O Instituto Arara Azul descartou que um tiro de chumbinho tenha sido a causa da morte de uma arara-canindé encontrada na manhã desta terça-feira (25), caída em frente a uma residência no bairro Vila Planalto, em Campo Grande.
A ave foi encontrada por um morador que afirmou ter observado marcas semelhantes a perfurações na barriga. A carcaça da arara-canindé foi recolhida e analisada pelo Instituto.
Segundo Larissa Tinoco, coordenadora de campo do Projeto Aves Urbanas Araras na Cidade, foram observadas na ave algumas lesões compatíveis com as causadas por acidente em rede de energia elétrica. Ela tinha queimaduras pelo corpo e parte da cavidade celomática (abdômen) exposta.
Ela afirma também que as imagens da câmera de segurança cedidas pelo morador foram observadas e, por lá, foi possível observar os fios de alta tensão balançando poucos segundos antes da arara cair no asfalto.
Essas informações, somadas ao fato de que não havia nenhum sinal de arma de pressão ou fogo no corpo da ave, possibilitaram que a suspeita inicial fosse descartada.
Arara-canindé morta na Vila Alba
Na última sexta-feira (21), uma moradora encontrou uma arara-canindé morta no telhado de sua casa. A ave apresentava ferimento, e a mulher suspeitava de que fosse causado por tiro de chumbinho.
Ao Midiamax, ela contou que cenas como essa, envolvendo, inclusive, aves de outras espécies, eram frequentes. No grupo de moradores, vizinhos estavam inconformados com a situação na região.
Sobre esse primeiro caso, Larissa pontua que o Instituto não teve acesso à carcaça, pois foi removida por equipes da Solurb, empresa responsável pelo descarte correto de animais mortos. Portanto, não puderam constatar qual foi a causa da morte.
O que diz a PMA?
A reportagem também acionou a PMA (Polícia Militar Ambiental). Em nota, informou que as equipes foram até a região e coletaram as informações necessárias junto aos moradores e trabalhadores. Toda a apuração foi encaminhada à Decat (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Ambientais e de Atendimento ao Turista), que investigará o caso.
Ainda na nota, informou:
“A corporação aproveita a oportunidade para esclarecer à sociedade e aos veículos de comunicação os limites de competência entre as forças de segurança pública:
- Polícia Militar Ambiental (PMA): Atua precipuamente no policiamento ostensivo, fiscalização preventiva-repressiva e contenção imediata em situações de flagrante delito.
- Polícia Civil (DECAT): Detém a atribuição legal e constitucional de polícia judiciária, sendo responsável por conduzir inquéritos, colher laudos periciais e realizar a investigação policial sobre casos pretéritos e identificação de autoria de infrações penais.
A PMA reforça que matar, perseguir, caçar ou praticar atos de violência contra espécimes da fauna silvestre configura crime previsto nos artigos 29 e 32 da Lei Federal nº 9.605/1998 (Lei de Crimes Ambientais), além de infração administrativa punível com multa.
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