A partir desta segunda-feira (15) até quinta-feira (18), o MIS (Museu da Imagem e do Som de Mato Grosso do Sul) promove a Semana do Cinema Japonês, com sessões gratuitas sempre às 19h, na Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, 3º andar do Memorial da Cultura e Cidadania, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, 559, Centro de Campo Grande.
As exibições serão seguidas de debates educativos abertos ao público. A mostra reúne produções de diferentes épocas e estilos, oferecendo um amplo panorama sobre a sociedade, a história e os valores culturais do Japão.
Com curadoria do cinéfilo e estudioso da história e cultura japonesas Celso Higa e do professor dos cursos de Audiovisual e Jornalismo da UFMS Júlio Bezerra, a programação foi pensada como um convite à reflexão sobre a identidade japonesa em suas múltiplas dimensões.
A programação faz parte das celebrações da Semana da Imigração Japonesa, homenageando o legado construído pelos imigrantes e seus descendentes ao longo de mais de um século. As obras exibidas foram produzidas entre as décadas de 1950 e 2000.
Os filmes evidenciam diferentes aspectos desse país tão único, mostrando relações entre juventude e diversidade cultural, as cicatrizes da guerra, dramas familiares e narrativas históricas inspiradas no período feudal.
“Em Mato Grosso do Sul, segunda maior colônia japonesa do Brasil, a cultura nipo-brasileira deixou marcas profundas na agricultura, na educação, nas artes e nos costumes. A programação convida o público a uma viagem pelas narrativas, memórias e valores, celebrando uma herança que continua viva no cotidiano sul-mato-grossense”, pontua o MIS.
Confira a programação
A abertura da mostra, no dia 15 de junho, acontece com “Linda, Linda, Linda (2005)”, do diretor Yamashita Nobuhiro. A comédia musical acompanha três estudantes que convidam uma intercambista sul-coreana para assumir os vocais de sua banda às vésperas de um festival escolar. Com sensibilidade e humor, o filme aborda temas como amizade, juventude, convivência intercultural e a força da música como linguagem universal, refletindo uma sociedade japonesa contemporânea cada vez mais conectada ao mundo.
No dia 16, será exibido “Fogo na Planície (1959)”, clássico dirigido por Kon Ichikawa. Ambientado nos últimos dias da Segunda Guerra Mundial, o longa acompanha soldados japoneses abandonados nas Filipinas e confrontados com a fome, a solidão e o colapso dos valores da guerra. Considerada uma das mais importantes obras pacifistas do cinema japonês, a produção oferece uma reflexão profunda sobre os traumas do conflito e a reconstrução moral do Japão no pós-guerra.
A programação segue no dia 17 com “Nuvens Dispersas (1967)”, último filme do renomado diretor Mikio Naruse. O drama explora sentimentos de perda, culpa e redenção por meio da relação entre uma viúva e o homem responsável pela morte de seu marido. Ao retratar conflitos familiares, expectativas sociais e transformações nas relações humanas, a obra revela aspectos da vida cotidiana japonesa e da delicada complexidade emocional presente em grande parte da cinematografia do país.
Encerrando a mostra, no dia 18, será exibido “O Castelo da Coruja (1999)”, dirigido por Masahiro Shinoda. Ambientado no período feudal, o filme acompanha uma trama de vingança envolvendo guerreiros e figuras históricas ligadas aos processos de unificação do Japão. A narrativa permite ao público entrar em contato com elementos marcantes da cultura japonesa tradicional, como os códigos de honra, as disputas de poder e o imaginário dos ninjas e samurais, presentes até hoje na memória cultural do país.

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(Revisão: Nichole Munaro)






