Aconteceu na 1ª Vara do Tribunal do Júri, na tarde desta quarta-feira (22), a primeira audiência de instrução e julgamento do processo do médico-veterinário, de 44 anos, que esfaqueou o zootecnista, de 43 anos, em abril durante uma briga em uma prova de Ranch Sorting, em Campo Grande. Durante o depoimento das testemunhas, versões contraditórias foram apresentadas com as iniciais.
O caso está sob responsabilidade do juiz de Direito Carlos Alberto Garcete de Almeida. Assim, foram arroladas cinco testemunhas de acusação; no entanto, apenas quatro foram ouvidas durante a tarde, sendo que uma delas passou a ser informante.
Durante os depoimentos, as pessoas falaram sobre o que teria ocorrido durante a noite de sábado, 11 de abril. Assim, informaram que o autor parecia estar embriagado, devido à sua alteração, mas afirmaram que a motivação teria sido ele não aceitar a desclassificação da prova de Ranch Sorting.
Apesar de as testemunhas terem relatado os fatos naquela noite, algumas falas foram consideradas contraditórias. Isso quer dizer que, durante o interrogatório na delegacia, apresentaram versões diferentes do que foi dito na sala de audiência. Em um dos casos, o Promotor de Justiça chegou a alertar sobre a possibilidade do falso testemunho.
Uma das testemunhas que entrou em contradição é uma pessoa que na época trabalhava na mesma empresa em que a vítima era cliente. Agora, ele presta serviço para a empresa da qual o autor é cliente. O que chamou a atenção do promotor.
Na delegacia, a testemunha havia relatado que, se ninguém tivesse segurado o autor, ele teria partido novamente para cima da vítima. No entanto, nesta tarde, ele negou essa versão apresentada inicialmente.

Para a advogada, que atua no caso como assistente de acusação, Caroline Mendes Dias, apesar das contradições, as testemunhas esclareceram a dinâmica dos fatos.
“O motivo fútil foi em razão de uma competição em que o competidor não aceitou a decisão do juiz que o desclassificou. Também foi confirmado que a vítima tentou ajudar para que a prova seguisse o curso normal e, principalmente, que ele foi expulso da prova. A gente acredita que está bem delineada até agora a intenção de matar a vítima; a gente tem uma testemunha com alguma contradição que a gente acredita que o Ministério Público vai tomar providências com a apuração de inquérito de falso testemunho”, disse.

Defesa do autor
Já a defesa do autor afirmou que a contradição apresentada por uma das testemunhas pode sugerir uma falha no inquérito policial. Isso porque, segundo o advogado, Jakson Gomes Yamashita, o depoimento inicial deveria ter sido gravado.
“Escreveram por ela, ela volta atras e desfaz diversas narrativas colocada na denúncia pelo Ministério Público, uma delas é que não houve uma investida do autor contra a vítima na intenção de mata-la logo após o desfecho. Então isso está a favor da defesa e será muito bem trabalhado durante essa fase de instrução”, disse.
Ainda, a defesa pontuou que, durante a audiência, foi relatado que a vítima também teria agredido o autor com socos. O que, na versão dele, sugere que o caso pode sair de tentativa de homicídio para lesão corporal. “A primeira delas, e que talvez seja a principal, é que no início foi dito que a vítima não o agrediu e hoje ficou claro que houve por parte da vítima agressão física, socos, chutes e ficou muito bem delineada na audiência”, frisou.

Caso
Conforme o boletim de ocorrência, equipes da 6ª CIPM (Companhia Independente de Polícia Militar) foram acionadas por volta das 18h53, em uma chácara onde ocorria uma competição de cavalos.
Quando a equipe chegou ao local, o suspeito informou ter reagido após receber um soco, fazendo uso de um canivete para esfaquear a vítima. Entretanto, duas testemunhas apresentaram versões diferentes.
Isso porque afirmaram que, aproximadamente 30 minutos depois de uma discussão motivada por discordância quanto à pontuação da competição e reclamação direcionada ao juiz, o suspeito dirigiu-se até a vítima na pista de competição e, após trocarem empurrões, desferiu um golpe de canivete na região da clavícula direita do homem.
A vítima, por sua vez, foi socorrida em estado grave e encaminhada para um hospital particular da Capital. Segundo consta no boletim de ocorrência, houve a necessidade de intubação e de procedimento cirúrgico. O estado de saúde dela é estável.
Durante a discussão, testemunhas tentaram intervir e conseguiram conter os envolvidos. Para a polícia, uma delas informou que afastou o autor do local, ocasião em que presenciou o homem arremessando e enterrando o canivete no chão. Ainda, o suspeito teria proferido ameaças: “Eu fui degolar ele, e, se não morrer, eu degolo outro dia”.
💬 Receba notícias antes de todo mundo
Seja o primeiro a saber de tudo o que acontece nas cidades de Mato Grosso do Sul. São notícias em tempo real com informações detalhadas dos casos policiais, tempo em MS, trânsito, vagas de emprego e concursos, direitos do consumidor. Além disso, você fica por dentro das últimas novidades sobre política, transparência e escândalos.
📢 Participe da nossa comunidade no WhatsApp e acompanhe a cobertura jornalística mais completa e mais rápida de Mato Grosso do Sul.






