Após cinco reuniões entre a Prefeitura de Campo Grande e a ACP (Associação Campo-Grandense de Profissionais da Educação Pública) terminarem sem consenso sobre o percentual de reajuste aos professores, a prefeita Adriane Lopes (PP) diz que enviará proposta definitiva nesta terça-feira (7), data-limite para a deflagração de “greve automática”, segundo o sindicato.
A categoria pede 5,4% de aumento e analisa a proposta do Executivo em assembleia às 18h. “Com certeza, até o final do dia de hoje, nós teremos uma construção através do diálogo”, disse a prefeita, em entrevista coletiva nesta manhã. Ela afirma que a proposta será enviada, possivelmente, após reunião com o presidente da ACP, Gilvano Bronzoni, na tarde desta terça (7).
A prefeita Adriane Lopes disse, ainda, que não há percentual definido para a proposta de reajuste. “Acho melhor a gente aguardar o final do dia, depois dessa construção com a ACP, para que a gente possa anunciar as tratativas”, disse a chefe do Executivo municipal.
Anteriormente, os professores rejeitaram um aumento de 3,4%, considerando que não aceitariam repactuar o acordo de novembro do ano passado, que definiu reajuste de 5,4%.
Greve?
No dia 12 de junho, professores protestaram pelo reajuste na Avenida Afonso Pena e paralisaram as aulas em escolas municipais. A manifestação foi seguida de reuniões de negociação nos dias 15 e 24 de junho, além de 1º, 3 e 6 de julho. O encontro desta segunda-feira (6) durou três horas e terminou, mais uma vez, sem acordo. No entanto, a Prefeitura se comprometeu a enviar uma proposta final no dia seguinte.
Assim, a ACP convocou assembleia geral dos trabalhadores da educação para terça-feira (7), às 18h, com o objetivo de deliberar sobre o documento da administração municipal. Conforme o presidente da entidade, Gilvano Bronzoni, a ausência de uma manifestação formal da Prefeitura resultará em paralisação. “Se não chegar a proposta, é greve automática; se chegar a proposta, a categoria vai debater”, declarou o dirigente.
Na entrevista da manhã desta terça-feira (7), a prefeita Adriane Lopes minimizou a possibilidade de greve e justificou o impasse para o reajuste. “Estamos construindo um diálogo. O sindicato tem seus interesses, os professores também, mas o município tem suas limitações, tendo em vista que nós estamos no meio do transcorrer de um plano de equilíbrio fiscal.”
Entenda o impasse
A Lei nº 7.523, sancionada em novembro de 2025, instituiu três reajustes aos professores de Campo Grande em 2026. O primeiro, de 2%, ocorreu em janeiro. O segundo garantiria reajuste de 100% da correção anual do Piso Nacional do Magistério, em maio. Já o terceiro deve ser de 3%, em setembro.
Este segundo reajuste é alvo de impasse no momento. Em janeiro deste ano, o Governo Federal editou Medida Provisória, criando o percentual de 5,4% para a correção anual do Piso. Assim, esse seria o percentual de reajuste dos professores de Campo Grande.
Por outro lado, o RGD (Relatório de Gestão Fiscal) da Prefeitura da Capital mostra que os gastos com pessoal já alcançam 53,97% da receita corrente líquida. O limite prudencial de gastos, de 51,3%, conforme a Lei de Responsabilidade Fiscal, já teria sido ultrapassado. Campo Grande se aproxima do limite máximo, de 54%.
Na reunião de negociação realizada em 15 de junho, o secretário de Governo, Ulisses Rocha, citou um déficit de R$ 138 milhões nas contas da Prefeitura, o que dificulta a garantia de um percentual de reajuste e torna necessárias readequações orçamentárias.
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(Revisão: Nichole Munaro)







