma espécie de banco adaptado em cima do patinete. O equipamento usado é permitido exclusivamente aos funcionários responsáveis pela manutenção dos patinetes. Os demais cidadãos devem seguir uma série de orientações de segurança e cuidados.

patinetes campo grande
Jovem estava fazendo manutenção dos patinetes quando foi fotografado. (Foto: @passeandoemcampogrande)

Aos interessados, há cinco vagas abertas para trabalhar na empresa dos patinetes em Campo Grande. Duas delas são para atuar diretamente na manutenção dos veículos, como agente de prevenção e perda e como agente de logística. Também há vagas para funções comerciais, como promotor de vendas e líder de promo. Além dessas, há oportunidade para motorista logístico, para atuar no transporte dos patinetes.

As vagas, de modo geral, requerem posse de CNH e celular com acesso à internet, sem necessidade de formação técnica ou experiência prévia. Para se candidatar, basta acessar o painel de vagas da JET Brasil, selecionar a cidade de Campo Grande e preencher o cadastro com documentos e dados pessoais para a vaga.

Pode fazer entregas?

O novo meio de transporte também despertou a curiosidade dos cidadãos em relação a entregas de aplicativo. As regras de uso não possuem nenhuma instrução específica quanto a isso, mas alguns fatores podem desmotivar quem pense em usar o veículo para este tipo de trabalho.

Durante a fase de testes, os patinetes estão disponíveis apenas nas regiões centrais da cidade. Por isso, as entregas teriam que ser limitadas a regiões específicas. Outro ponto importante é em relação ao custo, que pode acabar não compensando financeiramente.

O motoentregador Lucas Benites, de 30 anos, chegou a se questionar e fazer as contas para calcular os gastos com o patinete. Em média, ele recebe R$ 6,50 por corrida, que dura em torno de 15 minutos. Assim, teria ganhos de R$ 26 por hora.

Apesar dos minutos custarem, individualmente, R$ 0,49, há pacotes de minutos que barateiam o custo. No entanto, um pacote de uma hora custa R$ 23, o que faria Lucas ter um lucro de apenas R$ 3 por hora.

“Eu estava tentando calcular aqui para ver se o custo da hora do patinete compensa. A gente chegou a um valor aqui que não compensa muito, não, mas é uma coisa a se pensar para quem faz entregas próximas aqui na região do Centro, que tem bastantes pedidos e bastante demanda. É interessante ter o próprio [patinete]; [mas] alugado ficou um pouquinho puxado o preço”, explica.

Lucas Benites, motoentregador. (Foto: Leo de França/Jornal Midiamax)

Para lazer, cabe no bolso

Por outro lado, os preços agradam aos cidadãos que usam os patinetes apenas para o lazer. Campo-grandenses opinaram que os valores são acessíveis, além de serem uma mobilidade diferente e simples de usar.

Os valores, no entanto, já sofreram alterações desde o lançamento dos patinetes na Capital. Em menos de uma semana, o preço por minuto passou a custar 25% a mais em horários específicos, conforme apurado pelo Jornal Midiamax. Durante o início da manhã, o preço se mantém em R$ 0,39 por minuto; porém, por volta das 11h, o valor passa a ser de R$ 0,49 por minuto.

Ainda assim, existem os pacotes de minutos, que saem um pouco mais baratos. É possível comprar 15 minutos por R$ 6, saindo R$ 0,40 por minuto, ou 30 minutos por R$ 11, saindo R$ 0,37 por minuto. Ambos os pacotes, após comprados, devem ser usados em até 24 horas. Também há opção de 100 minutos por R$ 35 e de 200 minutos por R$ 65, disponíveis por 30 dias.

Atenção no trânsito

Por serem novidades, os patinetes podem acabar causando acidentes, seja pela falta de prática com o dispositivo, seja até mesmo por falta de atenção. Em poucos dias de funcionamento, foram flagradas quedas e colisões com os veículos, o que preocupa os moradores de Campo Grande.

“Eu vi gente muito irresponsável usando. Teve uma amiga nossa também que acabou batendo numa pessoa, que machucou os dois; então, acho que tem que saber usar, não ficar brincando no negócio, até porque não é só pra lazer, mas pra ser prático, pra ajudar a população”, opinou o vendedor Guilherme Silva, de 21 anos.

Vendedor Guilherme Silva, à direita, e Laís dos Santos, à esquerda, estudante de Biomedicina. (Foto: Leo de França/Jornal Midiamax)

“O único problema é que eu acho que teve um pouco de acidente […] Eu acho que tem que tomar mais cuidado nas ruas, mesmo, prestar atenção”, afirmou o promotor de vendas Kauan Cavalcante, de 21 anos.

Kauan Cavalcante, promotor de vendas. (Foto: Leo de França/Jornal Midiamax)

Além dos acidentes, também foi encontrado um patinete abandonado no bairro Danúbio Azul, na manhã de quinta-feira (16). O local fica em uma região onde o uso do veículo é proibido. No mesmo dia, o dispositivo foi recuperado por equipes da JET Brasil, por meio do sistema de monitoramento.

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(Revisão: Dáfini Lisboa)

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