O Cerrado de Mato Grosso do Sul concentra as principais áreas em “alerta” no Estado para riscos de incêndios florestais durante o trimestre de setembro a novembro de 2026, enquanto o Pantanal está classificado como área de “atenção”, conforme o mapa de probabilidade de fogo elaborado pelo Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais).
Conforme dados obtidos com o Ministério do Meio Ambiente, no período de 1º de janeiro a 27 de agosto deste ano, a área queimada em Mato Grosso do Sul ficou abaixo da média histórica para o período. Além disso, até a última atualização do mapa, na sexta-feira (28), o Estado não possuía nenhum município classificado em “alerta alto”.
O cenário, porém, exige atenção, pois a expectativa é de aumento dos incêndios florestais nas próximas semanas, visto que os meses de setembro e outubro costumam concentrar o pico destas ocorrências no Estado. Além disso, a concretização de um El Niño forte pode prolongar a estiagem em Mato Grosso do Sul, conforme alertam especialistas.
O mapa de probabilidade de fogo considera fatores como tempo seco, temperaturas e índice de ventos para indicar as áreas com maior risco de incêndios no país, classificando os municípios em estado de “alerta alto”, “alerta”, “atenção”, “observação” e “baixa probabilidade”. Na região Centro-Oeste, onde está localizado Mato Grosso do Sul, 23 municípios foram classificados em “alerta alto” e outros 154 em “alerta” até sua última atualização.

MS pode enfrentar período crítico até novembro
Conforme explicou ao Jornal Midiamax o diretor do Departamento de Políticas de Controle do Desmatamento e Incêndios do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Sotero, as previsões indicam que o El Niño caminha para uma condição forte, o que pode prolongar a temporada de estiagem e, consequentemente, o período crítico de incêndios florestais no Estado, que costumam atingir o pico entre setembro e outubro e começam a diminuir em novembro, com o retorno das chuvas.
Para Mato Grosso do Sul, a expectativa para os próximos meses é de tempo seco, baixos índices de umidade relativa do ar, ondas de calor intensas e menor ocorrência de precipitações. A atuação das ondas de calor pode contribuir, ainda, para o atraso no retorno das chuvas, o que pode estender o período de estiagem e agravar as ocorrências de incêndios florestais. O cenário também é observado em Brasília e outras regiões do país.
“A gente chega num platô* em setembro e outubro, com muito fogo, e em novembro começa a cair porque entra a temporada de chuvas. Mas com o El Niño podendo fazer variações — e eu digo podendo fazer, porque a gente não tem como cravar — pode ser que essa temporada leve um pouco mais de tempo. E aí a gente pode ter uma situação ainda mais complexa, porque normalmente em novembro começam a diminuir os incêndios florestais”, explica Sotero.

As condições climáticas são acompanhadas pelo Centro Multiagências de Operação, liderado pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). O grupo se reúne três vezes por semana, às segundas, quartas e sextas-feiras, para monitorar as ações em andamento e acompanhar as condições climáticas que podem influenciar a ocorrência de incêndios. Segundo Sotero, as reuniões permitem acompanhar de forma contínua as condições meteorológicas e antecipar cenários de maior risco.
Outra ação de prevenção e combate aos incêndios citada pelo diretor é o Comitê Nacional de Manejo Integrado do Fogo, que reúne representantes dos estados, municípios e do Governo Federal e atua na elaboração de normas e orientações.
*O termo “platô” é utilizado para descrever o momento em que o número de ocorrências de incêndios florestais (no contexto da reportagem) para de subir rapidamente e se estabiliza em um patamar alto antes de começar a cair.
Ações conjuntas buscam reduzir riscos durante estiagem
Vale ressaltar que Mato Grosso do Sul enfrenta desafios específicos por abrigar biomas como o Pantanal e o Cerrado. Por esse motivo, desde 2025, o Comitê Nacional de Manejo Integrado do Fogo orienta propriedades rurais a adotarem medidas preventivas, enquanto o Ibama tem notificado produtores sobre os cuidados necessários durante o período seco. O monitoramento também foi ampliado, com o uso de câmeras em áreas do Pantanal, além do reforço na estrutura de aeronaves e helicópteros para atender regiões mais isoladas.
Uma das principais recomendações, conforme o diretor do Departamento de Políticas de Controle do Desmatamento e Incêndios do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Sotero, é criar brigadas em parceria com propriedades vizinhas, facilitando uma resposta rápida em caso de incêndios.
Segundo Sotero, cerca de 95% dos incêndios têm origem em ações humanas, o que torna a prevenção essencial para reduzir as ocorrências. O diretor reforça o alerta do Governo Federal para que a população não utilize fogo durante o período de estiagem e ressalta que o uso sem autorização é crime. Mato Grosso do Sul, inclusive, já está em período proibitivo para queimadas.
Por fim, o diretor reforça que o Governo Federal tem ampliado a articulação com os estados para fortalecer as ações de prevenção, preparação e resposta aos incêndios. Desde maio, os ministérios atuam de forma integrada em uma sala de situação coordenada pela Casa Civil da Presidência da República.
No âmbito do Ministério do Meio Ambiente, o foco está na prevenção e no combate aos incêndios, enquanto outras pastas também adotam medidas específicas. O Ministério da Saúde, por exemplo, monitora os impactos da fumaça na população, e o Ministério dos Transportes acompanha as condições das rodovias. “A atuação conjunta busca garantir uma resposta mais rápida às ocorrências durante o período de maior risco”, finaliza Sotero.
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(Revisão: Nichole Munaro)








