Cigarra-zumbi? O inseto foi encontrado em Campo Grande com apenas metade do corpo. Conhecida pelo canto estridente durante os meses mais quentes do ano, a cigarra ainda resistia à morte e continuava se movimentando.
Cigarra se regenera? A resposta é não. De acordo com o biólogo José Milton Longo, a cigarra, por ser um artrópode, não consegue regenerar uma parte do corpo perdida. Esses animais possuem exoesqueleto rígido e apêndices articulados, características que limitam esse tipo de regeneração.
“Ela [cigarra do vídeo] ainda tem alguma parte do sistema nervoso responsável pela percepção tátil e pela movimentação que está ativa. Mas ela vai perder essa função e acabar morrendo”, explica.
Segundo Longo, a perda de parte do corpo compromete o funcionamento do organismo. Entre as consequências, está a dificuldade de manter o equilíbrio de líquidos, o que pode levar à desidratação e, posteriormente, à morte do inseto.
Ataque
O inseto foi atacado por um bem-te-vi, mas continuou vivo. Vale lembrar que, ao contrário dos humanos, o cérebro dos insetos não controla sozinho todas as funções do corpo. Eles possuem “gânglios nervosos” distribuídos pelo tórax e pelo abdômen, conforme o Laboratório de Entomologia da Universidade Estadual de Goiás.
Como o coração e os gânglios do tórax, onde estão localizadas as pernas e as asas, ainda permanecem intactos, o inseto consegue continuar respondendo a estímulos e se movimentando por horas ou até dias, sem que a perda de parte do corpo interrompa imediatamente essas funções.
Embora o tempo de vida varie entre as diferentes espécies de cigarras, a fase adulta costuma durar apenas algumas semanas. No Brasil, o ciclo de vida total das cigarras pode levar de um a dois anos, sendo que grande parte desse período é passada debaixo da terra.
Durante a fase subterrânea, que pode durar cerca de dois anos, a cigarra escava o solo e suga a seiva das raízes das árvores. Depois de sair da terra, o inseto adulto vive apenas de duas a quatro semanas. Nesse período, canta, acasala e deposita os ovos antes de morrer.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)






