Aos dois anos, Gael deveria estar descobrindo o mundo e aproveitando cada momento da infância na Irlanda. O pequeno e os pais, Beatriz Lima, de 21 anos, e Luan Rodrigues, deixaram Mato Grosso do Sul em busca de oportunidades de vida há um ano.
Mas, há cerca de um mês, a rotina da família passou a girar em torno de hospitais, exames e sessões de quimioterapia após Gael ser diagnosticado com leucemia. Longe dos parentes e sem conseguir trabalhar, o casal enfrenta o tratamento do filho, com leucemia em estágio 4, e pede ajuda para conseguir se manter no país e arcar com os custos do tratamento.
A história viralizou nas redes sociais após ser compartilhada pelo influenciador digital Felipe Carvalho, conhecido por contar histórias da comunidade de intercambistas e imigrantes brasileiros. O vídeo alcançou 112 mil visualizações no Instagram.
Beatriz conta que a barriga do menino começou a inchar, acompanhada de episódios de diarreia. O primeiro diagnóstico foi de giardíase, uma infecção intestinal. Gael tomou a medicação prescrita durante sete dias, mas não melhorou. Vieram novas idas ao hospital, outra suspeita, dessa vez de alergia à proteína do leite, e mudanças na alimentação. Ainda assim, o abdômen continuava aumentando.
Diagnóstico
A mãe percebeu que o filho também estava mais cansado, fraquinho e com dificuldade para respirar. Ela insistia na realização de uma ultrassonografia, mas o exame não saía. Segundo ela, foram aproximadamente oito atendimentos entre hospitais e consultas com clínicos gerais, incluindo duas internações, até que conseguisse descobrir o que estava acontecendo.
A espera fez Beatriz pensar em voltar ao Brasil para investigar a saúde do filho. Ela chegou a procurar passagens, mas a situação clínica de Gael tornava uma viagem cada vez mais difícil.
“Eu não estava preparada para essa notícia [sobre a leucemia], mas já estava me preparando para algo sério. Pensei em ir para o Brasil, porque, se eu chegasse lá, ia conseguir uma ultrassonografia e não ia precisar me humilhar. A leucemia dele está no intestino e já está na medula óssea; está se espalhando muito rápido.”
A decisão de procurar atendimento no Hospital Infantil de Dublin acabou mudando o rumo da investigação. Durante uma consulta, a médica se preocupou com o tamanho da barriga de Gael, realizou uma ultrassonografia e encaminhou o menino imediatamente ao hospital.
O exame levantou a suspeita de linfoma e leucemia. Em 8 de outubro, Gael foi transferido para o hospital infantil de Crumlin, onde chegou a ser levado diretamente para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Depois de uma cirurgia de emergência e uma biópsia, veio a confirmação do câncer em estágio 4.
Rotina hospitalar
A quimioterapia começou há pouco tempo, no dia 12 de outubro. Na primeira etapa, o menino teve uma reação que exigiu cuidados intensivos. Agora, já fora da UTI e novamente no quarto da enfermaria, segue com o tratamento.
“Essa primeira etapa foi bem desafiadora, porque ele teve uma reação e foi para a UTI, mas já estamos no quarto da enfermaria novamente”, relatou Beatriz ao Jornal Midiamax.
Jovem, Beatriz vive a experiência de acompanhar o tratamento do filho em outro país, sem a presença dos familiares e sem a rede de apoio que teria no Brasil. Luan também precisou se afastar do trabalho. Os dois estão dedicados aos cuidados de Gael, enquanto as despesas continuam chegando.
“Estamos afastados do serviço para cuidar melhor do nosso filho. Tem sido dias difíceis, de lutas e desafios, mas, pelo nosso filho, passamos pelo que for necessário”, afirmou.

Esperança
Mesmo com a rotina de internações e a preocupação com o futuro, Beatriz tenta se apoiar nas orientações médicas e na possibilidade de recuperação do menino. Segundo ela, os médicos informaram que as chances de cura são de 80%.
“Hoje, não queremos viver pensando no que poderia ter sido diferente ou em tudo o que aconteceu até chegarmos ao diagnóstico. Nosso foco agora é cuidar do nosso menino, oferecer todo o amor, carinho e segurança de que ele precisa e estar ao seu lado em cada etapa desse tratamento. O Gael precisa da gente. E nós estaremos aqui. Em cada sessão de quimioterapia. Em cada exame. Em cada noite difícil.”
“Em cada lágrima e em cada pequena vitória. Porque, antes de qualquer coisa, somos os pais dele. E, se existe algo que faremos todos os dias, é lutar ao seu lado com todo o amor que existe em nós. Meu filho, você ainda é tão pequeno para enfrentar uma batalha tão grande. Se eu pudesse, tiraria toda essa dor de você e colocaria em mim. Mas, já que não posso, prometo segurar sua mão em cada passo desse caminho. Você nunca estará sozinho.”
Além da preocupação com a saúde de Gael, o casal agora precisa de ajuda para custear as despesas diárias enquanto permanece no hospital. Amigos organizaram uma campanha de arrecadação para que os pais consigam atravessar esse período sem precisar se afastar do filho por questões financeiras.
“A nossa história ganhou um capítulo que jamais gostaríamos de escrever, mas ela ainda não acabou. E nós acreditamos que teremos muitos outros capítulos pela frente, cheios de saúde, alegria e momentos felizes. Hoje, seguimos um dia de cada vez. Com medo, sim. Com o coração apertado, também. Mas, acima de tudo, com fé, esperança e amor”, relata.
Como ajudar
As doações podem ser feitas por meio de uma vaquinha on-line organizada pela família — clique aqui. Em Mato Grosso do Sul, amigos do casal também promovem uma rifa, com números vendidos a R$ 10.
Quem quiser contribuir pode entrar em contato com Amanda, amiga da família, pelo WhatsApp (67) 99802-0867, ou com Beatriz, pelo WhatsApp +353 83 891 5419.

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(Revisão: Dáfini Lisboa)









