Um filho ou um amigo que trocou de celular e está precisando de dinheiro para pagar uma conta com urgência, um gerente informando uma movimentação suspeita na conta bancária, ou até um processo judicial que teve a causa ganha na Justiça. São inúmeras as abordagens que fazem o número de vítimas de golpes ficar cada vez maior.
A dona de casa Neide del Campo foi vítima de uma dessas histórias. Ela transferiu um total de R$ 5 mil para duas chaves Pix informadas por um criminoso que, pelo WhatsApp, fingiu ser um dos filhos dela e disse que havia trocado de celular.
“Recebi uma ligação de WhatsApp, com a foto do meu filho, dizendo que mudou de número. Ele puxou uma conversa, me chamando de mãe, perguntando se estava bem e dizendo que estava com uma situação chata, precisando de dinheiro para mandar para um amigo. Eu pensei: ‘Meu filho está precisando, vou mandar'”, relata.
E assim foi. Minutos depois, ela já havia feito a transferência. Não bastasse isso, o criminoso tentou a sorte mais uma vez. “Ele pediu mais. Disse que tinha que pagar um outro amigo, que ele havia esquecido. Que mãe não ajudaria o filho em uma situação difícil? Eu nem pensei, só mandei. Só sei que totalizou R$ 5 mil, e só descobri que era golpe um dia depois, quando meu filho entrou em contato comigo. Aí já era tarde demais”, lamenta.

Recentemente, Neide foi alvo dos criminosos mais uma vez, mas conseguiu impedir a ação dos bandidos. Atraída por um anúncio de corte e costura, Neide se inscreveu para participar de um curso on-line. Um dia após a inscrição — realizada com nome, CPF (Cadastro de Pessoa Física) e e-mail — a dona de casa recebeu uma ligação.
“Eles entraram em contato dizendo que estavam ao vivo e que eu era a segunda ganhadora de um sorteio realizado entre os inscritos no curso de corte e costura. Disseram que, além da apostila, eu receberia R$ 400 no Pix. Nisso, pediram minha chave. Então eu pensei: ‘Bom, eles não estão pedindo dinheiro. Não há nada que possam fazer apenas com minha chave Pix’, então informei”.
Mas a história não terminou aí. “Em seguida, eles disseram que eu tinha que baixar um aplicativo para ter acesso à apostila do curso. Meu marido ainda alertou que poderia ser golpe, mas não achei nada demais. Até que eles me pediram para acessar meu banco e conferir se o Pix havia caído. Quando fui acessar, pediu senha, mas no meu caso só pede a biometria. Então estranhei, desconversei e disse que iria verificar depois”, relata.
“Então continuamos a conversa. Eles insistiram um pouco mais e, enquanto o aplicativo estava baixando, meu celular indicou uma tentativa de golpe e, do nada, o celular travou em uma tela de restauração. Nisso, eu percebi que tinha algo de estranho. Já corri na assistência técnica, expliquei a situação e pedi para limparem meu celular. Liguei para meus filhos e pedi que bloqueassem todas as minhas contas. Por pouco não caí em outro golpe”, recorda.
Neide conta que, apesar de evitar a ação dos criminosos, a situação foi bastante traumática. “Ruim, muito ruim. A gente se sente impotente. Eu não conseguia acreditar que estava prestes a cair em outro golpe. Me senti enganada, invadida. É muito frustrante”, afirma.

Vários golpes e um só objetivo
Titular da 5ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande, o delegado Leandro Azevedo ressalta que a criatividade dos golpistas parece não ter limite. Segundo ele, quando uma fraude fica conhecida, outra aparece com uma nova abordagem, mas sempre com o mesmo foco: ganhar confiança, fazer pressão e induzir ao erro. Assim, os bandidos chegam ao único objetivo: lesar a vítima.
“A criatividade do criminoso é infinita, mas há alguns comportamentos preventivos para evitar a maioria deles. É sempre algo que desperta a emoção e, ao mesmo tempo, a urgência, a necessidade de agir rápido. O bandido não quer que você pense. Ele não quer que você reflita sobre o assunto. As pessoas devem prestar atenção, porque a história vai mudar muito, mas sempre existem esses dois elementos: a urgência e aquela emoção exacerbada”, observa.

E, segundo o delegado, a principal orientação é fazer contato direto. “Se foi a ligação de algum familiar, dizendo que o número mudou, entre em contato com o número antigo antes de qualquer coisa. Se foi um advogado, fale diretamente no escritório e, se foi um gerente, vá até a agência. Tudo que chega pelo celular, a pessoa precisa partir do pressuposto de que pode ser um golpe. Enquanto a população não tiver ciência de que o ambiente virtual é perigoso, os criminosos vão continuar agindo”, alerta.
Apesar dos constantes alertas feitos pelas autoridades, os golpes virtuais continuam fazendo vítimas em todo o país. Por isso, o delegado reforça as orientações:
- Desconfiar de mensagens suspeitas;
- Evitar compartilhar dados pessoais;
- Buscar informações em canais oficiais ou falar pessoalmente com o suposto contato.

Em um cenário em que os golpistas utilizam cada vez mais a tecnologia para enganar as vítimas, a atenção e a cautela seguem sendo essenciais para proteger dados, dinheiro e a própria segurança. A fim de ajudar a população a se precaver, o delegado criou um perfil profissional nas redes sociais, onde oferece diferentes dicas. Confira: @delegado.leandro.
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(Revisão: Nichole Munaro)






