A Operação Ifrit, deflagrada na manhã de quarta-feira (4), tinha 29 alvos por integrar uma quadrilha de tráfico de drogas, com desvio de cocaína da Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico) durante o comando do delegado de Polícia Civil Hoffman D’Ávila Candido e Sousa, encarcerado desde setembro após a Operação Infiltrados, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado).
Conforme a Polícia Federal, Hoffman teria lucrado R$ 15 milhões com a venda de cocaína. E ainda, segundo informações, o delegado misturava fermento e farinha à droga. Ele teria vendido cerca de 2 toneladas de cocaína desviadas do depósito do Denar, por valores entre R$ 8,5 mil e R$ 10,5 mil o quilo.
Conheça os 29 alvos da operação:
- Adel Hassan Haidar
- Adule Vasques Haidar
- Andrey Elesbão Silva
- Bassam Hassan Haidar Ahmed
- Brendo Benega Pereira
- Bruno Banega
- Bruno Leonardo Bergamasco
- Daniel Ecleverson da Silva Barbosa
- Daniel Jonatas Ferreira
- Douglas Tobias
- Eduardo Greco
- Fahd Haidar
- Hector Salinas Esquivel
- Hoffman D’ávila Candido e Sousa
- Ireneo Ramom Acosta
- João Fernando Andrade de Carvalho
- Jorge Adalid Granier Ruiz
- José Miguel Vela Caprioli Junior
- Mamede Alhaj Haidar
- Maroan Fernandes Haidar Ahmed
- Nasser Haidar
- Pedro Henrique Flores Camargo
- Rafael Rodas Neto
- Renan Braiana Garcia Presotto
- Salazar José Batista
- Valdeson Pereira dos Santos
- Valter Ulisses Martins Silva
- Victor Hugo Santos Queiroz
- Vitor da Silva
Em Campo Grande, policiais federais apreenderam um Mustang que pertence ao policial civil Douglas Tobias. O veículo de luxo estava em um condomínio de alto padrão na Capital.
Inclusive, Douglas foi denunciado pelo Gaeco após também ser alvo, junto de Hoffman, da Operação Infiltrados, que investiga o desvio de drogas apreendidas pela Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico).
Grupo criminoso é alvo de operação em 7 estados
A Operação Ifrit cumpre 76 mandados judiciais, sendo 25 deles de prisão, e é realizada em Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Rondônia. Três policiais civis foram afastados das funções.
O grupo de traficantes usava Mato Grosso do Sul como porta de entrada para o mercado clandestino de armas e drogas, utilizando um sofisticado esquema para lavar cerca de R$ 500 milhões em dinheiro do crime, que foram movimentados em dois anos.
A PF investiga a atuação da organização criminosa transnacional liderada por um núcleo familiar e associada a facções criminosas, com participação de policiais civis e militares e um policial da PRF.
O grupo é investigado pelos crimes de tráfico transnacional de drogas, tráfico internacional de armas, lavagem de dinheiro e delitos violentos, como sequestros, torturas, atentados e homicídios. Eles usavam armas, estruturas de apoio e carros blindados para exercer o controle territorial e intimidar rivais.
As investigações revelaram que o grupo atuava principalmente na região de fronteira entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, com ramificações em outros estados. As drogas e as armas eram obtidas na Bolívia, no Peru e no Paraguai, abastecendo as redes de distribuição no Brasil e as rotas de tráfico de entorpecentes destinadas à Europa, especialmente Espanha e Portugal.
Diante do mandado contra o delegado Hoffman na Capital, o Jornal Midiamax acionou a defesa, representada pelos advogados José Roberto Rodrigues da Rosa, João Pedro da Silva Fialho, Lucas de Nobrega Fuzinatto e Jakson Gomes Yamashita, que, em nota, disse:
“O Delegado Hoffman já se encontrava submetido a custódia cautelar em razão de outro procedimento e, após o cumprimento da nova ordem judicial, foi encaminhado à unidade prisional competente.
Até o presente momento, a Defesa não obteve acesso integral aos autos, à decisão que fundamentou a nova prisão preventiva, tampouco ao conjunto de elementos probatórios que embasaram as medidas cumpridas nesta operação.
Por essa razão, qualquer manifestação sobre o mérito das novas imputações seria prematura e incompatível com o exercício responsável da defesa técnica.
Assim que for franqueado acesso integral ao procedimento, a Defesa realizará a análise jurídica e probatória do caso e adotará todas as medidas processuais cabíveis, assegurando ao Delegado Hoffman o pleno exercício do contraditório, da ampla defesa e das demais garantias constitucionais.
A Defesa reitera que prisões cautelares e medidas investigativas não representam juízo definitivo de responsabilidade penal, devendo os fatos ser examinados no devido processo legal e à luz das provas efetivamente produzidas.”
Já a defesa do Fahd Haidar informou que neste momento não irá se manifestar, uma vez que ainda não teve acesso aos autos. O espaço segue aberto para futuros posicionamentos.
A reportagem também acionou a Polícia Civil e a Polícia Militar de Mato Grosso do Sul acerca dos mandados contra os servidores. A PMMS esclareceu que não teve policiais militares presos durante a operação e ressaltou que “sua atuação pelos princípios da legalidade, da ética e da responsabilidade institucional, reafirmando seu compromisso com o cumprimento da legislação e com os valores que norteiam a atividade policial militar.”
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(Revisão: Nichole Munaro)







