O filho da subtenente da PM (Polícia Militar) Marlene de Brito Rodrigues afirmou na tarde desta segunda-feira (15), durante audiência de instrução e julgamento do caso, que a mãe teria feito empréstimos em seu nome para Gilberto Jarson, ex-companheiro de Marlene. Gilberto é réu pelo feminicídio da militar, ocorrido no dia 6 de abril, no Estrela Dalva, em Campo Grande.
O réu deixou a sala antes do filho de Marlene iniciar o depoimento. Isso porque o filho afirmou que não se sentiria à vontade na presença dele. Assim, o juiz Aluízio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri, questionou sobre o endividamento da mãe e ele confirmou que ela já teria feito empréstimos para Gilberto.
“Lembrei de uma conversa dos dois e depois ela me confessou que estava fazendo empréstimos a juros. Minha mãe deixou escapar que um dos empréstimos que ela pegou era para ele, um capital para isso”, disse o filho.
O filho morou na residência onde Marlene morreu até novembro de 2025. Ele afirmou que, após ter saído de casa, percebeu que outros empréstimos foram realizados.
“Vimos que tinha muito mais empréstimos depois do período em que saí da casa, e todas as vezes que eu perguntava sobre o trabalho dele, era sempre resposta de que ele estava fazendo alguns orçamentos [ele era pedreiro]”, completou o filho.
Na mesma audiência, a delegada adjunta da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), Analu Lacerda Ferraz, falou que boa parte do salário da subtenente recebido pela PMMS (Polícia Militar do Mato Grosso do Sul) estava comprometida com empréstimos.
“Para mim, não ficam dúvidas de que ele não tinha estabilidade financeira. Vimos o contracheque. A subtenente tinha patente alta, mas estava recebendo cerca de R$ 2.500 porque o salário estava comprometido com consignados”, disse a delegada.
Inclusive, quando uma equipe da PM (Polícia Militar) realizou buscas na presença de Gilberto, apenas um cartão em nome da Marlene foi encontrado. “Ele disse que usava com o consentimento dela e que havia usado inclusive de manhã, em uma conveniência”, disse uma policial que participou da audiência.
Conteúdo pornográfico infantil
Em seu depoimento, a delegada adjunta da Deam, Analu Lacerda Ferraz, afirmou que foi encontrado conteúdo envolvendo pornografia infantil no celular de Gilberto.
“No local, foi dada a voz de prisão por feminicídio. Em análise das circunstâncias, ficou evidente a situação de feminicídio, além de estar preso por pornografia infantil”, relatou a delegada.
Três celulares ainda estão em extração de dados, sendo dois de Marlene — um funcional e outro pessoal —, além do celular do réu. No entanto, a delegada acredita que ele tenha apagado algumas mensagens, uma vez que não havia histórico de conversas que compreendessem todo o período em que se relacionaram.
“Foi feita a extração, e estou na fase de relatório. Vou confeccionar o relatório, mas só pelas mensagens, imagens e também o que ele mesmo informou, havia imagem de pornografia infantil. No decorrer de todo o relacionamento, eles não tinham histórico de conversa, a não ser daquele dia, o que me fez acreditar que ele apagou as outras mensagens antes”, afirmou a adjunta.

O caso
A militar foi morta a tiros na própria casa. Conforme a apuração do Jornal Midiamax na data da morte, o tiro que atingiu Marlene foi na região do pescoço. O principal suspeito é Gilberto Jarson, então namorado da mulher, que apresentou versões contraditórias sobre o caso.
Conforme detalhes da PM (Polícia Militar), um vizinho policial foi o primeiro a chegar ao local do crime. Outra vizinha ouviu o tiro e comunicou ao militar, que foi até a casa e encontrou Gilberto com as mãos ensanguentadas.
Segundo o soldado, ele questionou o suspeito sobre Marlene, mas Gilberto não respondeu. Como o portão estava trancado, o policial solicitou que o homem abrisse, mas ele demorou. Por isso, o militar pulou o muro da casa.
Gilberto estava falando ao telefone, com a arma na mão direita. Então, o PM ordenou que o namorado de Marlene soltasse a arma, um revólver, e ele a colocou em cima de um baú.
Quando o vizinho entrou na casa, Marlene ainda tinha sinais vitais. Então, ele acionou socorro via 192, 193 e 190, mas ela não resistiu. Além do policial, vizinhos confirmaram que as brigas entre o casal eram frequentes.
Uma testemunha chegou a dizer que ouvia sempre Gilberto gritando com Marlene e que, em determinada ocasião, ouviu a mulher gritar por socorro.
Após os fatos, as equipes do 9º Batalhão da PMMS foram acionadas e estiveram no local. Aos policiais, Gilberto deu versões diferentes dos fatos. Em determinado momento, disse que ligou para a polícia após o tiro e mostrou o celular. Então, os militares identificaram também uma chamada para o advogado do suspeito.
Gilberto afirmou que a ligação ocorreu porque tinha provas de que a vítima “manifestava intenção de cometer suicídio”. Disse, ainda, que não houve discussão ou desentendimento na data dos fatos.
📍 Onde buscar ajuda em MS
Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileira está localizada na Rua Brasília, s/n, no Jardim Imá, 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana.
Além da Deam, funcionam na Casa da Mulher Brasileira a Defensoria Pública; o Ministério Público; a Vara Judicial de Medidas Protetivas; atendimento social e psicológico; alojamento; espaço de cuidado das crianças – brinquedoteca; Patrulha Maria da Penha; e Guarda Municipal. É possível ligar para 153.
☎️ Existem ainda dois números para contato: 180, que garante o anonimato de quem liga, e o 190. Importante lembrar que a Central de Atendimento à Mulher – 180 é um canal de atendimento telefônico, com foco no acolhimento, na orientação e no encaminhamento para os diversos serviços da rede de enfrentamento à violência contra as mulheres em todo o Brasil, mas não serve para emergências.
As ligações para o número 180 podem ser feitas por telefone móvel ou fixo, particular ou público. O serviço funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive durante os fins de semana e feriados, já que a violência contra a mulher é um problema sério no Brasil.
Já no Promuse, o número de telefone para ligações e mensagens via WhatsApp é o (67) 99180-0542.
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⚠️ Quando a Polícia Civil atua com deszelo, má vontade ou comete erros, é possível denunciar diretamente na Corregedoria da Polícia Civil de MS pelo telefone: (67) 3314-1896 ou no GACEP (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial), do MPMS, pelos telefones (67) 3316-2836, (67) 3316-2837 e (67) 9321-3931.
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(Revisão: Nichole Munaro)








