Aos 10 anos, Adenilda aprendeu uma técnica de artesanato que, anos mais tarde, voltaria a fazer parte da sua vida. Entre miçangas, ela transforma fios e cores em peças que ganham formas de animais, como onças e araras, e carregam parte da história do povo Terena de Mato Grosso do Sul.
O artesanato ficou de lado por cerca de uma década, mas o conhecimento permaneceu guardado na memória. Memória essa que vem do legado do pai, que ensinou a ela a técnica de tear com miçangas. Com o ensinamento dele, ela produz pulseiras, colar, brincos e chaveiros.
“Ele faleceu quando eu tinha 14 anos; já faz 19 anos. Morávamos na Aldeia Bananal, em Aquidauana. Meu pai resolveu sair da aldeia em busca de melhor qualidade de vida para nossa família, em Campo Grande“.
“Quando produzi a minha primeira peça, depois de muitos anos sem produzir, fiquei emocionada e muito feliz por não ter me esquecido de como fazia. Hoje, toda vez que produzo as peças, vem a lembrança do lugar onde ele ficava produzindo e do carinho dele com as peças que ele fazia”, descreve.
Há dois anos, Adenilda voltou a produzir as peças. No início, fazia por hobby e vendia para pessoas da comunidade e parentes indígenas. Depois, a atividade ganhou novos caminhos.

De geração a geração
A técnica, que antes estava somente com Adenilda, também passou a ser compartilhada dentro de casa. Ela ensinou a irmã, o irmão, sobrinhos, filhos e até o marido. Hoje, a produção é feita em família.
O retorno ao artesanato também trouxe uma emoção difícil de esconder. Ao produzir a primeira peça depois de tantos anos, Adenilda percebeu que a técnica continuava viva na memória.
Com o crescimento da produção, o artesanato passou a alcançar novos públicos. A família já recebeu estudantes internacionais da Universidade de Washington, dos Estados Unidos, que conheceram o trabalho e compraram peças.
Do hobby à marca
Adenilda também participa do Sebrae Delas, tornou-se MEI e conquistou o selo Made in Pantanal. As peças podem ser encontradas nas redes sociais; na Casa do Artesão, na Rua Calógeras, em Campo Grande; em uma loja de Bonito; e em feiras promovidas pelo Sebrae.
Em 2025, ela participou do curso Empreendendo o Futuro, realizado pela Aliança Empreendedora em parceria com a Suzano, voltado ao empreendedorismo com artesanatos tradicionais. Foi quando decidiu transformar a produção em negócio.
Outro recente reconhecimento aconteceu durante a programação do Pantanal Fashion Experience 2026, quando ela foi uma das palestrantes da oficina que ensinava gratuitamente a técnica de tear com miçangas.
“Fico muito feliz em poder compartilhar esse conhecimento para os meus familiares. Para mim, é muito importante continuar essa tradição que estava somente comigo, e hoje poder compartilhar com os meus alunos a técnica que aprendi; é muito gratificante. Através do nosso artesanato, mantemos viva a memória do meu pai, a nossa tradição, a minha história”, conclui.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)









