O presidente do Paraguai, Santiago Peña, publicou nas suas redes sociais uma mensagem falando sobre sua renúncia, em tom de despedida, na noite desta sexta-feira (6). A mensagem foi publicada na rede social X.
Na publicação, Peña diz que apresentou a renúncia para “evitar mais danos ao país e contribuir para devolver a tranquilidade ao Paraguai”. Ele acrescenta dizendo que não quer que sua presença seja motivo de “maior divisão ou instabilidade”, afirmando que sua responsabilidade é “colocar o país acima de seu destino pessoal”.
O presidente paraguaio também informou que se despede do país “sem ignorar a angústia daqueles que hoje aguardam respostas”.
A mensagem ocorre em meio a uma votação no Senado sobre o pedido de impeachment contra Peña, acusado de estar envolvido em irregularidades ligadas ao Ueno Bank, instituição que fechou na terça-feira (3), deixando milhões de pessoas sem acesso às suas contas bancárias.
A sessão na Casa teve início por volta das 10h da manhã nesta sexta-feira. Os advogados do presidente paraguaio alegam que o processo de impeachment é nulo, uma vez que ele apresentou sua renúncia às vésperas das sessões.
Confira a publicação:
Presenté mi renuncia para evitar más daño al país y contribuir a devolverle la tranquilidad al Paraguay. No quiero que mi presencia sea motivo de mayor división o inestabilidad. Mi responsabilidad es poner al país por encima de mi destino personal. Hoy nos toca unirnos como paraguayos para reconstruir la institucionalidad y recuperar la confianza. Me despido con gratitud, sin desconocer la angustia de quienes hoy esperan respuestas. Es momento de unir esfuerzos para reconstruir la institucionalidad y atender, con hechos y responsabilidad, a quienes están siendo afectados. Que Dios bendiga al Paraguay.
— Santiago Peña (@SantiPenap) November 6, 2026
Crise no ‘Master paraguaio’
A intervenção no Ueno Bank foi determinada pelo Banco Central do Paraguai na terça-feira (3), com o objetivo de “proteger os depositantes e preservar a estabilidade do sistema financeiro”.
A instituição, que possui mais de 3 milhões de clientes, passou a ser alvo de medidas dos órgãos reguladores em meio à crise financeira. A decisão provocou restrições de acesso aos recursos dos correntistas e ampliou a pressão política sobre o governo paraguaio.
Na Justiça, foi determinada a prisão de oito diretores do banco, entre eles, o presidente da instituição, Miguel Vázquez.
O episódio também desencadeou uma crise política envolvendo o presidente Santiago Peña, que já havia sido associado ao grupo empresarial controlador do banco. A repercussão aumentou a pressão sobre o governo e abriu caminho para uma tentativa de afastamento do mandatário.
Santiago Peña possuía participação acionária na Ueno Holding, grupo que controlava o Ueno Bank, mas se desvinculou da empresa em 2025. A relação societária passou a ser questionada pela oposição, que aponta possível conflito de interesses.
*Com informações da CNN Brasil
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