Enquanto é possível ver uma capivara com frequência em Campo Grande, para Elizete Ribeiro, de 52 anos, e o marido militar, João Mancilha, de 57 anos, a paisagem mudou bastante. Depois de mais de um ano vivendo em um motor home, o casal sul-mato-grossense já se acostumou a dividir caminho com ursos-negros, búfalos, águias e corvos.
De Bela Vista, mas moradores da Capital, os dois decidiram transformar a paixão por viagens em uma longa expedição sobre quatro rodas. A aventura começou em Mato Grosso do Sul e, desde então, já passou por 14 países e mais de 40 mil quilômetros rodados até chegar ao Alasca, nos Estados Unidos.
A viagem completou um ano no dia 2 de setembro. E, embora o casal já tenha iniciado o caminho de volta para casa, ainda não há uma data definida para o reencontro com Campo Grande. Atualmente, eles estão em Yellowknife, no Canadá, onde acompanham de perto o fenômeno da aurora boreal.
‘Amamos viajar’
Com cerca de 11 mil seguidores nas redes sociais, Elizete compartilha registros da rotina na estrada, os choques culturais e os desafios de viver durante tanto tempo em uma casa sobre rodas.
“Porque amamos viajar, principalmente para outros países. Queremos viver novas culturas, então decidimos viajar pelos países da América do Sul, Central e do Norte. Já tínhamos viajado de motor home por diversos países da América do Sul e resolvemos fazer esta mais longa”, conta.
O caminho até o extremo norte das Américas foi longo, segundo Elizete, incluindo uma boa parte do Brasil até a fronteira com o Peru. Agora, na volta, a viagem continua sem pressa.
“Recém começamos o retorno de volta para nossa base. Sem data para a chegada em CG. Pode ser rápido como pode demorar mais um ano.”

Vida na estrada
Viver em um motor home por tanto tempo exige planejamento, mas o casal encontrou uma maneira de manter os custos sob controle. A rotina inclui preparar a própria comida, fazer compras em supermercados e, sempre que possível, dormir em locais gratuitos.
“Os custos dependem muito do estilo de cada um. O nosso depende muito daquilo que vamos fazer: passeios, comer fora, supermercado, combustível. Mas, já adiantando, é uma viagem, digamos, econômica: faço nossa própria comida, fazemos muito Wild Camping — aliás, em mais de um ano de viagem, foram dois dias de camping pagos.”
Mais do que quilômetros, a expedição acumulou experiências que dificilmente caberiam em um roteiro turístico tradicional. Entre elas, está a passagem pelo Oceano Ártico, onde o casal permaneceu durante cinco dias em uma paisagem completamente congelada e sob a presença do sol por 24 horas.
“O que essa experiência ensinou? Podemos ser livres, somos capazes de superar qualquer coisa: tanto cultural como as regras e normas de cada país, incontáveis lugares maravilhosos que eu jamais pensei existir. Por exemplo, passar cinco dias no Oceano Ártico completamente congelado e sol 24h, foi surreal.”
A fauna também passou a fazer parte da rotina. O que, para quem vive em Campo Grande, pode ser um encontro inusitado com uma capivara, no norte do continente ganha outra dimensão. Por lá, o casal encontrou animais que normalmente só aparecem em documentários ou passeios turísticos: ursos-negros, búfalos, águias e corvos. “Se você respeita o espaço do outro, dificilmente você entrará em problemas”, afirma.
Casa sobre rodas
Para Elizete, talvez uma das maiores diferenças esteja justamente na sensação de liberdade proporcionada pelo motor home. Não existe a necessidade de correr para chegar ao hotel, cumprir horário de check-in ou voltar para casa antes de determinado horário.
“Viajar em um motor home é uma experiência incrível! Você tem a liberdade de escolher os lugares, sem horários e pressa para voltar, afinal, você tá em casa.”
Logo, depois de atravessar o continente, conhecer novas culturas, enfrentar milhares de quilômetros e passar dias no Ártico, a volta para casa também faz parte da aventura. Só não precisa ser apressada.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)











