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Vacinei meu filho, e agora? Entenda por que suspensão da vacina não afeta crianças

A suspensão da Butantan-DV gerou dúvidas entre pais, mas não altera a vacinação de crianças e adolescentes com a Qdenga em MS
Lethycia Anjos, Murilo Medeiros -
Vacinação em escolas
Vacinação em escolas (Arquivo, Midiamax)

A suspensão temporária da vacina Butantan-DV contra a dengue pelo Ministério da Saúde gerou dúvidas entre pais e responsáveis em todo o país. Em Campo Grande, porém, a medida não afeta a imunização de crianças e adolescentes realizada pelo SUS. Isso porque o imunizante aplicado ao público de 10 a 14 anos é a Qdenga, vacina diferente daquela que teve o uso interrompido para investigação de possíveis eventos adversos.

Em coletiva realizada nesta quarta-feira (10), a superintendente de Vigilância em Saúde da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), Veruska Lahdo, reforçou que a vacinação com a Qdenga segue normalmente nas unidades de saúde da Capital e que não há qualquer orientação do Ministério da Saúde para suspender sua aplicação.

“A única suspensão é da vacina do Butantan. A Qdenga continua sendo utilizada para a população de 10 a 14 anos e não houve nenhuma orientação por parte do Ministério para interromper o uso”, esclareceu.

Apesar disso, a cobertura vacinal em Campo Grande permanece baixa. Segundo a superintendente da Sesau, menos de 30% do público-alvo recebeu o imunizante.

“A desinformação acaba prejudicando muito o cenário das vacinas. Sempre orientamos que, diante de dúvidas, a população procure um profissional de saúde. As vacinas são seguras e passam por rigorosos processos de avaliação”, destacou Veruska.

Qdenga já soma mais de 223 mil doses aplicadas em MS

(Foto: Agência Brasil)

Enquanto a Butantan-DV teve aplicação restrita a grupos específicos, Mato Grosso do Sul mantém a campanha de vacinação contra a dengue com a Qdenga para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.

Dados da SES (Secretaria de Estado de Saúde) mostram que o Estado recebeu 241.030 doses da vacina e já aplicou 223.322. Desse total, 147.123 correspondem à primeira dose (D1) e 88.420 à segunda dose (D2). A cobertura vacinal alcança 73,79% para a primeira aplicação e 44,34% para a segunda. Entre a população-alvo, foram aplicadas 201.349 doses.

Em Campo Grande, a vacinação com a Qdenga chegou a ser ampliada temporariamente para pessoas de 4 a 59 anos em janeiro do ano passado. A medida teve o objetivo de evitar a perda de doses próximas ao vencimento. No entanto, devido ao estoque limitado, apenas 3.139 pessoas receberam a primeira dose antes que a campanha retornasse ao público prioritário.

Dourados também teve destaque na estratégia de imunização contra a dengue. Em 2023, o município se tornou a primeira cidade brasileira a realizar uma vacinação em massa com a Qdenga, após receber doses suficientes para imunizar cerca de 150 mil moradores com idade entre 4 e 59 anos e 11 meses. Já neste ano, em meio a uma epidemia de chikungunya, o município recebeu apenas 70 doses da Butantan-DV, destinadas exclusivamente a profissionais de saúde.

Por que a vacina foi suspensa?

Vacina contra a dengue
Vacina contra a dengue. (Divulgação/Instituto Butantan)

A suspensão da Butantan-DV pelo Ministério da Saúde de forma preventiva após a identificação de 42 eventos adversos em pessoas vacinadas em diferentes regiões do país. Entre os registros, três estão classificados como graves, incluindo duas mortes que ainda estão sob investigação para apurar uma possível relação com o imunizante.

Apesar disso, o Ministério destaca que os casos representam cerca de 0,008% das aproximadamente 500 mil doses aplicadas até 30 de maio. Até o momento, não há comprovação de vínculo causal entre os eventos registrados e a vacina.

