A economia do Paraguai deve permanecer estável mesmo após a quebra do Ueno Bank, conforme avaliação da Moody’s Ratings, agência de classificação de risco. Apesar da instituição ter tido as operações suspensas pelo BCP (Banco Central do Paraguai), o sistema financeiro do país pode ser recuperado desde que o processo seja rápido e ordenado.
Conforme informações da CNN Brasil, o Ueno Bank concentrava 8% dos empréstimos e 9% dos depósitos da economia paraguaia em setembro de 2026. Por isso, a crise que atinge o país, em meio à renúncia e prisão do ex-presidente Santiago Peña, é classificada como negativa pela Moody’s, pelo risco de atrasos ou perdas aos clientes com depósitos acima do limite garantido.
A instituição bancária é a maior em número de depositantes do país e, por isso, uma intervenção é rara neste tipo de banco. “A gente nem tem precedente na história recente aqui da região”, afirmou Daniel Girola, analista da agência de classificação de risco. “O que a gente sabe é que eles fizeram essa resolução justamente para evitar, para garantir que a solução para o banco seja feita de uma forma ordenada, de maneira rápida e para proteger também todos aqueles que têm recursos no banco”, explicou à CNN.
Segundo a lei do país, cerca de 97% dos clientes do banco cobertos pela garantia deveriam receber seus depósitos em até 15 dias, prorrogáveis por outros 15 dias. Porém, Girola afirma que o processo não é simples, já que os depositantes necessitam abrir conta em outro banco. “Desde que elas não percam a confiança no sistema financeiro, elas vão depositar o dinheiro delas em outros bancos que vão se beneficiar da entrada desses recursos”, completou o analista.
‘Banco Master’ paraguaio?
Em relação a similaridades com o caso do Banco Master, no Brasil, Girola afirmou que a semelhança está no impacto aos clientes e na maneira de realizar o ressarcimento. O Paraguai, assim como o Brasil, deve pagar os depositantes por meio do fundo equivalente ao FGC (Fundo Garantidor de Créditos) brasileiro.
Os recursos devem ser repostos pelos bancos do país ao longo do tempo, gradualmente, para diminuir os impactos ao sistema. Apesar disso, o Paraguai, na avaliação do analista, deve permanecer com fundamentos macroeconômicos fortes. “É um país que está crescendo bastante, inflação controlada, juros baixos, carga tributária baixa. Isso tudo se mantém a princípio”, declarou.
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