Antes mesmo de aprender a identificar modelos de aeronaves ou entender os detalhes de operações aéreas, Arthur Drusian, de 19 anos, descobriu que havia algo diferente quando olhava para um avião. Ainda criança, durante uma visita ao cockpit de uma aeronave, o campo-grandense teve uma experiência que se tornou uma das primeiras lembranças de uma paixão que só aumentaria com o tempo.
Os anos se passaram e hoje ele é um spotter de aviões: ou seja, uma pessoa apaixonada por aviação, que tem como hobby observar, fotografar e registrar informações sobre aeronaves, modelos, matrículas, companhias aéreas e rotas.
Basicamente, os spotters frequentam aeroportos. Eles se posicionam em locais estratégicos, como cabeceiras de pistas ou mirantes oficiais, para acompanhar pousos e decolagens.
Usam desde celulares até câmeras profissionais com lentes teleobjetivas para capturar imagens nítidas dos detalhes dos aviões. Geralmente, publicam suas fotos em redes sociais ou em sites especializados, ajudando a documentar a história da aviação.

Morador de Campo Grande (MS), Arthur diz ao Jornal Midiamax que é difícil apontar exatamente quando nasceu sua paixão por esse universo. A visita à cabine de um avião na infância, porém, é lembrada como um marco.
Depois daquele contato, a aviação passou a ganhar um espaço cada vez maior em sua vida, mas o hobby surgiu mesmo durante o Tápio 2023 – maior exercício de guerra irregular da América Latina, realizado pela Força Aérea Brasileira (FAB) na Base Aérea de Campo Grande, que trouxe um treinamento aéreo com muitos aviões de fora para o céu da Capital.
De lá para cá, o rapaz já ficou conhecido na cidade por registrar as mais diversas aeronaves que passam pelo aeroporto da cidade, das mais comuns às mais diferenciadas, e frequentemente é visto na Orla do Aeroporto executando essa atividade.
“Fotografar aeronaves é um hobby, mas a aviação é a minha vida”, afirma Drusian, que concilia a dedicação extrema à aviação com a graduação de Administração e um curso preparatório de piloto.
Pra ser spotter é só apertar o botão da câmera?
Nesse caminho, ser um spotter foi uma maneira dele estar próximo do universo que fará parte de sua trajetória profissional. Embora muitas pessoas associem a atividade simplesmente à fotografia de aviões, Arthur entende que existe uma diferença entre observar uma aeronave e conhecer o que está sendo observado.
A palavra “spotter” tem origem no século passado e ganhou uma utilização específica durante a Segunda Guerra Mundial, quando observadores eram incentivados pelos governos a acompanhar movimentações de aeronaves militares e utilizar essas informações. Com o passar das décadas, o termo passou a fazer parte também da cultura dos entusiastas da aviação.
Para o campo-grandense, qualquer pessoa que observa aeronaves pode ser considerada um spotter. No entanto, o entusiasta que produz conteúdo precisa ir além. Conforme Arhtur, é necessário entender os tipos de aeronaves, conhecer operações, acompanhar exercícios e ter conhecimento suficiente para que a fotografia seja transformada em informação.
“Spotter, para mim, e aqui estou falando de quem produz conteúdo, é aquela pessoa que entende tanto de como fazer uma boa foto quanto possui bagagem e conhecimento de aviação, podendo transmitir essas informações por meio do conteúdo que foi produzido”, define ele, que compartilha tudo em sua página @brazilianspotter_ no Instagram, referência local no assunto.
O que é preciso para ser um spotter em Campo Grande
E, para começar, nem é preciso ter uma câmera profissional. O rapaz garante que o primeiro passo pode ser com um simples celular capaz de produzir registros interessantes para quem está iniciando.
Ele diz que equipamentos profissionais podem sim melhorar o resultado da atividade, mas também demandam um investimento financeiro considerável. Por isso, é importante não transformar os dispositivos em um empecilho e, antes de comprar lentes, câmeras etc., o interessado pode simplesmente começar observando.
O céu de Campo Grande como cenário
Depois de decidir direcionar seu conteúdo para a aviação militar, Drusian passou a acompanhar com maior atenção as atividades realizadas na Capital. Parte das fotografias é feita na orla do aeroporto e, quando há autorização, também dentro de instalações militares.
A movimentação aumenta especialmente durante os exercícios realizados pela FAB (Força Aérea Brasileira), já que Campo Grande recebe algumas dessas operações ao longo do ano, e é nesses períodos que Arthur costuma intensificar os registros.
Ele relata que essa rotina exige atenção, pois uma aeronave pode aparecer, uma operação pode mudar e uma oportunidade de registro pode surgir de maneira inesperada. Por isso, seu hobby também exige disponibilidade e organização para conciliar as oportunidades com os demais compromissos do dia a dia.
Portas que se abriram
O hobby como spotter acabou levando o campo-grandense para lugares que ele próprio não imaginava conhecer. Entre as experiências mais marcantes, está a oportunidade de acompanhar de perto as operações do CCO (Centro de Controle Operacional) da GOL Linhas Aéreas.
Também vieram experiências ligadas à aviação militar, como o acompanhamento de operações noturnas da Aviação do Exército e a participação no acompanhamento do exercício internacional Cooperación XI. Cada oportunidade também acrescenta algo à formação do jovem que pretende ser piloto.
Por enquanto, porém, Arthur continua sendo estudante e mantém a fotografia de aeronaves como lazer. A atividade ainda está longe de se tornar uma profissão e, nesse processo, a família tem papel importante. Ele conta que recebe apoio dos familiares, que participam de diferentes maneiras da atividade. Desde o início, alguns contribuem com fotos e vídeos, enquanto outros acompanham os deslocamentos e eventos.
Arthur quer trabalhar no céu
A fotografia atualmente é apenas uma imersão que o aproxima do objetivo de se tornar piloto de avião. Assim, antes mesmo de assumir os comandos de uma aeronave, o rapaz já encontrou uma maneira de viver a aviação no cotidiano. “Isso é a minha vida, desde o momento em que decidi me um tornar piloto”, destaca.
Por fim, compartilha que uma de suas maiores inspirações é o suboficial Johnson Barros, da Força Aérea, tendo o trabalho dele como uma referência dentro do universo que acompanha e admira. “Um dia eu chego lá”, finaliza.

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(Revisão: Dáfini Lisboa)











