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Polícia

Mais de 50 pessoas morreram neste ano em confronto com a polícia em Mato Grosso do Sul

Por outro lado, familiares sofrem com a dor da perda das vítimas
Layane Costa, Lívia Bezerra -
(Foto: Pietra Dorneles, Midiamax)

Somente nos primeiros meses de 2026, Mato Grosso do Sul já registrou 52 mortes em decorrência de intervenção legal de agentes do Estado. Em um comparativo com 2025, que fechou com 73 casos, os números mostram que 2026 já atingiu 71,23% dos registros do ano passado.

Os dados estão disponíveis no Sigo Estatística, da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública). As mortes por intervenção legal de agente do Estado são aquelas popularmente conhecidas como letalidade policial ou associadas a confrontos, englobando óbitos decorrentes de ações de segurança pública.

Para a reportagem, a Secretaria de Segurança esclareceu que os confrontos estão relacionados às circunstâncias enfrentadas pelas equipes durante as ocorrências. “Os confrontos ocorreram em situações nas quais houve reação armada à atuação policial.”

Dados obtidos na sexta-feira (12). (Fonte: Sejusp)

Em apenas 10 dias, Mato Grosso do Sul chegou a registrar 11 mortes em decorrência de confrontos. As intervenções estão distribuídas por várias regiões. Os últimos registros foram em Campo Grande, Rio Verde do MT, , , Sidrolândia, , Coxim e Aparecida do Taboado.

Os confrontos ocorrem durante ações policiais. (Foto: Madu Livramento, Midiamax)

A dor de quem fica

Apesar dos casos envolverem pessoas que supostamente estão vinculadas ao mundo do crime, a dor de um confronto é sentida por familiares que ficam e precisam aprender a conviver com o luto e a saudade diária. Nesse sentido, a reportagem do Jornal Midiamax conversou com Paula*, que recentemente perdeu um dos seus quatro filhos durante uma intervenção policial.

Bastante abalada e em tratamento com remédios controlados, a mulher tenta encontrar forças para seguir a vida. “Eu preferia que ele fosse morto por um bandido do que por eles [policiais]. A perseguição era muita. Sabia que iria acabar assim, mas não imaginava que seria tão cruel. Eu nunca passei a mão na cabeça dele, nunca fui a favor”, contou Paula*.

A mulher relembrou as vezes em que o filho foi preso e ela precisou acompanhar as prisões. Ela reconhece a vida que o filho levava, mas também fala sobre a atuação da equipe. “O dever deles é levar preso; eles prendiam e o juiz soltava. Ele fazia [coisas erradas], não estou falando que ele não fazia, que era bonzinho. Ele fazia. Fazia poucos dias que ele tinha saído do semiaberto”, relembrou.

“Hoje o meu dia está sendo em cima de uma cama, vivendo à base de remédios fortes. Eu enterrei o meu filho, uma dor muito grande. Eles [policiais] poderiam ter prendido. A justiça que eu espero é a de Deus, eu não espero a do homem”, lamentou.

*Nome fictício para fins de preservação de identidade.

Tentativa de invasão do CV

A reportagem questionou a Sejusp se os números de abordagens que terminaram em morte poderiam estar relacionados à tentativa de invasão do CV (Comando Vermelho) em Mato Grosso do Sul. Em resposta, a secretaria informou que as forças de segurança atuam com treinamento e armamento de ponto “para garantir não apenas a vida e integridades dos policiais, mas, principalmente, salvaguardar a sociedade sul-mato-grossense”.

Já na tarde de sexta-feira (12), durante uma coletiva de imprensa, o delegado Roberto Guimarães, que atua no Garras (Delegacia de Repressão a Roubo a Banco, Assalto e Sequestros), falou sobre a atuação específica do departamento na região norte do Estado. Lá, há uma tentativa de tomada de território por parte da facção criminosa CV (Comando Vermelho), predominante no estado de Mato Grosso. Atualmente, o PCC (Primeiro Comando da Capital) exerce maior domínio em Mato Grosso do Sul.

“Em razão disso, estão acontecendo vários episódios de homicídios na região norte do Estado. Em razão de todo esse cenário, o Garras vem sendo designado para atuar nesta região norte, no combate a esse avanço de tentativa de tomada de território dessa facção criminosa”, pontuou o delegado.

Delegado Roberto Guimarães. (Foto: Léo de França, Midiamax)

No mês passado, um homem de 34 anos morreu em confronto com policiais durante uma ação na cidade de Coxim. Ele era apontado como integrante do Comando Vermelho.

Segundo o boletim de ocorrência, o suspeito, que estava desembarcado da motocicleta, tentou adentrar a residência durante a abordagem e atirou contra os policiais. Houve confronto e o faccionado foi ferido por disparos de arma de fogo.

O que diz a PMMS?

“A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul (PMMS) reforça seu compromisso com a segurança da população e atua de forma contínua e estratégica em todo o território estadual, por meio do policiamento ostensivo, com foco na preservação da ordem pública e na proteção da sociedade.

As ações desenvolvidas pela instituição são pautadas pelo planejamento operacional e pelo acompanhamento constante dos indicadores de segurança, com o emprego do efetivo conforme as demandas identificadas em cada região. A PMMS trabalha diuturnamente na prevenção de delitos e no combate à criminalidade, utilizando estratégias operacionais, patrulhamento preventivo e ostensivo, além de ações integradas com outras forças de segurança.

Por meio de investimentos constantes em novas viaturas, tecnologia e inteligência policial, a Corporação tem fortalecido o trabalho das equipes, proporcionando maior eficiência no enfrentamento à violência e contribuindo para a redução dos índices criminais no Estado.

No que se refere aos questionamentos apresentados, a Polícia Militar ressalta que mantém atuação permanente no enfrentamento à criminalidade, por meio de ações preventivas e repressivas, sempre dentro dos limites legais e institucionais, permanecendo vigilante e atuante diante de quaisquer cenários que demandem a presença policial.”

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(Revisão: Nichole Munaro)

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