Em Mato Grosso do Sul, foram recebidas 15.200 doses da Butantan-DV, das quais 7.333 já foram aplicadas em grupos específicos. O Estado registrou 137 notificações de ESAVI (Eventos Supostamente Atribuíveis à Vacinação ou Imunização), mas todas foram consideradas reações leves. Parte das investigações já foi concluída, enquanto os demais casos seguem em análise, conforme os protocolos do Ministério da Saúde.

Em Campo Grande, foram aplicadas 1.033 doses da Butantan-DV, exclusivamente em profissionais da Atenção Primária à Saúde. Desse total, 56 pessoas apresentaram reações leves após a imunização, sem registro de eventos adversos graves.

“Por enquanto, a orientação é suspender o uso. Temos vacinas disponíveis na rede, porém elas permanecem armazenadas até uma nova definição do Ministério da Saúde, seja para recolhimento, manutenção da suspensão ou eventual retomada após a conclusão das investigações”, informou a Sesau.

A secretaria também orienta que pessoas vacinadas com a Butantan-DV observem possíveis sinais de alerta nos primeiros 21 dias após a aplicação. Sintomas leves, como dor no local da injeção e mal-estar, são considerados comuns. No entanto, febre persistente, dor abdominal intensa, vômitos contínuos ou sangramentos exigem atendimento médico imediato.

Segundo a pasta, quem não apresentar intercorrências nesse período não precisa se preocupar.

Entenda a diferença entre as vacinas

A Qdenga é indicada para pessoas entre 4 e 60 anos, independentemente de terem contraído dengue anteriormente. O esquema vacinal prevê duas doses, com intervalo de três meses entre elas. Já a Butantan-DV é aplicada em dose única e destinada a pessoas de 15 a 59 anos. O imunizante utiliza quatro vírus enfraquecidos para estimular a produção de anticorpos contra os sorotipos DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4.

Atualmente, a Butantan-DV vem sendo utilizada principalmente na imunização de profissionais da Atenção Primária do Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo médicos, enfermeiros e agentes comunitários de saúde. Mato Grosso do Sul está entre os estados que receberam doses para esse público.

As duas vacinas oferecem proteção contra os quatro sorotipos conhecidos do vírus da dengue.

‘Vacina aguardada há mais de uma década’

Veruska lembrou que a Butantan-DV passou por anos de pesquisas e testes antes de ser incorporada aos programas de imunização.

“A vacina foi desenvolvida ao longo de mais de 13 anos e já teve mais de 500 mil doses aplicadas no país. O número de eventos adversos investigados é muito pequeno diante do total de aplicações e dos benefícios oferecidos pela proteção contra a dengue”, destacou.

Segundo ela, não há qualquer indicação de perda de eficácia ou de comprometimento da segurança para quem já recebeu o imunizante.

Cenário da dengue é o mais tranquilo dos últimos anos

Além da vacinação, população deve seguir fazendo sua parte no combate ao Aedes aegypti. (Foto: Divulgação)

Em relação ao cenário epidemiológico, Campo Grande registra atualmente os menores índices de dengue dos últimos cinco anos. Conforme a Sesau, houve a notificação de pouco mais de mil suspeitas da doença em 2026, sem registro de óbitos ou casos graves.

A taxa de confirmação também é considerada baixa, com menos de 50 resultados positivos entre as notificações realizadas.

A secretaria afirma que a Capital não enfrenta epidemias de arboviroses há cerca de seis anos, embora as ações de vigilância, monitoramento e combate ao mosquito Aedes aegypti continuem sendo realizadas regularmente.

Já em Mato Grosso do Sul, duas mortes suspeitas por dengue seguem em investigação e, se confirmadas, serão os primeiros óbitos registrados pela doença no Estado em 2026. Dados do boletim epidemiológico da SES apontam que, desde o início do ano, foram contabilizados 5.134 casos prováveis de dengue, dos quais 1.184 tiveram confirmação laboratorial.

Em todo o país, já foram confirmadas 178 mortes por dengue, enquanto outros 221 óbitos seguem em investigação. O número de casos prováveis da doença já alcança 365.073 registros.

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