As histórias que ganharam cores nos muros da antiga estação ferroviária de Campo Grande, agora, também poderão ser conhecidas em formato audiovisual. No sábado (29), às 19h, o MuAu (Museu de Arte Urbana) – Casa Amarela encerra o projeto “Histórias do Trecho: Locomotivas de Histórias” com o lançamento do site, museucasamarela.org, e a exibição de vídeos com as narrativas sobre ferroviários, familiares, artistas e outros personagens ligados à história da NOB (Estrada de Ferro Noroeste do Brasil), retratados nos murais da antiga estação.
A programação começa às 19h, com o lançamento do site que segue em fase dos últimos ajustes. Às 19h30, serão exibidos os vídeos gravados pela produtora Lu Tanno, narrados pela a escritora e arteterapeuta Tatiana De Conto. O audiovisual registra as histórias dos personagens que deram rosto às pinturas e ajudaram a preservar, por meio de seus relatos, memórias relacionadas ao trecho ferroviário. A noite termina às 20h, com confraternização acompanhada de música.
“Mais do que uma página institucional, o novo site nasce como uma extensão das atividades da Casa Amarela, reunindo acervos, imagens, registros audiovisuais e informações sobre a programação do espaço e também conservação da memória e identidade da vila de ferroviários”, afirma Tatiana De Conto.
O site também abre uma nova possibilidade para os artistas que participaram da construção dos murais. “É a finalização de um caminho. Entrei aqui para contar essas histórias e, dois anos depois, finalizamos. Foram muitos aprendizados, ideias, teremos muito trabalho pela frente com a reforma dos murais, a ampliação da área expositiva da Casa Amarela e novas parcerias”, explica Tatiana de Conto, idealizadora do projeto Histórias do Trecho.
Valorização de artistas
Segundo Tatiana, o site também cria uma nova frente de comercialização para artistas que participaram voluntariamente da pintura dos muros em 2024. “O projeto entrega para os artistas que ofereceram sua arte voluntariamente a possibilidade de comercializar arte online. Sentimos falta de um local que fomente a arte de Campo Grande, daí a necessidade desse espaço que abre uma conexão com o mundo, ter esse e-commerce”, afirma. A partir daí a proposta é encerrar as atividades da galeria coletiva presencial, a fim de utilizar o espaço interno da Casa Amarela para oficinas, cursos e exposições temporárias, enquanto a comercialização das obras passa a contar com a plataforma digital.
A nova estrutura também amplia a experiência dos 41 murais que compõem a galeria de arte urbana. As 15 histórias trabalhadas pelo projeto ganharão códigos QR Code instalados junto às obras, permitindo que o visitante acesse os vídeos e conheça as narrativas por trás das obras. “A proposta transforma a exposição ‘Memórias do Trecho’ em uma espécie de livro vivo a céu aberto, no qual imagem, memória e oralidade podem ser acessadas diretamente no espaço onde as histórias são representadas”, pontua a escritora.
“Estamos abrindo uma nova janela para o mundo para divulgar e comercializar a arte e a cultura sul-mato-grossense”, afirma Guido Drummond, artista plástico e coordenador da Casa Amarela ao lado de Tatiana. Para ele, a plataforma representa uma oportunidade de ampliar o mercado para os artistas locais. “Se o mercado local não absorver, vamos buscar outras e novas oportunidades”.
Suporte
Todo um trabalho que saiu do papel graças ao trabalho de artistas e das parcerias firmadas. “A construção do site foi viabilizada com o suporte do Sebrae e Senai. E, se os murais nasceram da cooperação coletiva de artistas que criaram os murais em 2024, o projeto de contação de história veio a partir de políticas públicas. Agradecemos muito a todos os envolvidos”.
Até o momento, foram realizados oito circuitos de narração, e a proposta é manter a atividade como parte da programação da Casa Amarela. A próxima edição está prevista para 20 de setembro, às 9h e a intenção é que as contações aconteçam todo terceiro domingo do mês, mantendo vivas as histórias da ferrovia.
Com o novo site e o acervo audiovisual, as memórias que antes estavam restritas aos relatos e aos murais ganham novas formas de acesso. “A proposta do ‘Locomotiva de Histórias’ é fazer com que essas histórias continuem percorrendo a cidade — seja pela experiência presencial, pela arte urbana ou, agora, pela memória disponível no ambiente digital”, conclui Tatiana.
O projeto “Histórias do Trecho” é realizado com recursos do FMIC (Fundo Municipal de Investimentos Culturais), da Fundac (Fundação Municipal de Cultura), vinculada à Prefeitura de Campo Grande, com apoio da PNAB (Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura), Afapedi, IPHAN, Plataforma Cultural e IHGMS (Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul).
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