Ketelyn Kauane Ferreira Lima, de 27 anos, viralizou nas redes sociais ao mostrar a avó, Maria Olinda de Lima, de 81 anos, vivendo as pequenas liberdades da vida após terminar um relacionamento abusivo. Moradoras de Campo Grande, neta e avó estão morando juntas e descobrindo até a paz de comer o primeiro lanche.
O vídeo publicado pela jovem alcançou 5,7 milhões de visualizações no TikTok e quase três mil comentários no Instagram. Ketelyn conta que a avó e o ex-companheiro estavam juntos há mais de 15 anos. Ela relata que a família era constantemente afastada pelo idoso e, portanto, ficavam dias sem se comunicar.
“Ele era uma pessoa nojenta. Várias vezes, tentei ficar perto dela, mas ele nos expulsava. Eles se casaram quando eu tinha 12 anos, era criança, então não tinha como fazer muita coisa por ela. Ele sempre maltratava ela. Chegou a bater nela, mas a gente não sabia. Ficamos sabendo só depois”, descreve.
Curando traumas
A separação foi definitiva em janeiro deste ano, quando o idoso sofreu um derrame e precisou ficar internado. Ketelyn diz que foi nesse período que a família conseguiu se aproximar novamente da avó e descobriu algo terrível que abalou os netos.
“Quando ele saiu do hospital, minha avó continuou cuidando dele. Veio um neto dele para cuidar dele, mas ele ficou com ciúme da minha avó. Quando ele tentou bater nela com um pedaço de madeira, o neto não deixou. Ele disse para ela pegar as coisas e procurar ajuda da minha mãe. Minha mãe levou ela para a casa da minha irmã, que é mais longe e dificultou que ele fosse atrás dela.”
“Ela não estava andando bem, estava mal de saúde. Minha irmã levou ela à delegacia para pedir medida protetiva. Descobrimos que, no dia em que ele teve o derrame, ele tinha abusado dela. Ele mordeu, abusou sexualmente, bateu, e por isso ela estava sem andar. Até então, não sabíamos que ela passou por isso.”
Liberdade
Após enfrentar o amargo de uma relação abusiva, agora, a família se une para cuidar da idosa e proporcionar “primeiras vezes de liberdade”, como passeios no shopping, comidas e presentes. Ketelyn compartilha pelas suas redes sociais a rotina dela com a avó, que estão vivendo juntas novamente.
“Depois da delegacia, levamos ela ao hospital. Minha avó ficou internada quase um mês na CTI. Os médicos falaram para a gente se despedir, porque ela não ia sair do hospital, mas, glória a Deus, ela saiu. Ela sofreu aneurisma, tem veia no coração que está quase se rompendo. A pressão dela não pode aumentar, porque, a qualquer momento, ela pode partir.”
A idosa e a família seguem na Justiça para concluir a separação e a divisão de bens. “Às vezes, eles [idosos] acham que vão ser um peso se pedirem ajuda, mas, na verdade, é a maior alegria”, conclui Ketelyn ao descrever a avó novamente fazendo parte da sua rotina.
📍 Onde buscar ajuda em MS
Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileira está localizada na Rua Brasília, s/n, no Jardim Imá, 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana.
Além da Deam, funcionam na Casa da Mulher Brasileira a Defensoria Pública; o Ministério Público; a Vara Judicial de Medidas Protetivas; atendimento social e psicológico; alojamento; espaço de cuidado das crianças – brinquedoteca; Patrulha Maria da Penha; e Guarda Municipal. É possível ligar para 153.
☎️ Existem ainda dois números para contato: 180, que garante o anonimato de quem liga, e o 190. Importante lembrar que a Central de Atendimento à Mulher – 180 é um canal de atendimento telefônico, com foco no acolhimento, na orientação e no encaminhamento para os diversos serviços da rede de enfrentamento à violência contra as mulheres em todo o Brasil, mas não serve para emergências.
As ligações para o número 180 podem ser feitas por telefone móvel ou fixo, particular ou público. O serviço funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive durante os fins de semana e feriados, já que a violência contra a mulher é um problema sério no Brasil.
Já no Promuse, o número de telefone para ligações e mensagens via WhatsApp é o (67) 99180-0542.
📍 Confira a localização das DAMs, no interior, clicando aqui. Elas estão localizadas nos municípios de Aquidauana, Bataguassu, Corumbá, Coxim, Dourados, Fátima do Sul, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas.
⚠️ Quando a Polícia Civil atua com negligência, má vontade ou comete erros, é possível denunciar diretamente na Corregedoria da Polícia Civil de MS pelo telefone: (67) 3314-1896 ou no Gacep (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial), do MPMS, pelos telefones (67) 3316-2836, (67) 3316-2837 e (67) 9321-3931.
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(Revisão: Nichole Munaro)










