O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) acompanha os desdobramentos do afundamento de uma balsa da LHG Mining, carregada com cerca de mil toneladas de minério de ferro, no Rio Paraguai, ocorrido no último fim de semana em Corumbá, no Pantanal de Mato Grosso do Sul.
O órgão ambiental aguarda a conclusão da perícia técnica conduzida pela Marinha do Brasil, que utiliza mergulhadores no local para inspecionar a estrutura submersa. A principal preocupação da fiscalização é avaliar o impacto real e os riscos de contaminação da água.
De acordo com o analista ambiental do Ibama e responsável pela Equipe de Emergência Ambiental e Climática do Ibama, Jean Carlo Corrêa Figueira, a análise do material é fundamental para entender se o minério se espalhou pelo leito ou se permanece isolado na embarcação.
“Foi retirada uma amostra desse minério da balsa e enviada para análise. Sabendo a condição, vamos saber a implicação disso na água. De forma geral, o tipo de minério que está ali não tem solubilidade para mudar as condições da água muito rapidamente; seria necessário um longo prazo para ter efeito na água do minério de ferro”, explica Jean Carlo.

Por se tratar de um rio de domínio federal, a equipe do Ibama monitora o caso continuamente. Segundo o analista, o porto onde o incidente aconteceu segue com as operações suspensas até o término dos trabalhos de apuração. “A balsa continua no local onde afundou e a Marinha está fazendo esse estudo com mergulhadores para ver a condição da carga e da balsa. O porto está fechado até que se resolva a situação e aguardamos a resposta deles para saber o que aconteceu”, afirmou Figueira.
Comportamento da mancha e monitoramento
A empresa responsável pela embarcação relatou ao órgão que o minério continua no interior da barcaça. Logo após o naufrágio, vídeos registraram uma mancha escura na água, mas o técnico do Ibama esclareceu que o fenômeno foi temporário.
“O que se viu pelas imagens de vídeo foi a cor mais turva da água porque o minério, apesar de passar por beneficiamento e ser lavado, continua com uma quantidade de partículas pequenas que submergiram quando afundou. Mas a pluma logo se dissipou. Sobrevoamos com drone e, no momento da vistoria, não tinha nenhum sinal de pluma, até porque o rio tem um volume muito grande”, relatou o especialista do Ibama, destacando que a turbidez inicial passou por dissipação mecânica natural.

Como a visibilidade do fundo do rio é nula a olho nu, a perícia subaquática da Marinha determinará se a estrutura da balsa sofreu rachaduras e se houve derramamento do produto. Paralelamente, dados sobre a qualidade do corpo d’água estão sendo checados continuamente. “Eles estão passando frequentemente para o Imasul o monitoramento da água, com análises físicas de turbidez e pH”, concluiu Jean Carlo.
O Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) informou que os primeiros resultados do monitoramento não apontaram alterações na qualidade da água nem indícios de impacto ambiental relevante.
No entanto, foi feita a coleta da água para análise de metais, com o objetivo de ampliar a avaliação das condições ambientais na área afetada.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)








