O homem apontado como líder do esquema de contrabando de cigarros que movimentou mais de R$ 76 milhões foi baleado com um tiro no rosto em 2024 no bairro Universitário, em Campo Grande. Nesta terça-feira (16), ele foi preso pela PF (Polícia Federal) durante a Operação Rota Clandestina no bairro Universitário, em Campo Grande.
O crime aconteceu na manhã de 13 de abril e teria sido motivado por uma cobrança de R$ 55 mil. Segundo a denúncia do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), a vítima emprestava dinheiro a juros e, dias antes, teria cobrado um empréstimo que o réu contraiu, mas não pagou. O réu teria se irritado com a cobrança.
No início da manhã, Alesson de Oliveira Jara teria se escondido próximo à residência do homem para aguardar sua saída. Quando a vítima saiu de casa para retirar o lixo, o réu efetuou os disparos e fugiu após achar que tinha matado a vítima. O homem foi socorrido para a Santa Casa com um tiro no rosto.
O julgamento da tentativa de homicídio estava previsto para 23 de junho na 1ª Vara do Tribunal do Júri, mas foi adiado. A defesa da vítima alegou que seu cliente tinha uma viagem previamente agendada e inadiável.
O alvo da PF também foi denunciado por receptação em 2019, após ser encontrado com uma aliança de ouro 18k que teria sido furtada.

Operação Rota Clandestina
A Operação Rota Clandestina mira uma organização criminosa investigada por contrabando de cigarros que movimentou mais de R$ 76 milhões. Em Campo Grande, são cumpridos 13 mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão. Outro mandado é cumprido em Santa Luzia, Minas Gerais.
Na Capital de Mato Grosso do Sul, a PF apreendeu jet ski, uma van e quatro veículos de passeio, entre eles um Tiggo e um Ônix. Durante o cumprimento dos mandados, os policiais estiveram em uma distribuidora do ramo de produtos de domicílio no bairro Caiçara. O proprietário da distribuidora foi conduzido à sede da PF.
As investigações começaram após a equipe de inteligência da PF identificar indícios da atuação de um grupo de contrabando de cigarros.
Foram identificadas 12 grandes apreensões com mais de mil maços de cigarros e movimentação financeira superior a R$ 76 milhões. O grupo adquiria os produtos no Paraguai e introduzia de forma clandestina no Brasil.
Em seguida, os cigarros eram guardados em depósitos clandestinos em Campo Grande e distribuídos para os outros estados com veículos adaptados. A PF identificou transportadoras vinculadas ao grupo e documentação fiscal fraudulenta para simular legalidade.
As investigações apontaram também que havia lavagem de dinheiro com uso de empresas de fachada, interpostas “laranjas” e movimentações incompatíveis com a renda declarada.
Os criminosos faziam operações ilegais de remessa de valores ao exterior para pagamento de fornecedores no Paraguai e escondiam patrimônio em nome de terceiros.
Logística
A organização criminosa atuava de forma estruturada, com divisão de tarefas e hierarquia definida, dividindo-se entre Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.
A logística era definida em aquisição de cigarros na região de fronteira com o Paraguai; transporte fracionado em veículos para reduzir riscos de apreensão; armazenamento em imóveis e estabelecimentos comerciais; distribuição em larga escala para outros estados; utilização de empresas de fachada e documentos fiscais fraudulentos para dar aparência de legalidade e uso de sistemas informais de remessas financeiras e contas de terceiros para ocultação de valores.
O nome da operação faz referência ao uso de rotas alternativas e meios clandestinos empregados pelo grupo para internalizar os cigarros no país e distribuí-los para outras unidades da federação.
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