As contas já não estavam mais batendo. O dinheiro não dava pra quase nada. E foi no desespero para dar melhores condições à filha de um aninho e à esposa que o jovem Alex Sanches, de 27 anos, decidiu largar o emprego de carteira assinada para vender café e pão caseiro na rua, em Campo Grande (MS).
Muitos considerariam sua atitude uma loucura impensável, mas ele diz que esta foi a melhor escolha da vida. Há dois meses, o rapaz, que trabalhava como garçom, jogou a formalidade trabalhista para o ares. Inspirado em muitos outros jovens que têm feito sucesso vendendo café no semáforo Brasil afora, o campo-grandense quis arriscar.

Resultado: a vida financeira já melhorou e o cafezinho virou sua única fonte de renda. “Fiz isso pois não queria mais trabalhar como CLT, já não estava mais suprindo as contas dentro de casa. Sempre busquei melhorias na minha vida, já não aguentava mais ver as coisas dentro de casa acabando. Então decidi pra mim mesmo que aquilo nunca mais aconteceria”, conta ao Jornal Midiamax.
E assim nasceu o “Café do Ale”. “Saí do trabalho onde eu estava, sem um real no bolso, só com a esperança de que tudo ia dar certo. Até comentei com algumas pessoas, algumas riram, disseram que era loucura sair do trabalho e ir vender café no sinal, mas eu sempre acreditei em mim e sempre coloquei Deus na frente de tudo. Eu tinha apenas uma bicicleta e um sonho”, reflete.
Um anjo no caminho e a rotina puxada
Para iniciar a empreitada, o jovem contou com a ajuda de amigo irmão que doou os materiais necessários. “Contei a um amigo chamado Leandro que queria começar a vender café e, sem questionar, ele perguntou qual era o orçamento para comprar as coisas. Quando menos esperei, ele mandou tudo lá pra minha casa. Fiquei muito feliz, pois não esperava aquilo”, recorda.
Com uma bicicleta, três garrafas, um cooler e 30 copos, encarou o desafio e viu sua vida mudar. Morador do bairro Taveirópolis, em Campo Grande, Alex escolheu a rotatória da Rua General Nepomuceno Costa com Avenida Afonso Pena e a Avenida Tiradentes, próximo ao CMO (Comando Militar do Oeste) como ponto.
Desde então, a rotina tem sido puxada, mas compensatória, segundo ele. “Eu mesmo faço o café, acordo às 4h50 da manhã, preparo as garrafas e 6h15 já estou no local vendendo. Os pães também sou eu mesmo que faço”, afirma.

A chave virou: “O que eu ganhava em 8 horas fiz em apenas uma hora na rua”
À noite, o trabalho continua, mas em um posto de gasolina, onde o jovem realiza as mesmas vendas. “De primeira, não pensava em fazer ponto naquele local, meus planos eram outros. Porém, fui para onde eu tinha planejado, fiquei 30 minutos e não vendi um café se quer. Já estava desanimando, pois era meu primeiro dia, aí decidi trocar de semáforo”, relembra.
“Com a troca, deu certo, a chave girou e fiz acontecer. Em menos de uma hora vendi três garrafas de café. Fiquei feliz demais, pois o que eu ganhava em 8 horas de trabalho fiz apenas em 1 hora. Ali eu vi que aquilo mudaria minha vida pra sempre”, revela.
Nesses dois meses, Alex, inclusive, já conseguiu fidelizar a clientela. “Os clientes gostam bastante, até ficam bravos quando falto ou chego atrasado. Muitos até mudaram sua rota de trabalho só para passar e tomar um cafezinho do Ale. Vendo bastante, graças a Deus”, comemora.
Hoje, o rapaz está satisfeito e nada arrependido da “loucura” de largar a carteira assinada. “Muita diferença… o que eu ganhava em 1 mês de trabalho ganho em 1 semana vendendo os pães e café. Sair do CLT foi a melhor escolha que eu fiz”, finaliza.

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